Olhando para o Sporting CP, SL Benfica e FC Porto podemos, como exercício puramente teórico, analisar com mais atenção as dinâmicas e escolhas dos treinadores para as suas equipas. Certos aspectos dos “três grandes” causam-me alguma confusão a nível táctico. Partilho essa confusão, redigida ainda antes da realização do importante clássico entre “dragões” e “leões”.

SPORTING

No Sporting há três casos flagrantes em relação a este tema. Em primeiro há um jogador cujo posicionamento é, no meu entender, muito complicado ou até impossível de definir com assertividade. Carlos Mané é um jogador de enorme rapidez e cuja técnica de condução de bola e drible é bastante boa, contudo não o consigo definir como extremo puro, nem como avançado ou até como número “10”. Apenas consigo dizer que se trata de um jogador de rotura e, sobretudo, de último terço do terreno. Penso que será importante especializá-lo mais numa posição certa, sendo que pessoalmente tenderia a apostar nele mais como segundo avançado, de modo a aumentar o ritmo de jogo e transição defesa/ataque.

O segundo caso é o de João Mário, um craque da cabeça aos pés que tem feito a sua primeira época no Sporting, ainda que com alguma irregularidade exibicional. Contudo, cada toque seu revela classe. A meu ver, porém, tem de ser aposta como número “8”, ao invés de jogar como médio-ofensivo. A sua qualidade de passe e visão de jogo exigem mais bola no pé, e João Mário tem de ser o grande cérebro da construção alta do Sporting.

Em terceiro, Marco Silva tem-me desiludido (sendo eu mesmo um adepto incondicional do trabalho hercúleo que tem desenvolvido no Sporting, apesar das contrariedades internas). Este fantástico treinador tem tomado algumas decisões dúbias na altura das substituições. Os “leões” têm um banco de suplentes que, dos três grandes, é de longe o mais fraco, ainda assim, na altura de mexer na equipa, muitas vezes retira jogadores que nem são os de pior rendimento.

FC PORTO

No FC Porto, Lopetegui tem claramente vindo a desenvolver uma ideia de jogo que quer enraizar nos “dragões”, um futebol muito assente na posse de bola e que tem no seu meio-campo e avançados trunfos que merecem ser usados e muito bons resultados têm dado. Ainda assim vejo algum desaparecimento de dois laterais, que para mim são dos melhores da Europa, Alex Sandro e Danilo. Outra questão é a ineficácia táctica que o “trinco” muitas vezes revela na recuperação defensiva, mas sobretudo no equilíbrio durante a fase ofensiva.

BENFICA

No SL Benfica a minha crítica maior é mesmo em relação ao sistema de jogo. Muitas vezes vê-se Jorge Jesus a insistir numa dinâmica sem ter em conta muitas vezes o fluir do jogo. A persistência em usar jogo directo para a dupla avançada ou as diagonais dos extremos faz como que, por vezes, os médios-centro desapareçam um pouco mais do jogo em termos de movimentação, tendo por isso uma função meramente de construção. Penso ainda que seria importante uma maior aposta em jogadores como João Teixeira, Gonçalo Guedes e até Renato Sanches.

Os “três grandes” do campeonato português têm revelado uma identidade muito própria e sobretudo um futebol atractivo. Marco Silva mostra que é um dos melhores treinadores portugueses actualmente, a par de Mourinho e Leonardo Jardim; Jorge Jesus merece um clube europeu de topo, para que possa trabalhar numa Liga diferente e tenha novos desafios; Julen Lopetegui trouxe toda a escola da federação espanhola e o seu know how.