Pela primeira vez, na história do GoalPoint, estamos a fazer o acompanhamento exaustivo de uma competição jovem. O óbvio interesse que o Europeu de sub-21 suscita, assim como a generalizada expectativa em torno da participação da equipa portuguesa, fizeram-nos avançar para esta aposta, que viria a ser exclusiva mundialmente no que toca a acompanhamento estatístico, com números e GoalPoint Ratings para todos os jogos da prova.

Para Portugal, a fase de grupos acabou por ser madrasta. A amarga derrota com a Espanha ditou o destino de uma selecção que venceu (e convenceu) nos outros dois jogos, contra Sérvia e Macedónia, mas que, mais do que pela falta de golos, pecou pelas falhas defensivas.

No entanto, individualmente, para os jogadores portugueses o balanço é positivo, ficando isso bem explícito neste onze ideal da primeira fase. Portugal coloca quatro jogadores, mais do que qualquer outra selecção, e sem dúvida que se deu a confirmação de alguns dos maiores talentos nacionais. Passemos então a detalhar o porquê de estes onze jogadores estarem presentes e não outros.

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Jeppe Hojbjerg (Dinamarca) 6.78 – Pode parecer estranho eleger um guarda-redes que sofreu sete golos em três jogos, mas por cada golo que sofreu, Hojbjerg fez várias defesas de grande qualidade. Ainda actua no modesto Esbjerg, do seu pais, onde também aí fez uma excelente época, e será uma questão de dias até arranjar clube melhor.

João Cancelo (Portugal) 6.21 – Mostrou no Euro o porquê de já ser jogador de Selecção A. Dos poucos titulares nos três jogos, Cancelo foi o defesa que mais dribles fez, e apresentou a habitual acutilância ofensiva, apesar de algum desacerto na hora de cruzar. Ainda registou uma média de 4,7 acções defensivas por jogo, vencendo 80% dos seus duelos aéreos.

Mattia Caldara (Itália) 5.97 – Bonucci e Chiellini não vão durar para sempre, mas a Juventus tem um Caldara um sucessor à altura. Foi titular nos dois jogos em que a Itália não sofreu golos e mostrou-se exímio na sua habitual capacidade de antecipação dos lances, com uma média de 2,5 intercepções por jogo. Os €15M que custou em breve vão parecer pouco.

Milan Skriniar (Eslováquia) 6.11 – O melhor central do Euro também actua no campeonato italiano. É titular indiscutível na Sampdoria e já está avaliado em cerca de €7M, mas em breve custará muito mais. Forte pelo ar, ganhou 83% dos seus duelos, e fez um total de 22 alívios, quase todos de cabeça. Não se pense, no entanto, que é “tosco” com os pés. Dos cerca de 63 passes que fez a cada jogo, só falhou 9% dos mesmos.

Kévin Rodrigues (Portugal) 6.28 – Ainda pouco conhecido dos portugueses, o jogador da Real Sociedad causou polémica ao tirar o lugar a Rafa Soares, que tinha feito uma excelente época no Rio Ave. No entanto, as suas exibições justificaram a escolha. Fez uma assistência e criou 2,1 ocasiões de finalização a cada 90 minutos, sendo ainda o jogador com a segunda melhor média de intercepções (3,6) da prova. Novo Raphael Guerreiro na forja?

Saúl Ñíguez (Espanha) 7.07 – Já é claramente de “outro campeonato”. Titular do Atlético de Madrid nas últimas duas épocas, o seu passe está neste momento avaliado em cerca de €40M. Neste Euro, foi titular nos primeiros dois jogos, e, para mal dos nossos pecados, foi o melhor em campo na única derrota portuguesa. Cada vez mais completo, Saúl marcou dois golos, fez uma assistência, e totalizou 16 acções defensivas em apenas 180 minutos.

Enis Bardhi (Macedónia) 6.64 – Talvez a maior surpresa desta fase de grupos. Ainda joga no Ujpest, do campeonato húngaro, onde na época passada marcou 12 golos em 29 jogos, repetindo a receita goleadora neste Euro. Foram dois, mas podiam ter sido mais, porque com 2,3 remates enquadrados a cada 90 minutos foi o quarto melhor do torneio neste aspecto. Mas há mais: criou um total de 10 oportunidades de finalização e foi eficaz em 73% das suas 11 tentativas drible. Craque da cabeça aos pés.

Marco Asensio (Espanha) 7.79 – Quem marca na final da Champions deixa de precisar de apresentações. Marco Asensio confirmou o craque que é nos escassos 170 minutos de Euro que teve (até agora), marcando três golos, enquadrando 83% dos remates que fez com a baliza e ficando no top-10 dos maiores criadores de oportunidades. Candidato a melhor de torneio se assim continuar.

Daniel Podence (Portugal) 6.88 – É o nosso craque miniatura, mas um jogador enorme. Pelas alas ou pelo meio foi sempre dos maiores desequilibradores da selecção. Marcou um golo, mas podia ter apontado mais, não fossem a inspiração dos guarda-redes adversários e os postes. Tem urgentemente de ser titular na próxima época.

Bruma (Portugal) 8.44 – O melhor jogador da fase de grupos, mesmo só tendo sido titular no último jogo. Decisão incompreensível, tendo em conta a época que fez na Turquia, onde foi o melhor jogador do campeonato e um dos melhores dribladores da Europa. Essa mesma qualidade individual ficou confirmada neste Euro, com 4,8 dribles eficazes a cada 90 minutos (o segundo, Weiser, registou 2,9) e uma percentagem de acerto de 90%. Golos, foram três, um a cada 56 minutos, sendo que dois deles foram de levantar qualquer estádio.

Kenneth Zohore (Dinamarca) 7.45 – O ponta-de-lança desta equipa também jogou muito menos tempo do que devia e, tal como Bruma, só foi titular no último jogo. Aí, teve intervenção directa nos quatro golos da sua equipa, marcando dois e assistindo outros tantos. Zohore joga no Cardiff, pelo qual marcou 12 golos, tem uma estatura impressionante e é tão forte de cabeça como com os pés. Só dois jogadores (Radeski e Kownacki) criaram mais oportunidades de bola corrida que ele a cada 90 minutos.

Suplentes:

Lukas Zima (Rep. Checa) 6.48 – Guarda-Redes | 23 anos | Genoa
Antonio Barreca (Itália) 6.10 – Defesa-Esquerdo | 22 anos | Torino
Niklas Stark (Alemanha) 5.95 – Defesa-Central | 22 anos | Hertha
Rúben Neves (Portugal) 6.05 – Médio-Defensivo | 20 anos | FC Porto
Dawid Kownacki (Polónia) 6.81– Médio-Ofensivo | 20 anos | Lech Poznan
Serge Gnabry (Alemanha) 6.77 – Extremo-Esquerdo | 21 anos | FC Bayern
Nathan Redmond (Inglaterra) 6.72– Extremo / Avançado | 23 anos | Southampton