Tudo será diferente se não ficar tudo igual. Que é como quem diz: “Se William ou Adrien saírem, nada será a mesma coisa”. Esta é, para já, a única verdade absoluta no que diz respeito ao meio-campo do novo Sporting 2017/18.

A provável necessidade de encaixe financeiro e o muito mercado que os dois internacionais portugueses continuam a ter fazem com que seja muito provável o cenário da saída de (pelo menos um) deles, e os responsáveis leoninos parecem ter começado a preparar isso desde tenra hora. Mattheus Oliveira e Rodrigo Battaglia, ainda muito cedo na janela de mercado, foram os primeiros a chegar para o sector, seguindo-se Bruno Fernandes, que, mesmo tendo passado pelo Europeu Sub-21, chegou a tempo de integrar os trabalhos de pré-epoca.

Importa, por isso, perceber como pode o Sporting juntar estes recursos aos que já tinha (Palhinha, Petrovic e Bruno César), na necessidade de criar um meio-campo tão bom ou melhor do que o anterior, caso algum dos seus constituintes abandone o clube.

Comecemos por conhecer um pouco melhor cada uma das novidades.

Rodrigo Battaglia
26 anos

GoalPoint-Battaglia-Sporting

Internacional argentino nas camadas jovens, Rodrigo Battaglia atinge aos 26 anos o topo da sua carreira, depois de uma época  muito interessante, sobretudo na primeira metade, quando esteve ao serviço do Chaves.

Como centro-campista, Battaglia possui um conjunto de características difíceis de conjugar num só jogador. A rara capacidade com que transporta a bola, “queimando” linhas em aceleração pelo centro do terreno, faz dele um espécime raro nas opções de Jorge Jesus, visto que nunca teve, nos dois anos de leão ao peito, um centro-campista com estas características. Se recordarmos a passagem do treinador pelo Benfica, talvez o mais semelhante tenha sido Enzo Pérez.

Battaglia é um jogador que procura constantemente os duelos individuais, indo ao choque com frequência (e eficácia), tanto com bola como sem ela, o que faz dele um útil jogador de combate. Mas as coisas complicam-se ao nível da leitura de jogo. Defensivamente, o argentino é daqueles jogadores que parecem estar em todos os sítios, mas nem sempre no sítio certo, e, ofensivamente, revela ainda mais dificuldades quando se lhe pede visão de jogo e criatividade mental.

Mattheus Oliveira
23 anos

GoalPoint-Mattheus-Sporting

Ao contrário de Rodrigo Battaglia, Mattheus Oliveira fez uma época 2016/17 sempre em crescendo e constante evolução. No Estoril, começou por jogar a partir do flanco esquerdo, algo que não espanta porque sempre foi tido como um puro médio-ofensivo, mas o espanhol Pedro Carmona confiou nele como número “8”, acabando por evoluir até, por vezes, para médio-defensivo, com a chegada de Pedro Emanuel.

Durante essa “viagem”, Mattheus Oliveira foi melhorando a sua intensidade de jogo, aprendendo a posicionar-se melhor no terreno, e tornou-se um centro-campista extremamente completo, a merecer em pleno a confiança do Sporting para dar o salto.

As qualidades que demonstrou na primeira época em Portugal continuam todas lá, sobretudo uma arma que tanto agrada a Jorge Jesus, o remate. O brasileiro aposta muito em disparar de fora da área e fá-lo com bastante qualidade, como demonstram os 80% de remates enquadrados que saem colocados. Para além disso, é um perigo nos livres, directos e indirectos.

Juntando a isto a evolução defensiva que teve (de 1,4 para 2,7 desarmes por jogo em apenas uma época), fica apenas a faltar a Mattheus melhorar na tomada de decisão, uma vez que ainda erra muitos passes, por exemplo, no último terço do terreno (39%).

Bruno Fernandes
22 anos

GoalPoint-Bruno-Fernandes-Sporting

É dos três o mais caro, mas também aquele que mais entusiasmo gera entre os adeptos, e há razões para isso. Com Bruno Fernandes, e se excluirmos Francisco Geraldes, que não parece entrar nas contas, o Sporting passa finalmente a ter um centro-campista verdadeiramente criativo após a saída de João Mário.

Mesmo a jogar num clube do meio da tabela em Itália, Bruno Fernandes apresentou números bastante diferentes dos outros médios aqui em análise no que diz respeito aos parâmetros ofensivos. A cada 90 minutos, o internacional sub-21 português registou uma média de 2,2 passes para finalização de bola corrida, número quase igual aos 2,6 de Battaglia, Mattheus, Adrien e William… somados. Mas há mais: Bruno é também, de longe, o mais rematador, embora o faça com um pouco menos de qualidade em relação a Mattheus, e só perde para Battaglia no desequilíbrio individual com bola.

Claro que nem tudo “são rosas”. Como médio-ofensivo puro que é, Bruno Fernandes negligencia no seu jogo tudo o que diz respeito ao momento defensivo, e será muito difícil encaixá-lo no centro do terreno se não tiver uma evolução notável nesse aspecto. Não seria de espantar se, tal como aconteceu a João Mário, lhe fosse reservado um lugar como “falso” ala direito ou esquerdo.

> OS CENÁRIOS DE SAÍDA DE WILLIAM E ADRIEN