a Liga dos Campeões 2018/19 marcou uma mudança no nome do campeão europeu. Se nas anteriores três edições o Real Madrid fora o dominador, conquistando o troféu em todas elas, desta feita assistimos àquela que poderá ser uma alteração no paradigma do futebol europeu. Se até agora podíamos falar de um domínio do campeonato espanhol, desta feita tivemos quatro equipas de Inglaterra nas duas finais europeias, com o Chelsea a arrecadar a Liga Europa após final com o Arsenal e o Liverpool a sagrar-se campeão europeu ao bater o Tottenham na final da Liga dos Campeões, por 2-0.

Os “reds” conquistaram, assim, o seu sexto título de campeão europeu, na segunda presença consecutiva na final, culminando um percurso extraordinário que teve o seu ponto alto – em termos exibicionais – na meia-final ante o Barcelona. Não espanta, por isso, que seja o Liverpool a formação mais representada no “onze” final da Champions League, com três jogadores. Outros três clubes são representados por dois jogadores, com um português a integrar a equipa que melhores prestações registou ao longo de toda a temporada na prova. Quando ao melhor futebolista em competição… esteve vários furos acima dos demais.

Vamos então aos craques, escolhidos entre os jogadores que completaram mais de 720 minutos na prova:

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Wojciech Szczesny (Juventus) 5.90 – A “vecchia signora” falhou o assalto à Champions mas colocou dois jogadores entre os melhores. A começar pelo seu guarda-redes. Nos jogos em que a equipa não conseguiu impedir o domínio contrário, o polaco foi fundamental, terminando com a mais elevada percentagem de defesas a remates aos ângulos. Foi também um dos guardiões com 100% de eficácia nas saídas pelo ar e defendeu ainda uma grande penalidade.

Trent Alexander-Arnold (Liverpool) 5.97 – As duas assistências do jovem lateral frente ao Barcelona, na histórica segunda mão das meias-finais, ficaram na retina de todos, mas a época de Alexander-Arnold na Champions foi bem mais do que isso. Ao todo registou três assistências e foi o lateral com mais remates – 1,2 a cada 90 minutos, 1,1 de bola corrida, 0,8 de fora da área -, liderando igualmente em ocasiões flagrantes criadas (0,7) e passes para finalização (2,2), e em eficácia de cruzamento, chegando aos 36% em 4,3 por 90 minutos.

Matthijs de Ligt (Ajax) 5.93 – A grande surpresa desta edição da Liga dos Campeões foi, sem dúvida, o Ajax. A equipa de Amesterdão surgiu com um lote de jovens jogadores que atraiu a atenção dos principais emblemas europeus, sendo um deles o central De Ligt. Com dois golos apontados, o holandês foi o segundo central com mais duelos aéreos defensivos na grande área (1,3 por 90 minutos), com 64% de eficácia, sendo o jogador da posição com mais recuperações de posse (6,6).

Virgil van Dijk (Liverpool) 5.91 – Uma das grandes figuras do Liverpool e desta edição da Champions. Aquele que é, para muitos, o melhor defesa-central do Mundo terminou a sua participação com o extraordinário feito de nunca ter sido driblado. Uma autêntica “parede” que, quando subia no terreno, era também uma ameaça, tendo terminado a época na prova com dois golos marcados, mas também duas assistências.

Jordi Alba (Barcelona) 6.13 – Uma verdadeira “formiga” no lado esquerdo da defesa do Barcelona, Alba foi o melhor lateral da competição. De todas as posições, foi o jogador com mais acções com bola a cada 90 minutos, nada menos que 103,5, o sexto com mais cruzamentos de bola corrida (2,2) e o primeiro, a par de Kylian Mbappé, com mais assistências, nada menos que cinco. Foi ainda o lateral com mais passes para finalização de bola corrida (2,1).

Jordan Henderson (Liverpool) 6.38 – Um dos heróis do Liverpool, jogador que comanda todo o futebol dos “reds”, define ritmos e confere os equilíbrios de que a equipa necessita. A sua inteligência e visão de jogo permitiram-lhe ser o médio-defensivo/centro com mais passes de ruptura por 90 minutos (0,7) e mais eficazes (0,4), o que mais ocasiões flagrantes criou (0,4) e o segundo com mais passes para finalização de bola longa (0,3), atrás de Paul Pogba (0,5). Tendo em conta o estilo de jogo mais directo do Liverpool, é fácil perceber a importância do inglês na equipa.

Paul Pogba (Man United) 6.47 – Por falar em Pogba. O francês voltou a viver uma época que foi tudo menos unânime. Ainda assim, e apesar do fracasso do United em todas as competições, o médio mostrou alguns argumentos na Liga dos Campeões. Com dois golos e uma assistência, Pogba foi o médio-centro que mais tentou o remate a cada 90 minutos (1,9), o que mais disparos enquadrou (1,0) e o segundo que mais passes para finalização realizou (2,2). No entanto, foi também o segundo com mais perdas de bola (20%).

Lionel Messi (Barcelona) 8.50 – A grande figura da edição que agora terminou da Liga dos Campeões. O rating de Lionel Messi está bem acima de qualquer outro, pelo que podemos afirmar que, em termos de desempenho individual, o argentino não teve concorrência, apesar de a equipa catalã ter sido eliminada da forma como foi nas meias-finais. Ao longo da prova, Messi atingiu por duas vezes o 10.0 nos GoalPoint Ratings e noutras duas ocasiões ultrapassou os 9.0, terminando como melhor marcador da prova, com 12 golos, para além de ter feito três assistências. Foi ainda o jogador com mais tentativas de drible (6,6, um total de 35) e segundo com mais dribles eficazes (3,8, atrás das 3,9 de Lucas Moura) e mais passes para finalização (2,9, atrás de Tadic).

Raheem Sterling (Man City) 6.67 – A grande figura do City esta época na Champions foi o extremo inglês, com cinco golos e duas assistências. A sua velocidade e mobilidade no ataque dos “citizens” são difíceis de conter, pelo que se torna num jogador imprevisível. Terceiro com mais passes para finalização a cada 90 minutos (2,7, segundo em bola corrida, com 2,6), Sterling foi também o terceiro com mais tentativas de drible (6,1) e dribles eficazes (3,2), sendo o que mais tentou o gesto técnico no último terço (4,8), com 50% de eficácia.

Dusan Tadic (Ajax) 6.55 – O avançado do Ajax foi uma enorme surpresa, pela grande qualidade que demonstrou ao longo da temporada, ao nível dos melhores. Entre os terceiros melhores marcadores da prova, com seis golos, o sérvio fez também quatro assistências, o segundo valor mais alto, terminando como o jogador com mais passes para finalização a cada 90 minutos, nada menos que 3,1 (2,9 de bola corrida, também o máximo da competição). Aos 30 anos, Tadic viveu a melhor temporada da carreira.

Cristiano Ronaldo (Juventus) 6.70 – O “onze” da Liga dos Campeões termina com o único português, um cliente habitual nos destaques da competição. Cristiano Ronaldo não conseguiu levar a Juventus ao tão ansiado título, mas esteve entre os melhores marcadores, com seis tentos, atrás apenas dos 12 de Messi e dos oito de Robert Lewandowski. Apesar de não jogar tão perto da área como em outras épocas, o capitão da Selecção voltou a ser dos mais rematadores, com 5,8 disparos a cada 90 minutos, somente duas centésimas abaixo de Messi, liderando, porém, nos remates de bola corrida, com 4,9. Foi ainda o quinto jogador com mais cruzamentos (2,3). Uma boa época de estreia em Turim.

E assim terminou mais uma edição da Liga dos Campeões. Agora, as agulhas viram-se para a Liga das Nações, com Portugal a entrar em campo já na próxima quarta-feira, ante a Suíça. Acompanhe todas as incidências da competição com a melhor análise e informação estatística, aqui no GoalPoint.