A Copa América 2019 coroou o Brasil, um desfecho pouco surpreendente tendo em conta o que a selecção anfitriã foi mostrando, em termos colectivos e individuais. A caminhada triunfal da “canarinha”, que teve o epílogo perfeito no encontro decisivo ante o Peru, teve apenas um percalço, quando não foi além de um nulo ante a Venezuela – se não contarmos com os “quartos” ante o Paraguai. Os brasileiros mostraram sempre uma qualidade assinalável, que acaba por se reflectir claramente na composição do “onze” GoalPoint Ratings da competição.

Ao todo, o “escrete” – melhor ataque, com 13 golos, e melhor defesa, com apenas um sofrido, e logo na final – coloca sete jogadores entre aqueles que melhores desempenhos tiveram ao longo da prova. O que espanta é mesmo o MVP do torneio não pertencer aos comandados de Tite, mas o consolo pelo destaque individual será pouco relevante para quem, no fim, não ergueu o troféu. Que o diga Lionel Messi, que voltou a não vencer pela Argentina e falha a presença no “onze”.

Confira os craques – com um mínimo de 271 minutos jogados – e os motivos da presença nesta equipa.

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Alisson Becker (Brasil) 5.71 – Apesar da solidez defensiva colectiva, o “escrete” bem pode agradecer ao seu guarda-redes o facto de apenas ter sofrido um golo na competição. Tal como na Champions, pelo Liverpool, Alisson voltou a ser fundamental na conquista de mais um título, terminando a campanha com 89% de remates enquadrados defendidos (86% na área), numa média de 1,3 “paradas” a cada 90 minutos. E teve 100% de sucesso nas saídas pelo ar.

Dani Alves (Brasil) 6.28 – O capitão e a alma deste Brasil. Com um golo apontado, o lateral-direito foi sempre um perigo no apoio ofensivo, com uma média de 1,5 remates por 90 minutos, 3,9 cruzamentos de bola corrida, com 26% de eficácia, 3,6 tentativas de drible (67% certas) e ainda 2,6 desarmes e 7,5 recuperações de posse.

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Marquinhos (Brasil) 5.83 – O seu entendimento com Thiago Silva, colega de equipa no PSG, ajudou a “canarinha” a apresentar uma coesão defensiva assinalável. Com 4,4 acções defensivas e 5,0 recuperações de posse a cada 90 minutos, Marquinhos só não se encontrou com os duelos aéreos defensivos, tendo ganho somente 56% dos mesmos.

José Giménez (Uruguai) 6.39 – Já no Mundial de 2018 havia mostrado toda a sua qualidade – para além do que acontece no seu clube, o Atlético de Madrid -, e voltou a fazê-lo, sendo o melhor central da Copa América. O defesa fez um golo, mas foi na retaguarda que brilhou, com 2,3 desarmes a cada 90 minutos (máximo entre os centrais com pelo menos 271 minutos), 1,8 intercepções, 3,3 alívios e 78% de duelos aéreos defensivos ganhos.

Felipe Luís (Brasil) 6.56 – Alguns problemas físicos limitaram a presença de Felipe Luís no lado esquerdo da defesa brasileira nos últimos jogos, mas até então a sua qualidade já havia deixado marca, sendo, de longe, o melhor lateral canhoto da prova, em especial nos momentos defensivos. Em média fez 3,8 desarmes, valor mais alto entre os jogadores da sua posição, registando ainda 2,9 cruzamentos de bola corrida, com incríveis 44% de eficácia.

Erick Pulgar (Chile) 6.36 – O bicampeão terminou no quarto lugar, mas teve no seu médio-defensivo o melhor na posição, apesar de ter demonstrado ser um jogador versátil e capaz de se integrar nas acções defensivas. Um golo, 1,6 remates por 90 minutos, uma média de 82 acções com bola, 84% de eficácia de passe, 3,6 desarmes, 2,8 intercepções e 9,6 recuperações de posse (máximo entre médios-defensivos) são números que definem um grande torneio.

Philippe Coutinho (Brasil) 6.73 – O futebol tem destas coisas. No Barcelona, onde brilha Lionel Messi, o brasileiro é considerado por alguns como uma contratação falhada. Na Copa América, Coutinho esteve em muito bom nível, figurando no “onze” da prova, ao contrário do argentino. O médio foi sempre um dos mais activos na “canarinha”, terminando a prova com dois golos e uma assistência, 3,7 remates a cada 90 minutos, 86% de eficácia de passe e 4,8 tentativas de drible, com 52% de eficácia.

James Rodríguez (Colômbia) 7.43O melhor jogador da Copa América caiu nos quartos-de-final. A Colômbia de Carlos Queiroz prometeu muito na fase de grupos, mas acabou eliminada nos penáltis ante o campeão em título, o Chile – sem qualquer golo sofrido em futebol jogado. Contudo, ficou o perfume do jogador que já passou pelo FC Porto. James não marcou mas registou duas assistências, criou 1,5 ocasiões flagrantes a cada 90 minutos, somou 3,6 passes para finalização (máximo entre os jogadores em análise) e concluiu 86% das 4,1 tentativas de drible.

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Gabriel Jesus (Brasil) 6.52 – Uma das figuras do Brasil, que apareceu nos momentos decisivos, em especial na final, na qual fez um golo e uma assistência – terminou a prova com dois tentos e outros tantos passes para golo. Muito móvel e muitas vezes descaído para a direita do ataque, Jesus registou 2,7 remates por 90 minutos, 2,3 passes para finalização e teve sucesso em 50% dos 1,4 cruzamentos de bola corrida que realizou.

Everton “Cebolinha” Soares (Brasil) 7.20 – O melhor entre os novos campeões sul-americanos. “Cebolinha” foi uma agradável surpresa na formação anfitriã, na posição de extremo-esquerdo, tendo sido o melhor jogador na final. Ao todo fez três golos – foi o melhor marcador da prova, com os mesmos tentos de Paolo Guerrero, mas menos minutos em campo – e uma assistência, destacando-se na facilidade com que dribla – foi o jogador com mais dribles por 90 minutos, nada menos que 9,6, com eficácia de 51%.

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Luis Suárez (Uruguai) 6.35 – Habitual herói uruguaio, desta feita Luis Suárez vestiu a pele de “vilão”, ao falhar o único penálti no desempate ante o Peru, nos quartos-de-final. Ainda assim, foi o melhor ponta-de-lança do torneio, com dois golos e uma assistência, o máximo de remates por 90 minutos entre os jogadores da sua posição (4,8), mas também 1,8 passes para finalização. Ficou a sensação de que foi embora cedo demais.