O primeiro “Special One” morreu há dez anos

Cumpre-se o décimo aniversário da morte de uma das maiores figuras que o futebol ofereceu ao mundo. Se não conhece perceba porquê, se conhece Brian reveja o porquê da sua fama.

Polémico, líder, revolucionário, provocador. Clough foi um dos mais multidimensionais treinadores que o futebol acolheu (foto: WC)
Polémico, líder, revolucionário, provocador. Clough foi um dos mais multidimensionais treinadores que o futebol acolheu (foto: WC)

“Quem perde jogos são os jogadores, não as tácticas. Há por aí muita “trampa” dita sobre tácticas por pessoas que  mal sabem ganhar um jogo de dominó”

Brian Clough. Um nome que dirá pouco aos mais jovens ou aqueles que não apreciam “esgravatar” os compêndios da história do futebol mas que diz muito a quem partilha uma particular curiosidade pelas figuras que mostraram ser um pouco mais do que apenas grandes jogadores, dirigentes ou, no caso de Brian, treinadores. Brian Clough, tal como Diego Armando Maradona e poucos mais apresenta todos os traços de uma figura da vida real cujo percurso e características parecem ter sido definidas num guião de Hollywood: liderou equipas até então “pequenas” rumo à glória (Derby County), deu passos maiores do que as pernas caindo em temporária desgraça (Leeds United) e ressurgiu mais forte do que nunca (Nottingham Forest) conquistando o que muitos nunca conseguiram (duas Taças dos Campeões consecutivas). Pelo caminho foi acusado de corrupção, debateu-se (até ao fim) com o alcoolismo, fez amigos e inimigos, também estes geridos de forma quase cinematográfica (Don Revie) e, claro está, protagonizou inúmeras declarações e entrevistas inesquecíveis, que motivam em boa parte a comparação que, desde a primeira hora, a imprensa inglesa establece entre Clough e José Mourinho.


  Uma das mais brilhantes entrevistas de Brian Clough na qual hostiliza com mestria a imprensa britânica

 

A língua de Brian era de facto tão brilhante como a sua mente, no que ao futebol dizia respeito o que lhe garante hoje, juntamente com a sua postura e expressão facial de permanente desafio um lugar cimeiro na hora de avaliar os momentos televisivos mais brilhantes, protagonizados por um treinador de futebol. Mas seja na TV ou noutro meio Brian foi uma verdadeira máquina de citações inesquecíveis. Eis alguns exemplos:

“Esse Seaman (David Seaman, ex-guarda-redes do Arsenal) é um rapaz bonito mas passa mais tempo a olhar o espelho do que a bola. Não é possível defender uma baliza com um cabeço daqueles”

“Roma não foi construída num dia, mas por outro lado eu não fui encarregue desse projecto”

“Só bati no Roy (Roy Keane, esse mesmo) uma vez. Ele levantou-se logo não lhe posso ter batido com muita força”

“Caminhar sobre a água? Sei que haverá pessoas que dirão que em vez de caminhar sobre ela eu devia tê-la incluído mais vezes na minha dieta líquida. Essas pessoas estão totalmente certas”

“Estou certo que os dirigentes ingleses (Federação) pensaram que caso me escolhessem (para dirigir a selecção inglesa) eu iria querer liderar tudo. Foram perspicazes pois isso era precisamente isso que eu iria fazer”

“Se um presidente despede o treinador que ele inicialmente nomeou esse presidente devia sair também”

(Sobre desentendimentos com jogadores) “Normalmente falamos durante 20 minutos e decidimos que eu tenho razão”

 

Já aqui referimos um dos melhores filmes sobre futebol, The Damned United, cuja acção se foca precisamente no falhanço de Clough no Leeds United e na rivalidade com Don Revie e que recomendamos vivamente a todos os que sintam maior curiosidade por esta figura do futebol britânico. Mas à medida que se descobre Brian Clough a vontade de consumir tudo o que de sublime disse e fez no mundo do futebol aumenta, pelo que caso se sinta suficientemente curioso recomendamos aquecer um “tea”, juntar uns biscoitos, e assistir a este documentário sobre uma das maiores figuras que o futebol nos ofereceu.