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No final da derrota leonina em Tondela, a terceira para o Sporting em dez jornadas de Liga 19/20, Bruno Fernandes lançou um desafio: convidou quem o ouvia a verificar as estatísticas da partida que, no seu entender, demonstrariam que o Sporting merecia ter saído do Estádio João Cardoso com a vitória.

[O “desafio” de Bruno Fernandes, na flash interview]

Obviamente não poderíamos deixar passar este repto em claro, até por ser um excelente caso prático que nos permite apontar alguns “erros” comuns na leitura de estatísticas-base de um jogo de futebol. Mas teria o médio que chama a si a influência em cerca de 63% dos golos do Sporting na Liga 19/20 razão no que sugeriu? Relembramos os números finais do encontro, antes de partilharmos a nossa análise.

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O Sporting somou o triplo dos remates do Tondela, sete vezes mais pontapés de canto e terminou com 70% da posse. À primeira vista, uma análise superficial dos números tende a dar razão a Bruno Fernandes, mas nós não estamos cá para nos ficarmos pela rama, pelo que partilhamos algumas notas relevantes, antes de deixarmos o nosso veredicto.

  • O Sporting fez, de facto, mais remates, mas mais do que o número total, importa perceber o contexto e perigosidade desses disparos e aí sim avaliar a real perigosidade de uma equipa. Os números de xG (expected goals) dão a primeira pista: do somatório das probabilidades de golo dos 15 remates leoninos “espreme-se” 1,1 golo esperado, um registo em quebra face à média sportinguista de xG nas últimas cinco partidas da Liga (1,6), já de si baixa para um candidato aos lugares cimeiros.
  • O Sporting fez, aliás, apenas três remates enquadrados com a baliza, todos eles obtidos na segunda parte, todos de fora da área e dois deles possíveis apenas porque beneficiou de livres directos (ambos cobrados por Bruno Fernandes, o outro disparo à baliza coube a Vietto, com o “leão” já em desvantagem no marcador).
  • O Sporting não criou assim nenhuma situação de remate enquadrado dentro da área adversária. O mesmo já não pode dizer o Tondela, que marcou precisamente dessa forma. Os “auriverdes” remataram apenas cinco vezes, mas três delas já dentro da área leonina. Já o Sporting… disparou de fora da área em 12 das 15 situações de remate de que beneficiou, o que torna tudo mais difícil e normalmente menos perigoso, mesmo contando com Bruno Fernandes no elenco.
  • Esta inexistência de remates enquadrados dentro da área ganha dimensões ainda mais negativas se tivermos em conta que os “leões” fizeram nada menos do que 27 cruzamentos de bola corrida. Desses cruzamentos, apenas quatro foram recebidos com sucesso por “leões” e, como já se percebeu, nenhum resultou em remate enquadrado. Se a isso juntarmos os sete pontapés de canto de que beneficiaram chegamos ao número de 34 situações para colocar a bola para remate enquadrado, com o falhanço de Miguel Luís aos 32 a ser a que mais se aproximou desse descritivo.

[O resumo completo do Tondela 1-0 Sporting]

Conclusão? Sim, o Sporting produziu mais do que o Tondela em vários indicadores, como é aliás comum em jogos que opõem “grandes” aos restantes adversários da Liga. No entanto, o desempenho leonino está longe de justificar a vitória em Tondela, no que realmente poderia caracterizar a derrota como um resultado injusto, mesmo tendo em conta que o cabeceamento de Bruno Wilson ofereceu mais do que os “auriverdes” justificaram.