Pep Guardiola teceu rasgados elogios a João Cancelo após a vitória “citizen” por quatro golos sem resposta frente ao Watford. As palavras do técnico espanhol incidiram sobretudo sobre a evolução “pessoal” do jogador, referindo que surgiu totalmente adaptado e “sincronizado” com as expectativas do “mister”, sobretudo desde o regresso da prova, após a interrupção pandémica. Mas será que essa melhoria se expressa nos analytics do português? Para responder a isso estamos cá nós e começamos pelo comparativo simples do João de Manchester com o Cancelo de Turim.

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O grande indicador que dá razão a Guardiola é o GoalPoint Rating e é precisamente para começo de conversa que ele serve, não para a terminar, como por vezes quem nos acompanha conclui. O rating funciona para nós como uma espécie de “sinal luminoso” que nos diz “hey nerd, atenção que está aqui qualquer coisa que deves verificar com mais atenção.

A melhoria de Cancelo está sinalizada, mas onde é que ela se expressa melhor? No plano defensivo. Pese as expectativas ofensivas que as equipas de Pep colocam nos laterais, é no labor defensivo que (talvez até por isso), a melhoria do lateral mais se nota, face ao seu desempenho em Turim. Cancelo soma neste momento 6,3 acções defensivas a cada 90 minutos, contra 4,4 em Itália. Se estreitarmos o funil para acções defensivas completas, ou seja, com reconquista da posse para a equipa, o diferencial é de 3,5 contra apenas 2,0 na Serie A. Numa visão mais simplista, contabilizando apenas recuperações de posse puras, o jogador está a somar 7,4, mais uma por 90 minutos do que na Juve.

As melhorias expressam-se também noutras áreas mais subtis. Sendo certo que Cancelo “perdeu golo” nesta época (justiça feita em muito menos minutos de jogo, por lesão), o lateral está mais eficaz (88%) nos passes que realiza já no meio-campo adversário, quando comparado com a época anterior (84%).

Tendo em conta a tendência global de melhoria no plano defensivo, não deixa de ser curioso perceber que o heatmap de Cancelo na época em curso o mostra mais activo numa zona mais avançada do terreno, o que significa que o português pode não estar tão evidente no plano ofensivo (embora não tenha baixado significativamente os passes para finalização que oferece), mas intervém defensivamente em zonas mais avançadas. Outro bom sinal, sobretudo tendo em conta a “ideia de jogo” do seu actual manager.