Após efectuarmos as “radiografias” à 10ª jornada da Liga NOS de Jorge Jesus e Rui Vitória face ao Sporting e Benfica dos seus antecessores, a promessa estava feita: apesar de Lopetegui suceder a… Lopetegui, impunha-se semelhante análise, findas as primeiras dez rondas do mais disputado título do futebol português da última década. E o que nos dizem então os números?

Revolução sem perda de identidade

Em primeiro lugar importa recordar que, apesar de manter o treinador, o FC Porto sofreu uma profunda revolução no seu plantel. Jogadores como Danilo, Alex Sandro, Casemiro, Torres, Jackson e até, a espaços, Ricardo Quaresma foram peças fundamentais na engrenagem do “dragão” de circulação montado por Lopetegui em 2014/15. Apesar disso os números revelam algo curioso:

A evolução do Porto 2015/16 vs 2014/15 sob o comando de Lopetegui
Clique na infografia para ampliar (infografia: GoalPoint)

Conforme é possível constatar, pelo menos até agora, os números disfarçam as profundas alterações sofridas pelo plantel “azul-e-branco”, verificando-se uma curiosa constância na maioria das variáveis que definem a produção do “dragão” e mesmo as que não se mantêm registam, na sua maioria, ligeiras alterações.

Então o que mudou?

Convém referir que o Porto tem, neste momento, um jogo por realizar, logo variáveis como os golos sofridos (quatro nesta época contra cinco há um ano) e marcados (18 na presente época, contra 19 em 2014/15) dizem pouco, embora também eles se mantenham constantes.

Da análise sobressai o facto de o Porto de Lopetegui manter o seu ADN assente na qualidade de circulação (aumentando até a média de passes certos por jogo) com ligeiras melhorias na acutilância ofensiva resultante da mesma: o “dragão” efectua agora uma média de 14 passes para golo por encontro contra 12 na época passada, algo que não andará dissociado da ligeira melhoria na eficácia de passes realizados para o último terço adversário.

Para lá destas ténues variações, e apesar de o Porto apresentar uma folha de golos sofridos semelhante, Lopetegui parece conseguir este ano maior eficácia defensiva por parte dos seus pupilos. Sendo certo que os portistas desarmam agora com menos eficácia, factor ao qual não será estranha a perda de Casemiro e a ausência de Maicon por lesão, a verdade é que permitem esta época menos passes para ocasião e sobretudo menos remates enquadrados, um sinal de melhoria evidente numa das pechas do Porto do espanhol que nada venceu.

Será suficiente?

Os números analisados acabam por funcionar como um “pau de dois bicos”. Se por um lado será de elogiar a capacidade de Lopetegui para manter os níveis de produção do seu modelo de jogo após tamanha revolução nas suas opções, por outro haverá quem argumente que após um ano em Portugal se esperava uma evolução mais clara daquilo que o “dragão” produz sobre o comando do espanhol, sobretudo após, mais uma vez, ver-se presenteado com alguns dos mais impactantes reforços da Liga até ao momento. Questionando o tema no reino das conjecturas, apenas o acumular de jornadas permitirá perceber o que realmente cresceu (ou mingou) no “dragão” de Julen.