O ranking dos guardiões do “golo evitado” da Liga 19/20

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Que guardiões da Liga NOS travaram mais (e menos) remates do que deles era esperado, face aos remates enfrentados? É precisamente isso que nos propomos medir, recorrendo a uma métrica que quem nos segue já conhece, os Expected Goals (xG), mas desta feita aplicados ao total de golos que cada guardião deveria ter sofrido, tendo em conta a probabilidade de golo de cada remate enquadrado que enfrentaram, e tendo em consideração a localização desse mesmo remate (xGOT = Expected Goals On Target).

Antes de avançarmos para os números (com algumas surpresas), importa deixar claro que, também para nós, um guarda-redes é muito mais do que aquilo que faz na hora de reagir a um disparo dirigido à sua baliza. Acções como as saídas dos postes, tanto aéreas como ao solo, ou a forma como participam na saída de bola e circulação concorrem naturalmente para uma avaliação completa do desempenho de um guardião. Mas essa avaliação mais global já a fazermos através do GoalPoint Rating e a esse propósito fica já o alerta que, daqui a uns dias, anunciaremos os três melhores guardiões da Liga, acompanhados dos três melhores jogadores em cada uma das restantes dez posições (confere neste link os melhores 33 da 1ª volta). Por agora voltamos o foco para o desafio de não só calcular e anunciar o ranking proposto, como salientar as peculiaridades que dele resultam. Aqui ficam os resultados, sem mais demoras. 

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Uma Odyssea surpreendente

A surpresa ao encontrarmos um guardião de um “grande” à cabeça deste ranking seria grande, caso não tivéssemos alertado, por diversas vezes ao longo da época, para o facto de Odysseas Vlachodimos ser o grande segredo (e quase único) que foi mantendo o Benfica como a equipa com a defesa menos batida, durante boa parte da Liga. Este ranking apenas oferece um novo e não menos impressionante ponto de vista sobre o papel que o grego desempenhou, na hora de adiar a dificilmente incontornável debacle defensiva “encarnada”, cujos sinais identificámos no devido tempo, apesar do cepticismo de tantos os que, na altura, nos leram.

🔗 O que é isso afinal dos Expected Goals (xG)? Clique aqui para saber ou relembrar

O guardião do Benfica encaixou menos 7,3 golos do que aqueles que, em condições normais, deveria ter sofrido, o que corresponde a 31,7% do total de tentos que permitiu na Liga. E se Odysseas ainda encontra em Mateus Pasinato (Moreirense) um rival no que toca ao saldo absoluto de golos evitados, já na referida percentagem não encontra rival, sendo o iraniano Amir (Marítimo) aquele que mais perto lhe chega: 4,3 tentos evitados, representando 19,4% do total de golos que sofreu (22). Convém ter ainda em conta que o guardião das “águias” integra o lote de três guarda-redes com mais minutos jogados neste ranking (2880, a par de Pasinato), sendo batido apenas pelo gilista Denis (2970).

[ Vlachodimos e Pasinato são os guardiões com maior número de golos previstos evitados na Liga ]

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Não deixa de ser curioso que os cinco guardiões que mais se destacam nesta análise, a par de Odysseas, são todos eles reconhecidos como figuras influentes nas campanhas das respectivas equipas, mesmo sem recurso a analytics. Nenhum deles chega, aliás, à ultima jornada a lutar pela permanência, sendo que, em alguns casos (sendo o mais evidente o de Koffi), é unanimemente reconhecido o papel crucial que tiveram na conquista da cobiçada tranquilidade

De referir ainda que, apesar de nesta análise entrarem apenas os guardiões mais utilizados por cada uma das 18 equipas, há um “goleiro” com registo bastante positivo, até perder a titularidade. Trata-se de Renan Ribeiro, que nas primeiras 11 jornadas tinha um saldo positivo de 3,4 golos evitados, e uma percentagem (30,9%) semelhante à do guardião grego do rival “encarnado”.

Uma cauda de ranking… sem Kepas

O ranking é, numa perspectiva global, bastante positivo para os guardiões da Liga NOS, com relevância para o facto de 12 dos 18 “keepers” em análise terem um saldo positivo ou, no pior dos casos, neutro (Denis, com uma diferença sem expressão). E mesmo os guarda-redes com saldo negativo apresentam registos bastante aceitáveis, sobretudo se tivermos em conta o caso que inspirou esta abordagem. Falamos de Kepa Arrizabalaga, o guardião espanhol que custou 80 milhões de euros ao Chelsea em 2018 e que é discutido em Inglaterra por chegar à última jornada com nada menos do que +10,6 golos sofridos (43) do que aqueles que seriam esperados (32,4). Uns melhores, outros piores, não temos nenhum guardião a aproximar-se sequer de um registo tão preocupante ou a atingir os 10% de percentagem de golos sofridos a mais do que o esperado.

No entanto, não podíamos terminar sem analisar o caso do “elefante azul-e-branco” na sala: Agustín Marchesin. O argentino é campeão nacional e foi, para muitos, em dadas alturas (ainda que mais a olho do que com dados à frente), o melhor guardião da Liga. O “dragão” acaba por personificar um caso diametralmente oposto ao de Odysseas, enfrentando menos remates enquadrados a cada 90 minutos que qualquer outro guardião da Liga (mérito do processo defensivo do FC Porto), mas foi registando, aqui e ali, falhas e golos consentidos para lá do expectável. O saldo negativo, ainda que curto (cerca de mais dois golos do que os que deveria ter sofrido), acaba por ter um peso suficientemente expresso (8%) sobre o total dos (também poucos) golos que sofreu. Mérito defensivo do campeão, ponto a melhorar para Agustín, quando terminar a merecida festa.

[ Os outros números de Marchesín, lado a lado com o “case study” Kepa ]

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