Os analytics de Porto e Juventus na Champions 🏆

-

( Artigo originalmente publicado  14 de Dezembro de 2020, após o fecho da fase de grupos)

O sorteio desta segunda-feira dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões não tinha muitas alternativas acessíveis para o FC Porto, a única equipa portuguesa participante na competição desta temporada e que passou com sucesso da fase de grupos. Em sorte calhou os italianos da Juventus, onde pontifica Cristiano Ronaldo. Para muitos saiu uma das “favas”, para outros o cenário poderia ter sido pior, uma vez que a “vecchia signora” ainda não apresentou desempenhos extraordinários esta época. Pelo menos “à vista desarmada”.

Ainda faltam dois meses para que as duas equipas se encontrem no jogo da primeira mão, que está agendado para 16 de Fevereiro uma terça-feira, no Estádio do Dragão. Muito irá mudar, certamente, nas duas equipas, a começar pelos momentos de forma, individuais e colectivos, já para não falar das possíveis idas dos dois emblemas ao mercado de transferências, em Janeiro. Mas não é por isso que não podemos olhar para o que as duas equipas fizeram até ao momento na prova, em termos estatísticos.

Ideias de jogo muito distintas

[ O desempenho estatístico de Porto e Juventus nas últimas cinco partidas da Champions 20/21 ]

GoalPoint-Preview-Jornada7-Porto-Juventus-Champions-League-202021-2-infog
Clique para ampliar

O Porto foi segundo no Grupo C, com 13 pontos, menos três que o Manchester City, com dez golos marcados e uma excelente solidez defensiva, que permitiu aos “dragões” sofrerem apenas três golos, e todos no mesmo jogo, logo na primeira jornada, em casa dos ingleses. Muita dessa consistência deu-se recuando linhas, pelo que os portistas terminaram esta fase de grupos com uma média de 40% de posse de bola. Mas foi eficaz e serviu os propósitos.

Nos cinco jogos subsequentes, os “azuis-e-brancos” não sofreram golos – como está patente no “preview” acima -, apesar de terem consentido 1,4 expected goals (xG), com 2,7 registados na última ronda, no nulo em casa com o City. Foi mesmo defensivamente que o Porto se destacou. Na frente foi a terceira equipa nesta fase de grupos que menos rematou (6,9 por jogo), a segunda que menos o fez de bola corrida (4,9), compensando esse facto sendo a equipa com melhor taxa de aproveitamento de remate em toda a competição (24%). E lá atrás a mesma ideia de eficácia e pragmatismo, tendo os comandados de Sérgio Conceição fixado a segunda média mais alta de alívios (25,8), atrás apenas dos 31,8 do Lokomotiv de Moscovo. E foram ainda a quarta formação com mais acções defensivas no terço mais recuado (50,7) e a terceira com menos destas acções no terço mais adiantado (3,2 por jogo).

A Juve, por seu turno, ganhou o Grupo G, à frente do Barcelona, com o feito a ser alcançado na derradeira jornada, com um triunfo categórico por 3-0 em Camp Nou e com Cristiano Ronaldo a bisar (de penálti) no seu regresso a uma casa onde foi muitas vezes feliz enquanto visitante.

Ao invés, e apesar de não figurar no top das melhores equipas neste capítulo, a Juve atingiu uma média de 13,5 remates por jogo (10,8 de bola corrida) na fase de grupos (14,2 nos tais cinco últimos jogos, como está na infografia… para não criar confusões), com uma boa conversão de 16% de remates em golo, com relevo defensivo para as 17,8 intercepções e os 18,2 desarmes (ambos terceiros valor mais altos), numa preocupação maior em reter a posse de bola após acção defensiva. As 6,7 acções defensivas no último terço, quinto mais alto, revelam um conjunto preocupado numa pressão mais alta e não tanto na expectativa, ao invés do que aconteceu com o “dragão”. Será que, daqui a dois meses, teremos duas equipas com as mesmas ideias desta primeira metade da época?

Os melhores ratings

Não, Cristiano Ronaldo não é o jogador da Juventus com melhor GoalPoint Rating acumulado na fase de grupos. O dono dessa “marca” é o espanhol Álvaro Morata, com um excelente 7.06. Parece que a “velha senhora” é o clube talhado para o ponta-de-lança, que não vingou particularmente em qualquer um dos grandes clubes onde jogou (Real Madrid, Chelsea e Atlético de Madrid), mas que na segunda passagem pela Juve parece querer repetir a competência da excelente primeira passagem. Foram seis tentos e uma assistência em seis jogos, sendo mesmo o melhor marcador da competição, graças à excelente competência no remate, com 60% de aproveitamento em golo e 100% de ocasiões flagrantes convertidas.

Do lado portista o destaque, como não poderia deixar de ser, recai em Sérgio Oliveira, o jogador com melhor desempenho na formação lusa e que renovou há dias pelos “dragões”. Em cinco jogos o médio fez três golos, ou seja, converteu metade dos seis disparos que fez no total, e quando se aproximou do último terço foi sempre um perigo, tendo acumulado 2,1 passes ofensivos valiosos (eficazes, a menos de 25 metros da baliza). Esteve um pouco por todo o lado e participou activamente em todos os momentos do futebol “azul-e-branco”.

Cristiano e… Otávio

Sim, tem razão. Tínhamos de falar de Cristiano Ronaldo. O português pode não estar a repetir as gloriosas épocas ao serviço do Real, mas continua a ser uma presença imponente no ataque transalpino. Em especial na área prossegue a sua transformação num dos mais letais jogadores pelo ar, tendo ganho todos os duelos aéreos ofensivos em que participou. Mal nas ocasiões flagrantes de que dispôs, pois só aproveitou 25%, mas continua a ser muito rematador, com 3,0 disparos por partida. Que Ronaldo veremos no Dragão?

Não sabemos, mas arriscamos adivinhar que, salvo algum imponderável, Otávio Monteiro seja um dos elementos fundamentais. A abordagem mais defensiva do Porto nesta competição acaba por esvaziar um pouco o futebol atacante do brasileiro, ainda assim fez um golo, de penálti, e registou uma média de 2,2 passes ofensivos valiosos por partida. As 3,1 faltas sofridas são uma das médias mais altas desta edição da Champions, e os 3,4 desarmes são, não só o valor mais alto entre jogadores do FC Porto, mas o mais elevado entre extremos.

GoalPoint
GoalPoint
O GoalPoint.pt é um site produzido pela GoalPoint Partners, uma start-up especializada em análise estatística de futebol, que oferece serviços dirigidos a profissionais, media, patrocinadores/anunciantes e adeptos.