O sonho de qualquer treinador

Marco Silva, tal como sucedeu com Leonardo Jardim, tem garantido um protagonismo secundário (foto: J. Trindade)
Marco Silva, tal como sucedeu com Leonardo Jardim, tem garantido um protagonismo secundário no universo “leonino” (foto: J. Trindade)

Desde que se iniciou a temporada temos assistido, com o crescimento exponencial de opinião televisiva e publicada, a um manancial de pontos de vista sobre os “três grandes”, principalmente quando não conseguem resultados satisfatórios.

No Benfica e no FC Porto os alvos dos opinion makers foram e têm sido Jorge Jesus e Julen Lopetegui.
Luís Filipe Vieira e Pinto da Costa têm passado entre os pingos da chuva. Basicamente, quando algo está mal na Luz e no Dragão ninguém fala dos pecados dos presidentes de Benfica e FC Porto.

Em Alvalade a história é bem diferente e Marco Silva tem sabido potenciar o efeito Bruno de Carvalho.

Está em sexto no campeonato, em perigo na Liga dos Campeões e ainda só venceu, em jogos da Liga, Penafiel, Arouca, Marítimo e Gil Vicente. Mas não tem recebido críticas, devido a uma série de razões; o plantel, que não terá tanta qualidade como o dos rivais, a ausência de um historial de sucesso que o assombre, o brilharete frente ao FC Porto da Taça de Portugal.

Mas a principal razão chama-se Bruno de Carvalho, o homem que faz os treinadores do Sporting brilharem intensamente. Jesualdo saiu quase em ombros e perante o lamento unânime da nação leonina, Leonardo Jardim soube manter as distâncias no discurso e aproveitou o mau ano do FC Porto para reforçar o seu estatuto e ganhar um contrato num campeonato superior.

Marco Silva, exemplar no uso dos instrumentos de comunicação e com uma liderança bem próxima dos jogadores, já percebeu que só tem a ganhar em demarcar-se do presidente enquanto vai estreitando a relação com os jogadores através da sua forte liderança, uma das suas virtudes.

Bruno de Carvalho chama a si todos os holofotes e, com isso, deixa um espaço muito reduzido à apreciação ao trabalho dos treinadores. No fundo, é um sonho de presidente.

O problema, para o Sporting, é que o estilo de Bruno de Carvalho só potencia a imagem dos treinadores. Até agora beneficiou muito pouco o clube pois a relação entre presidente e treinador deteriora-se rapidamente e assim torna-se complicado, para não dizer impossível, traçar uma estratégia de longo prazo com quem sabe da matéria – o treinador.

E, neste momento, pode dizer-se que Março chegou muito mais cedo para Marco Silva. Foi nesse mês que Jesualdo percebeu que estava de saída e que Jardim geriu o dia-a-dia cavando uma distância com Bruno de Carvalho que iria culminar no divórcio anunciado.

Marco Silva, pelo andar da carruagem e mais comunicado menos comunicado, também vai sair no final da época a menos que Bruno de Carvalho saiba associar aos seus predicados, entre os quais se pode sinalizar a boa escolha de treinadores, o envolvimento e aproveitamento dos mesmos.

E não será um peculiar contrato de quatro anos a adiar aquilo que agora parece uma inevitabilidade.