O trabalho “invisível” de Sérgio Oliveira 📊

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Uma das tónicas da conferência de imprensa de terça-feira da Selecção Nacional foi a evolução de Sérgio Oliveira como jogador e a preponderância que o médio portista ganhou no FC Porto, mais do que noutras épocas, facto que lhe permite ser uma das escolhas de Fernando Santos para os próximos compromissos de Portugal. Questionado pelos jornalistas, Sérgio teve uma intervenção muito interessante na auto-análise ao seu futebol.

“Vocês ligam muito aos números, não que eles não sejam importantes, mas eu talvez faça mais um trabalho invisível, de equipa, talvez não tão valorizado”, disse o jogador portista. Confessamos, ligamos muito aos números, mas não apenas aos golos e assistências. Valorizamos também os outros, os tais “invisíveis”, que para nós não são tanto assim. E olhando para as estatísticas de Sérgio Oliveira nesta e noutras épocas, notamos que a evolução do médio é clara, em diversos detalhes do jogo.

“Tento trabalhar a nível físico, o chegar à área contrária”

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Mais do que em qualquer outro momento de jogo, Sérgio Oliveira tem evoluído bastante no que contribui para os golos e, sobretudo, pela eficácia das suas acções, pelo aumento da qualidade destas, mais do que da quantidade. Frente ao Portimonense marcou mais um golo – e fez duas assistências -, facturando há quatro jogos consecutivos, todas as competições incluídas. Algo inédito para um médio do FC Porto neste século. Um golo que eleva os números ofensivos para patamares de grande eficácia.

  • Só em 2015/16, numa época em que Sérgio Oliveira fez apenas 628 minutos na Liga NOS, é que registou um número superior de remates (3,7) por 90 minutos do que os 2,9 actuais. O acumular de tempo de jogo poderá reduzir este valor, mas se mantiver a cadência, não nos espantaríamos se os actuais números se mantivessem ou mesmo aumentassem.
  • Neste momento, Sérgio Oliveira apresenta extraordinários 25% de conversão dos seus remates em golo, muito mais do que em qualquer época passada (em 2017/18 chegou aos 14%, o mais alto até ao início desta temporada).
  • Mais relevante ainda é a contribuição ofensiva de Sérgio Oliveira, isto é, o número de golos e assistências no total de tentos da equipa enquanto está em campo. Na época passada já havia chegado aos 30%, mas nesta está nos 50%. Ou seja, enquanto Sérgio está em campo, metade dos golos que o Porto marca tem a sua marca.

  • “Chegar à área contrária”. Este um dos aspectos que o jogador apontou como foco do seu trabalho diário com Sérgio Conceição. Os números anteriores já o fazem antever, mas há um outro que demonstra a veracidade das palavras de Sérgio. Esta época regista uma média de 2,1 acções na área contrária por 90 minutos. A diferença de 1,9 para as duas épocas anteriores não é significativa, mas se virmos que na primeira época de Sérgio Conceição como treinador, Oliveira chegou às 1,5 e nas duas anteriores não passou de 0,3 e 0,9, podemos depreender que há dedo do técnico nesta evolução.

  • No que toca aos passes para finalização, os 2,5 que apresenta estão em linha com os das épocas anteriores, mas nota-se uma maior quantidade de passes ofensivos valiosos (ou seja, passes eficazes realizados a menos de 25 metros da baliza contrária), que chegam aos 2,9, sendo que o máximo anterior era de 2,5 e o mínimo de 1,7.
  • De realçar também o aumento dos remates enquadrados na área, para 60% (nunca antes passara dos 50%), ou dos próprios disparos enquadrados em termos globais, que chegam aos 1,3 por 90 minutos, já para não falar no aumento das assistências (0,4), ou das ocasiões flagrantes criadas (0,7).

“O meu trabalho é mais invisível, para a equipa, e tento ser mais agressivo defensivamente”

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Este é um dos aspectos em que Sérgio Oliveira mudou nos últimos anos, o seu trabalho nos momentos defensivos. O trabalho “invisível” de que fala, mas que é mais visível do que se possa pensar. E estes são alguns dos números do médio na época em curso, estatísticas que, em conjunto com outras variáveis (e são muitas), ajudam a compreender a evolução do médio.

  • Com excepção para a época 2017/18, em que registou 7,4 tentativas de desarme por 90 minutos, a actual temporada tem sido a mais produtiva neste domínio até ao momento, com 6,8 destas acções, sendo que 3,2 ocorreram no meio-campo adversário, o valor mais alto de todas as épocas de Sérgio Oliveira no FC Porto.
  • Este último dado ajuda a compreender as 0,9 acções defensivas no último terço, valor só ultrapassado, em quatro centésimas, em 2018/19. O facto de esta época os números de acções defensivas no primeiro terço e no terço intermédio terem caído em relação às anteriores, faz antever que Sérgio tem agora como incumbência principal, em termos defensivos, as acções de pressão em terrenos mais adiantados.
  • Contudo, os dados de cobertura vertical de acções defensivas e de cobertura global dessas acções, que mostram um aumento considerável dos terrenos cobertos pelo médio, definem não tanto uma melhoria na eficácia das acções defensivas, mas uma tentativa clara do jogador de estar em todo o lado e contribuir mais para o tal trabalho de equipa de que fala. E essa evolução tem tido expressão maior no reinado de Sérgio Conceição como técnico.
  • O facto de a média global de desarmes, intercepções e até recuperações de posse se manter em nível passados e, em alguns casos, até ter diminuído, mostra-nos que Sérgio Oliveira terá ainda de melhorar a qualidade dessas acções (soma 2,5 dribles consentidos, o seu recorde negativo), mas não nos podemos esquecer que os números mostram uma maior entrega do jogador nas tarefas defensivas, em todo o terreno de jogo, com números aumentados de acções, o que ajuda a explicar estes valores teoricamente menos relevantes.

A época ainda vai no início e muito futebol (e dados a consolidar) ainda será jogado. Estes são indicadores iniciais, mas dá para tirar duas conclusões primordiais na época de Sérgio Oliveira: qualidade aumentada nos momentos ofensivos, realizados cada vez mais em zonas de decisão; entrega maior do jogador a tarefas defensivas, numa tentativa de se tornar numa espécie de “box-to-box”, que poderá trazer, a breve trecho, estatísticas defensivas de maior qualidade.

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