O suposto sub-rendimento de Cristiano Ronaldo ao serviço da selecção nacional é tema recorrente desde o longínquo Euro 2004, com raras excepções, alimentando muita discussão e análise. As épocas generosas que “CR7” foi realizando a nível de clubes, primeiro no Manchester United e depois ao serviço do Real Madrid, alimentaram a natural comparação e consequente desilusão. A diferença de qualidade dos colegas que o acompanham em cada contexto, a forma física (e por vezes psicológica), as lesões e até os treinadores, de tudo um pouco serviu para contextualizar o discutido “desaparecimento” de um crónico “melhor do mundo” ao serviço de Portugal, sobretudo nos grandes momentos (torneios).

Cristiano Ronaldo: Desempenho comparado Mundial 14 vs Qualif. Euro 2016
Clique para ampliar (infografia: GoalPoint)

Após marcar cinco golos em quatro encontros de qualificação para o Euro 2016, três deles frente à Arménia em partida fora (destino no qual Portugal nunca havia conquistado a vitória) relançam o tema na pespectiva oposta: estaremos a assistir finalmente ao aparecimento do verdadeiro Ronaldo de quinas ao peito? Os números parecem confirmá-lo.

Decidimos comparar o desempenho de Cristiano Ronaldo nestes quatro encontros de apuramento, por oposição aos três que disputou no Brasil (Mundial 2014) e as diferenças são notórias, para melhor: mais bola, mais passes para golo, maior eficácia de drible e remate e… uma taxa de concretização incomparável (ao qual chamamos, aqui no GoalPoint, aproveitamento).

Olhemos os números do desempenho de Ronaldo em ambos os cenários:

VARIÁVEL/COMPETIÇÃOMUNDIAL 2014QF. EURO 2016
Jogos34
Minutos270360
Remates p/ jogo7,35,0
% Eficácia de remate41%50%
Golos15
% Aproveitamento4,5%25%
Toques na bola p/ jogo5462
Dribles p/ jogo42
% Eficácia de drible33%75%
Duelos disputados1112
% Duelos ganhos53%50%
Passes p/ ocasião p/ jogo12,8
Assistências10

Dados: OPTA

 

O comparativo não deixa dúvidas: Ronaldo está mais eficaz mas também mais objectivo do que aquele que (não) apareceu no Brasil. Dribla menos (mas com mais eficácia) e tem mais bola (toque de bola), o que não deixa de ser curioso tendo em conta que uma das críticas que decorreram do Mundial 2014 era a excessiva procura de Ronaldo por parte da equipa. A procura intensificou-se, pelos vistos, mas Ronaldo parece estar a dar-lhe melhor destino, fazendo mais passes para ocasião (quase três por encontro) embora não registe ainda nenhuma assistência.

Um dos argumentos que pode (e bem) colocar em causa este comparativo é a diferença de dificuldade dos adversários e consequentes limitações ao estilo de jogo de Ronaldo. Sendo um argumento válido convém no entanto referir que “CR7” rematou mais nos três encontros do Mundial do que nestes quatro que já leva na qualificação para o Euro 2016 (22 remates contra 20), o que atenua essa ressalva. A grande diferença é que Ronaldo está a acertar mais com a baliza (50% de remates enquadrados contra 41% no Brasil) e está sobretudo muito mais mortífero: concretizou 25% do remates até agora realizados nesta campanha contra apenas 5% (um golo) no Mundial.

Resta saber se Cristiano terá condições para manter estes índices até ao Verão de 2016 mas por agora… habemus Ronaldo.