A análise aos melhores “onzes” das principais Ligas europeias chega ao fim com a Liga NOS e com o melhor elenco GoalPoint Ratings até à paragem da competição, entre os jogadores com mais de 1080 minutos de utilização. Já sem aquela que era a sua grande figura, o médio Bruno Fernandes, transferido em Janeiro para o Manchester United, são outros os protagonistas de um campeonato português que estava a viver uma verdadeira revolução no topo, com o Benfica a perder uma vantagem de sete pontos para chegar a esta fase um ponto atrás do FC Porto.

Os dois da frente são, sem surpresa, os grandes dominadores do “onze” da Liga NOS. Os “dragões” mandam em praticamente todo o sector defensivo desta equipa, com as “águias” a tomarem conta do meio-campo para a frente. Só há mais três emblemas representados, com um elemento cada, o Vitória de Setúbal, o Sporting de Braga e o Sporting CP. Vamos a isso?

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E o MVP até Março foi…

Pizzi (Benfica) 6.80 – Já não há Bruno Fernandes para monopolizar os melhores ratings da época, pelo que ficou via aberta para Pizzi chegar a Março na liderança. Segundo melhor marcador da Liga, com 14 golos (atrás dos 15 de Carlos Vinícius), o médio “encarnado” é o “rei” das assistências, com oito, muito por culpa dos 2,7 passes para finalização que realizou a cada 90 minutos, número apenas batido (e por larga margem) pelos 3,7 de Bruno Fernandes. Mas o brigantino não é só “entregas de bandeja”, pois registou até Março 2,7 remates por partida, 1,3 enquadrados, para além de 3,6 tentativas de drible, com 48% de eficácia. Uma pedra verdadeiramente fundamental na formação benfiquista.

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Os restantes “titulares”

Giorgi Makaridze (Vitória FC) 6.10 – A “normalidade” diz-nos que os guarda-redes dos grandes raramente ocupam o lugar de destaque nos “onzes”, e tal volta a acontecer desta feita, apesar de Odysseas Vlachodimos, do Benfica (5.94, o mesmo rating de Marco Pereira, do Santa Clara) ter andado perto. Mas o dono da baliza é mesmo Makaridze. O georgiano tem estado numa forma extraordinária, tendo mesmo surgido notícia do interesse de Benfica e Sporting no seu concurso. Segundo guardião com mais defesas por 90 minutos (3,3), é também o segundo em percentagem de remates enquadrados defendidos (76%), mas lidera nas paradas a disparos na sua grande área (72%), mostrando extraordinários reflexos e posicionamento. E defendeu duas das três grandes penalidades que enfrentou.

Jesús Corona (Porto) 6.21 – A extremo, a defesa-lateral, seja onde for. O mexicano é um dos mais consistentes jogadores da Liga, parecendo que não sabe jogar mal. Na paragem da prova era o segundo jogador em número total de assistências (7), contando com dois golos no seu pecúlio. Com 1,9 passes para finalização a cada 90 minutos, é vê-lo subir pelo corredor direito dos “dragões” sempre com grande perigo, registando importantes 3,9 cruzamentos de bola corrida e com uma extraordinária eficácia de 31%, um dos valores mais altos entre aqueles que mais centros realizam. Na retaguarda apresenta 1,4 desarmes, 1,7 intercepções e 5,2 recuperações de posse, mas é no drible que se destaca, sendo o sétimo jogador em tentativas (4,9), máximo entre laterais, com 2,4 eficazes, equivalentes a 48%.

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Chancel Mbemba (Porto) 6.01 – A lesão de Pepe parecia trazer problemas para o Porto, mas Mbemba soube aproveitar como poucos a oportunidade, ao ponto de integrar este “onze”. O congolês chegou ao Dragão com fama de não ser muito eficaz nos duelos aéreos defensivos, mas a verdade é que nesta altura regista 72% desses lances ganhos, sétimo registo mais alto entre centrais. Os 1,8 desarmes são um número muito interessante para um central, sendo que Chancel mostra grande competência no passe, com 87% de eficácia global, 93% nas entregas no seu meio-campo.

Iván Marcano (Porto) 6.11 – E o seu parceiro no eixo defensivo é o colega de equipa no Porto. Marcano regressou aos “dragões” esta épocas para manter as qualidade que mostrou na primeira passagem, a começar por uma das características que o notabilizou nessa fase, a qualidade nos duelos aéreos defensivos (71% ganhos esta temporada). Mas em 2019/20 tem mostrado um aperfeiçoamento nos momentos ofensivos, registando já cinco golos marcados só na Liga (todos de cabeça), tantos quanto na sua melhor época de dragão ao peito, em 2017/18. É mesmo o terceiro central com mais duelos aéreos ofensivos disputados (1,9, 58% ganhos). O espanhol é o central mais rematador do campeonato luso, com 1,2 disparos a cada 90 minutos.

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Nuno Sequeira (Sp. Braga) 6.30 – Os “três grandes” têm laterais-esquerdos de qualidade comprovada, mas é homólogo do Sporting de Braga que ocupa o lugar neste “onze”. Sequeira é mesmo o defesa com melhor rating, fruto de um conjunto de estatísticas muito interessantes. Com três assistências em seu nome, o bracarense soma 2,7 passes para finalização por 90 minutos, número mais elevado entre laterais e terceiro no cômputo geral de jogadores com mais de 1080 minutos disputados. É também o segundo da posição com mais ocasiões flagrantes criadas por partida (0,4) e aquele que mais cruzamentos realiza (5,3), com assinalável eficácia de 24%. Na retaguarda é o quarto lateral com mais desarmes (2,6), com apreciáveis 6,5 recuperações de posse (terceiro da posição).

Adel Taarabt (Benfica) 6.32 – “É um homem novo e quer recuperar o tempo perdido”, disse o seleccionador de Marrocos, o bósnio Vahid Halilhodzic. Essa transformação de Taarabt, que começou na época passada, nota-se nos seus números actuais. Numa posição mais recuada do que lhe era conhecido, a médio-centro, Adel regista o máximo de recuperações de posse da Liga, nada menos que 8,2, sendo 5,6 realizadas no seu meio-campo. Por outro lado, apresenta uma interessante média de 2,3 desarmes por 90 minutos. Ofensivamente os seus números são mais modestos, muito por culpa da sua missão, não chegando a um remate e a um passe para finalização por encontro, pelo que soma apenas um golo e uma assistência. Mas no drible é o melhor médio nas tentativas (3,5) e nos eficazes (2,4), representando 69% de acerto.

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Otávio Monteiro (Porto) 6.49 – Nem sempre o mais valorizado dos jogadores do Porto, o brasileiro é, contudo, uma das principais fontes de criatividade do líder do campeonato, ao mesmo tempo que não descura as tarefas defensivas. Otávio regista apenas um golo, mas leva já cinco assistências, consequência de 1,9 passes para finalização. Com óptimas 3,9 tentativas de drible, o ala completa 66% desses lances, contribuindo na retaguarda com extraordinários 3,4 desarmes por 90 minutos, quarto valor mais elevado entre todos os jogadores em análise, e é o que apresenta uma maior média de bloqueios de passe (2,0). É mesmo o jogador em toda a Europa com a mais alta média de acções defensivas dentro do último terço. Extremamente fiável.

Luciano Vietto (Sporting) 6.46 – O único “leão” presente nesta equipa, ele que foi chamado a herdar a responsabilidade da “crónica” figura da Liga. O argentino regista quatro golos e outras tantas assistências em 20 encontros pela formação leonina – 1463 minutos -, e é o terceiro jogador mais rematador da competição, com 3,6 disparos por 90 minutos. Vietto é também o terceiro jogador com mais passes de ruptura (0,4), mostrando depois qualidade no drible, com 3,5 tentativas, 2,2 das quais com sucesso (61%). Contribui ainda com 6,0 recuperações de posse e 2,1 desarmes. Sem dúvida uma das melhores apostas de mercado de um “leão” a necessitar de repetir este acerto.

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Rafa Silva (Benfica) 6.49 – Os dois últimos jogadores deste “onze” são do Benfica. A indefinição quanto ao segundo avançado da equipa de Bruno Lage tem sido muita, o que tem levado o treinador a apostar em Rafa Silva para a posição. Ainda que algo longe dos desempenhos de outras épocas – esteve alguns meses lesionado -, o extremo “encarnado” não deixa de ter números muito positivos. O internacional luso soma cinco golos na Liga (dois deles frente ao Sporting, em Alvalade) e três assistências, e uma média de 2,0 remates por 90 minutos. No drible é o quarto jogador com mais tentativas (5,9), embora não passe dos 2,8 eficazes, correspondendo a 48%. Desengane-se quem pensa que Rafa não defense, pois regista 2,2 desarmes por 90 minutos, um dos valores mais elevados entre jogadores de ataque.

Carlos Vinícius (Benfica) 6.62 – Por fim, o ponta-de-lança. A época até começou com outros nomes em melhor forma e com o benfiquista lesionado e a demorar a entrar na equipa. Mas quando começou a jogar regularmente, nunca mais perdeu a titularidade, como golos e mais golos, pelo que é, neste momento, o melhor marcador da Liga, com 15 tentos – correspondente a cerca de 1,0 golo por 90 minutos. Vinícius apresenta uma média de 3,3 remates, com uma impressionante taxa de conversão de 32%, a melhor entre avançados, com 55% de ocasiões flagrantes concretizadas. O jogador de 25 anos soma também quatro assistências, fruto de 1,3 passes para finalização e o terceiro número médio de ocasiões flagrantes criadas (0,5). Um perigo à solta.

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Parabéns aos eleitos!

Nota metodológica: O “onze” foi elaborado de acordo com o GoalPoint Rating médio dos jogadores que cumpriram mais de 1080 minutos na Liga NOS 2019/20.

🔸 O XI da Premier League
🔸
O XI da Ligue 1
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O XI da Bundesliga
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O XI da Serie A
🔸 O XI da La Liga

Artigo originalmente publicado a 03.Março.2020