Odysseas Vlachodimos: afinal fez ou não um “grande jogo”?

-

Jorge Jesus abriu o tema no pós-jogo e voltou a insistir, no lançamento do duelo com o Gil Vicente. Na opinião do treinador, o guardião do Benfica fez um bom jogo mas não um grande jogo, na recepção ao PSV Eindhoven. Darão os analytics razão ao mister ou nem por isso? E será essa a principal questão? Vamos por partes, após recuperar a última declaração do treinador sobre o tema.

“O Odysseas fez um bom jogo, como fez a equipa toda do Benfica, e ele faz parte da equipa defensivamente e fez um bom jogo. Volto a dizer que não fez um grande jogo”

Os números de Odysseas Vlachodimos seleccionados pelo nosso algoritmo são o ponto de partida para uma análise mais detalhada, rumo à resposta. Eis o resumo do desempenho do guardião, na noite de quarta-feira:

Clica para ampliar

Odysseas travou o perigo… relativo

Nas métricas GoalPoint Odysseas fez um bom jogo. O guardião foi obrigado a cinco defesas, mas apenas duas a remates já dentro da sua área. O disparo mais perigoso que enfrentou foi assinado por Van Ginkel, solicitado por Gotze: tinha 28% de probabilidade de terminar em golo. Os restantes remates que enfrentou, mesmo os que o obrigaram a intervenções vistosas, não chegaram nem perto destes números e, a título de exemplo, Gakpo acumulou 20% de probabilidade de marcar um único golo, no total dos quatro tiros que somou, sendo que um “furou” de facto as probabilidades, resultando no único golo visitante.

[ O peso dos Expected Goals dos remates do PSV na Luz, baixo na sua maioria, com apenas dois feitos já dentro da área “encarnada” ]

Clica para ampliar

Os holandeses assustaram com as suas aproximações, por passe ou condução, mas a verdade é que não criaram muito perigo através do remate (0,61 xG, já após revisão do jogo) ou pelo menos acima do que se espera evitável por um guardião do nível de Odysseas, excepção feita ao lance de Van Ginkel.

Grego esteve bem num capítulo que ninguém destacou

Curiosamente um dos aspectos mais positivos do jogo de Odysseas não foi reactivo mas sim proactivo: o passe. Num jogo em que o Benfica viveu bastantes dificuldades, sobretudo na segunda-parte, em controlar e construir, Vlachodimos destacou-se pelo número de passes aproximativos que completou (6), igualando os máximos da partida estabelecidos por Lucas Veríssimo e André Ramalho. O dono da baliza “encarnada” foi aliás o segundo jogador com mais passes super aproximativos (2), atrás apenas do central visitante Boscagli. Ainda no mesmo plano, o “redes” completou três lançamentos longos, contra zero do seu homólogo, Drommel.

Clica para ampliar

Jesus tem razão mas… o que ganha com isso?

Pesados os detalhes mais relevantes da prestação do grego conclui-se que Jorge Jesus tem razão: Odysseas fez um bom jogo mas não fez um grande jogo.
Mas será que fazer dessa “picuinhice” um ponto de discussão, ainda para mais reincidente, traz algum benefício, ao Benfica, ao jogador ou treinador? Aí temos mais dúvidas mas esse tema já escapa ao domínio dos analytics e enquadra-se melhor nos da psicologia, liderança e de algo que supostamente a experiência nos vai mostrando ao longo da vida: nem sempre insistirmos em demonstrar a nossa razão nos ajuda grande coisa.

Pedro Ferreira
Pedro Ferreirahttps://goalpoint.pt
Co-fundador da GoalPoint Partners, em 2014. Desempenhou entre 2011 e 2013 os cargos de Secretário-Geral da SAD do Sporting Clube de Portugal, Director da Equipa B e da Academia Sporting.