Yacine Brahimi tem sido, desde que chegou ao FC Porto em 2014/15, o principal desequilibrador da equipa, independentemente do treinador à frente dos destinos do “dragão”. O argelino mistura velocidade, controlo de bola, técnica, golos, assistências e, acima de tudo, uma capacidade para o drible equiparado apenas aos melhores entre os melhores nas principais Ligas europeias.

Na temporada transacta, por exemplo, foi de longe o jogador com mais dribles eficazes por 90 minutos em Portugal (ver link), o segundo com mais tentativas de drible de entre todos os principais campeonatos do continente europeu, apenas superado por Neymar, e o quarto com mais dribles eficazes, atrás do já referido brasileiro, Eden Hazard e Lionel Messi. Os números de Brahimi nesta galeria de notáveis sustentaram a ideia de que o extremo foi, de facto, um dos jogadores fundamentais na conquista do título por parte dos “azuis-e-brancos”.

Porém, esta época, e decorridas sete jornadas, e numa altura em que se fala insistentemente do facto de se encontrar no último ano de contracto com os”dragões”, o argelino está longe da exuberância passada, em especial neste movimento em que tem sido praticamente imparável na Liga NOS. Certamente que estes dois factos – a questão contratual e de desempenho – não estarão relacionados, mas importa olhar para o que o extremo (não) tem feito em campo.

GoalPoint-Yacine_Brahimi_2017_vs_Yacine_Brahimi_2017-infog
Clique para ampliar

Num comparativo entre os dois “Brahimis” torna-se claro que o de 2018/19 regista um rendimento bem abaixo do que nos habituou em 2017/18 e até do que fez em 2016/17, apesar de ter assumido a titularidade no “dragão” de Nuno Espírito Santo já com a época bem avançada.

A questão do drible é a que mais salta à vista. Esta época, o portista tenta o gesto cerca de metade das vezes que o fazia na temporada transacta, a cada 90 minutos, sendo que também a eficácia cai abruptamente, de 64% para 35% – este cenário explica por que motivo Brahimi sofre cerca de metade das faltas que em 2017/18, dando a ideia de que simplesmente retrai-se perante a possibilidade de tentar a sua sorte nestes lances. Falta de confiança?

Brahimi-Sub-Rendimento-Porto-201819-infog
Clique para ampliar

O “problema” acentua-se no último terço do terreno, onde Brahimi desequilibrava mais do que ninguém no nosso campeonato. Se em 2017/18 o argelino tentou, em média, 4,9 dribles por 90 minutos nesta zona mais avançada, sendo 3,1 eficazes (64%), agora não passa das 1,6 tentativas, sendo que teve sucesso em apenas 0,3 (20%). Uma diferença muito grande que não se explica apenas por uma pequena variação estatística. Brahimi está, neste arranque de época, diferente neste momento do jogo – não descartando o facto de as equipas perceberem, cada vez mais, a melhor forma de travar o extremo.

Em termos de remate e eficácia dos disparos, Brahimi mantém os números e até os melhora ligeiramente, embora a diferença seja muito pequena para tirarmos ainda conclusões, com tanta época por se jogar. Nota-se sim, pela queda nos passes para finalização e acções com bola (67,2 para 51,8 por 90 minutos), que o argelino estará a tentar recuperar uma eventual confiança perdida através da procura de golos, integrando-se em zonas adiantadas para alvejar a baliza, em vez de o fazer em progressão, quer pelo drible, quer através de combinações colectivas – até o número de passes caiu de 41,4 para 34,8 a cada 90 minutos.

Fica a pergunta: onde anda a “serpente” portista que foi verdadeiramente decisiva na conquista do título da Liga NOS 2017/18? Sendo que o treinador, Sérgio Conceição, é o mesmo e as ideias da equipa não mudaram relativamente à época passada, certamente veremos o Brahimi “do costume” mais cedo ou mais tarde. Nessa altura estaremos cá para olhar a evolução do jogador nesta e noutras variáveis.