ASelecção volta a jogar, frente à Hungria e Suécia (25 e 28 de Março, 19h45) e, como é hábito sempre que Fernando Santos escolhe os seus convocados, damos a conhecer os melhores portugueses da Liga NOS 16/17, de acordo com o GoalPoint Ratings, desta feita cobrindo os dados acumulados até à 25ª jornada da prova, quando restam apenas nove rondas para disputar.

Confira quem eram os melhores “lusos” da Liga NOS 16/17 à 10ª jornada (link)

Sem mais demoras, damos a conhecer o melhor “onze” português, para depois não só fundamentar a sua presença como também referir os jogadores que compõem um verdadeiro “banco de luxo” e que por pouco não garantiram um lugar no elenco. Ei-los:

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Cláudio Ramos (Tondela) 5.80 – Ainda não falhou um jogo do Tondela e não é por culpa dele que o emblema luta para fugir ao risco de despromoção. Ramos soma 79 defesas, mais 10 que o segundo guarda-redes com mais trabalho na Liga, Cássio (Rio Ave). Em jeito de comparação, os guarda-redes dos grandes fizeram entre 40 e 48 defesas até agora. O guardião do Tondela travou 64% dos remates enquadrados que enfrentou (Rui Patrício, por exemplo, fica-se pelos 63%).

Nélson Semedo (Benfica) 6.08 – A época do lateral do Benfica não surpreende. Após a prolongada indisponibilidade que travou a sua afirmação em 15/16, Semedo voltou em força e já se fala da sua (quase certa) saída no final da temporada. Semedo já é a “águia” com mais assistências na Liga (6), à frente de Pizzi e Salvio (5), apresentando uma eficácia de drible que arruma alguns especialistas mais adiantados, 49%.

Frederico Venâncio (V. Setúbal) 5.72 – O central sadino, há muito apontado por nós como um nome a ter em conta, leva três golos marcados, e nem o auto-golo recentemente marcado lhe retira o mérito ou lhe baixa o rendimento estatístico. Aos golos soma uma assistência e 14 remates em 1.629 minutos jogados. Na hora de defender, soma 29 desarmes e 37 intercepções, e aproxima-se da centena na hora de contabilizar alívios defensivos (99) e recuperações de posse (95). Adivinha-se o salto, mais cedo ou mais tarde.

Rúben Semedo (Sporting) 5.83 – As lesões e a boa resposta de Paulo Oliveira quando chamado a cobrir a sua ausência podem dificultar a vida de Rúben Semedo, mas a verdade é que o jovem central leonino foi figura habitual no “onze” de Jorge Jesus durante boa parte da época, e com bom rendimento, ainda que irregular. Ganhou 104 duelos, 49 deles aéreos, e somou 49 passes interceptados. É ainda o central leonino com melhor eficácia de passe (90%), para eventual surpresa de alguns. Mas nem tudo são “rosas”: Semedo já soma duas expulsões na Liga.

Rafa Soares (Rio Ave) 5.94 – Não há muito mais que possamos acrescentar, na hora de falar de Rafa Soares, ao que temos referido fruto das suas presenças recorrentes nos nossos “onzes”, sem parecermos seus “primos”. O lateral cedido pelo Porto é o vilacondense com mais prémios MVP da sua equipa (5), leva três golos e outras tantas assistências e até no top de marcadores de golos de livre se intromete. Mas Rafa não pensa só em atacar, somando já 97 recuperações de posse.

Danilo Pereira (Porto) 6.41 – O “bicho”. O Porto agora está bem e recomenda-se, mas alturas houve esta época em que alguém carregou vários pianos de cauda às costas quando mais ninguém estabilizava nos “azuis-e-brancos”. Esse alguém foi quase sempre Danilo, o homem dos números gordos: 203 recuperações, 168 duelos ganhos (72 pelo ar) e 58 intercepções. Tudo isto com uma eficácia de passe de 87%. E depois… ainda tem fôlego para acumular três golos (mais do que Herrera, André André, Óliver…) e uma assistência.

Pizzi (Benfica) 6.82 – Aos rumores de cansaço, Pizzi responde com jogos em que ultrapassa a centena de interacções com bola. Pizzi é assim, uma formiga para todo o serviço que, à imagem de Danilo, ainda que noutras funções, enche o campo: 69 passes para ocasião de remate (nº1 da Liga), cinco assistências e nove golos, vencendo 112 duelos individuais e acumulando 159 recuperações de posse. Uma curiosidade: o transmontano já tocou a bola 2.413 vezes na Liga. Leva lá a bola para casa, Pizzi…

Adrien Silva (Sporting) 6.23 – Adrien já soma a segunda ausência prolongada da época por lesão, e, embora as coisas vão correndo bem aos “leões” neste seu segundo percalço, os “verde-e-brancos” conhecem bem o impacto que a ausência do capitão pode ter no seu jogo. O médio é outro caso de utilidade polivalente: soma três golos e duas assistências, mas também é fundamental na hora de defender, com 109 recuperações de posse, 37 intercepções e 51 desarmes, mantendo uma eficácia de passe de 84% (semelhante a Pizzi). E consegue manter este nível mesmo debatendo-se com lesões sérias durante a temporada.

Wilson Eduardo (Sp. Braga) 6.41 – Já não joga (por lesão) desde 22 de Janeiro mas continua a liderar a tabela de assistências na Liga, com oito “ofertas”, o que diz bem da época que Wilson vinha fazendo. Aos passes para golo certo, oriundos das 34 ocasiões de remate que entregou, acrescentou golos, seis ao todo. Talvez ainda regresse a tempo de fechar com “chave de ouro” aquela que está a ser, sem qualquer dúvida, a sua época mais influente de sempre.

André Silva (Porto) 6.00 – O jovem avançado não tem deixado por mãos alheias a promessa de afirmação que já havia lançado no final da época passada, mesmo tendo em conta a “sombra” que a chegada de Soares lhe fez e os evidentes pontos de melhoria do brasileiro, sobretudo no aproveitamento de ocasiões flagrantes de golo (André Silva já falhou 10, apresentando um aproveitamento de apenas 57% das ocasiões de que dispôs). Seja como for, os 15 golos e quatro assistências que contabiliza são “obra”, tendo em conta os 21 anos que tem e a idade que muitos outros grandes avançados apresentaram quando começaram a oferecer números destes.

Diogo Jota (Porto) 6.58 – A chegada de Soares também complicou a vida a Jota, mas o “efeito J” não se desvanece. Apesar da sua presença apenas como emprestado, os “dragões” devem estar tudo menos arrependidos de terem trazido o avançado “atleti” em alternativa a Rafa, que assinou pelo Benfica. Jota soma sete golos e cinco assistências em apenas… 1166 minutos jogados, quase metade dos que já foram disputados na Liga. A sua aceleração e drible desconcertantes (42% de eficácia) são receita complicada para os adversários, sendo que, tal como André Silva, Diogo pode melhorar no cara-a-cara com o golo, visto ter apenas 38% de ocasiões flagrantes concretizadas. Contas feitas… tomara muitos.

De fora ficam nomes como o guardião Ricardo (Chaves) 5.76, o central Roderick (Rio Ave) 5.68, o lateral Nuno Pinto (V. Setúbal) 5.79, e o quarteto leonino William Carvalho 5.97, Francisco Geraldes 5.92, Gelson Martins 6.19 e Daniel Podence 6.10, todos eles a décimas (ou menos) de merecer igual destaque, fruto da época positiva (nalguns casos excelente) que vêm protagonizando.

Banner_UNICEF_GOAL_3Nota metodológica: “Onze” elaborado tendo em conta o GoalPoint Rating médio de todos os jogadores portugueses que cumpriram um mínimo de 1.125 minutos jogados na Liga NOS.