Com aproximadamente metade da pré-temporada de Benfica, Porto e Sporting realizada ainda são muitas as incógnitas sobre que “grandes” teremos na época 2016/17. Já todos venceram, já todos perderam, quase todos empataram e, ainda que em diferentes graus de “alarme”, todos apresentam sinais de que ainda há muito trabalho pela frente.

1. Benfica: é duro substituir Renato Sanches

foto: J. Trindade

Apresentado por alguma imprensa como o emblema que vinha protagonizando a melhor pré-temporada dos três “grandes” (logo após a Algarve Cup), os “encarnados” têm ainda muita coisa por resolver. As “águias” têm a obrigação de mostrar algo mais: não só são campeões nacionais, como beneficiam da vantagem (partilhada com o Sporting) de manter a mesma equipa técnica.

No entanto, e como se previa, a tarefa de substituir Renato Sanches vai ser difícil (muito mais do que Nico Gaitán aparentemente), e isso nota-se em campo. Ao contrário do que sucedia o ano passado, o Benfica desta pré-temporada vai fazendo lembrar a selecção no arranque do EURO 2016: muito jogo pelas alas, recurso insistente ao cruzamento mas pouca objectividade e jogo interior. As (até agora) ausências de Jonas, Mitroglou e Jiménez agravam a (in)eficácia dessas opções pelo que manda a cautela esperar para ver.

Uma coisa é certa: apesar dos sinais positivos dados pelo irreverente André Horta será difícil replicar no imediato o impacto que Renato Sanches teve na forma de jogar do Benfica, na época 15/16, embora muito possa ainda acontecer até ao fecho do mercado, tanto no que toca a entradas como também a saídas (estas podem também perturbar a relativa solidez defensiva).

2. Sporting: dúvidas e um calendário “puxado”

(foto: J. Trindade)

Propositadamente ou não o Sporting optou por uma pré-temporada não só mais intensa como preenchida com adversários que, fruto dos seus calendários específicos, apareceram ao caminho dos “leões” com outro andamento. Resultado? Derrotas pesadas que, valendo pouco nesta fase, podem contribuir para um imprevisto clima de falta de confiança que apenas os próximos jogos e um arranque positivo das competições oficiais podem desfazer.

A dialéctica leonina justifica o facto com a ausência dos campeões europeus, mas essa razão pode explicar tudo. Convém ter em conta que Rui Patrício, William, João Mário e Adrien terão de realizar ainda a sua pré-temporada quando chegarem, sendo absolutamente normal que um ou outro nem regresse, fruto da procura que o seu novo estatuto trouxe.

Com excepção de Alan Ruiz, e mesmo esse ainda longe dos sinais que motivaram a sua aquisição, ainda não chegou a Alvalade nenhum jogador que apresente “passaporte” de entrada no “onze” leonino, tornando-se especialmente surpreendente que o Sporting não tenha, por esta altura, um guardião com uma qualidade sequer próxima da que Rui Patrício oferece.

Um Sporting em pré-temporada sem William, Adrien e João Mário, é um “leão” amputado do seu fio de jogo, pelo que apenas o regresso destes jogadores (física e emocionalmente) e/ou a eficaz substituição de um ou vários deles permitirá perceber que Sporting teremos em 16/17. Mas faltam três semanas.

3. Porto: os problemas de sempre

André Silva, FC Porto

O treinador mudou mas a sensação de que o FC Porto 16/17 vai deixando é a mesma: indefinição quanto ao modelo de jogo/”onze” e fragilidade defensiva, esta última mesmo após a chegada de Telles e Felipe, claros reforços em circunstâncias normais.

Plantel parece haver, como parecia também no arranque das últimas duas épocas, mas continua a faltar (nesta fase uma “falta” compreensível) o vislumbre do “jogo do Porto”.

O sinal positivo vai sendo emitido pelo mesmo “miúdo” que havia terminado em alta a época anterior, André Silva, o mesmo que provavelmente pagará a factura da chegada de um nome mais conceituado à frente de ataque portista nas próximas semanas, conforme vem sendo prometido.

Nuno trabalha contra o relógio, sabendo que não só tem de aprontar a sua “solução” mais cedo (há pré-eliminatória da Champions a ultrapassar), como também tem de corresponder perante adeptos que foram habituados a vitórias e estão, portanto, cansados dos acontecimentos das últimas épocas.

Para lá de todas estas dúvidas existe o mercado. E convém recordar que, fruto do sorteio da Liga NOS, Porto e Sporting podem muito bem disputar o “clássico” da terceira jornada recorrendo a “onzes” condenados à “amputação” poucos dias depois. É caso para suspeitar que, cada vez mais, os treinadores dos “grandes” preparam dois cenários: o que terão de trabalhar até final de Agosto e aquele que terão em mãos após saberem com que jogadores realmente contam a partir de Setembro.