Opinião | Braçadeira (mais que) justa para Pepe

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O jornal Record avançou na edição da passada segunda-feira que Pepe vai herdar a braçadeira de capitão do FC Porto, na sequência da saída de Danilo Pereira para o Paris Saint-Germain. Ainda que não seja o jogador há mais anos consecutivos de dragão ao peito, parece-me da mais elementar justiça que o internacional português assuma esse papel nos campeões nacionais, não só pela veterania, ou pela inegável capacidade de liderança, mas por tudo o que representa em campo, pela mentalidade e qualidade do futebol que continua a apresentar, mesmo aos 37 anos. Essa qualidade é transportada de forma irrepreensível para a Selecção Nacional, sendo ainda um indiscutível. E isso mesmo voltou a mostrar no empate sem golos de Portugal frente à França, este domingo.

O regresso de Pepe aos “azuis-e-brancos”, a meio de 2018/19, teve o condão de animar os adeptos portistas e, posteriormente, originar vaticínios de que teria sido a sua chegada em Janeiro, e consequente passagem de Éder Militão para o lado direito da defesa, um dos factores para a quebra da equipa de Sérgio Conceição e perda do título para o Benfica de Bruno Lage. Uma ideia que nunca partilhei e, olhando para as duas últimas temporadas do jogador, cada vez mais acredito que este regresso “a casa” foi uma feliz decisão para jogador e clube.

[ Os desempenhos acumulados de Pepe na Liga NOS 2018/19 e 2019/20 ]

Pepe tornou-se, desde logo, numa peça importante no “dragão”, apesar do desaire final no encerramento dessa época de regresso, e as estatísticas – e respectivo GoalPoint Rating acumulado de 6.58 em 13 jogos – mostram-no. Aliás, os números tiveram uma quebra na temporada finda, algo natural por ter disputado o dobro dos minutos de jogo, mas tal acaba por ilibar Pepe de “culpas”. Mas essa é outra discussão.

A verdade é que Pepe continua em grande e, em 2020/21, é um dos jogadores em melhor forma e mais fiáveis do plantel “azul-e-branco”. Liderança, voz de comando, uma atitude e empenho que agradará ao mais exigente dos adeptos e um profissionalismo e entrega ao jogo que se vê em poucos.

O mesmo aplica-se à sua carreira na Selecção Nacional. Pepe estreou-se a 21 de Novembro de 2007 pela equipa das “quinas”, pela mão de Scolari, num jogo de apuramento para o Euro 2008, que terminou empatado 0-0, no Estádio do Dragão, ante a Finlândia. Frente a França somou o 112 encontro por Portugal, sendo já o defesa mais internacional de sempre pelo nosso país. O percurso é quase imaculado.

[ Desempenhos acumulados de Pepe na Liga das Nações 2018/19 e na Qualificação para o Euro 2020 ]

Não deixa ninguém indiferente a entrega e luta que Pepe emprega em cada minuto de cada jogo, não nos esquecendo que Portugal não é o seu país de nascimento. Mas de adopção e coração. E o central faz questão de o demonstrar em cada duelo, em cada sprint louco para desfeitear os defesas, como se viu com craques como Mbappé no Stade de France. Ou no mesmo palco, em 2016, quando contribuiu para o título europeu com uma prestação de sacrifício.

Pepe não tem o perfil mundial de um Cristiano Ronaldo, não apela aos holofotes da fama por ser a primeira, segunda ou terceira figura da Selecção. Mas tal como no FC Porto, é um “rochedo”, daqueles que seguram uma equipa inteira, pela atitude, qualidade, mentalidade ganhadora. Uma formação vencedora, de alta competição, que faz dessa mentalidade competitiva um dos pilares, não é possível construir sem jogadores como Pepe, não chega apenas ter os “artistas” e os detentores do melhor talento técnico. Aos 37 anos, continua imprescindível.

Pedro Tudela
Pedro Tudela
Profissional freelancer com 19 anos de carreira no jornalismo desportivo, colaborou, entre outros media nacionais, com A Bola e o UEFA.com.
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