O seleccionador Rui Jorge anunciou hoje a convocatória da Selecção de Portugal de futebol para os Jogos Olímpicos. Uma escolha “surreal” nas palavras do próprio. A lista de convocados apenas surpreende os mais desatentos, tendo em conta as noticiadas recusas dos principais clubes em libertar os seus atletas para uma prova que, noutros países, é encarada (e planeada) com a devida importância.

Muito se fala de formação em Portugal. Uns há mais tempo, outros mais recentemente, quase todos dizem actualmente nela apostar e até disputam a liderança nessa “aposta”. No entanto, chegados ao momento da verdade, torna-se notória uma maleita que já era visível noutros domínios do futebol português: os dirigentes de clube estão, modo geral, mais preocupados com os resultados de curto prazo do que com o futuro.

E nem falo do futuro do futebol português como um todo, preocupação que apenas em cenários de “ficção científica” pode ser atribuída ao universo actual do dirigismo mas sim do futuro dos clubes que dirigem, para lá dos seus ciclos. Uma conquista olímpica traria experiência, evolução e valorização para os jovens jogadores participantes. E esse conjunto de oportunidades poderia representar proveitos futuros, financeiros e/ou desportivos para os clubes embora, lá está, não no curto prazo.

Passados poucos dias de chamarem a si boa parte da responsabilidade pelo sucesso da Selecção no Euro 2016 os clubes demonstram assim que qualquer vislumbre de pensamento estratégico a médio e longo prazo que beneficie o futebol português (e os próprios emblemas) não passa de um “conto de fadas” para enganar tolos.