A atribuição do prémio The Best a Luka Modric foi recebida em Portugal com estupefação, desilusão e boa dose de repúdio. Do mero adepto ao opinion maker, não faltaram notificações nos nossos murais, dando conta das emoções, da perplexidade à revolta, para com a o anúncio da FIFA, com um nome no epicentro das reacções: Cristiano Ronaldo. Mas será que só agora encontrámos razões para desconsiderar este tipo de galardões?

A resposta é óbvia: claro que não. Seja o The Best ou a Bola de Ouro, estes prémios de suposto reconhecimento de mérito futebolístico individual anual sempre privilegiaram quase tudo menos o que deviam valorizar: o desempenho individual dentro das quatro linhas. Não deixa de ser curioso perceber que, de uma forma geral, os adeptos e profissionais do meio se habituaram ao conceito que coloca os feitos colectivos e até a popularidade de um atleta acima do que realmente jogou e em que medida contribuiu para esses feitos.

Os dados de desempenho são desconsiderados e, mesmo que fossem tidos em conta, não é reduzindo o futebol ao número de golos e assistências que premiamos com justiça o melhor desempenho dos seus protagonistas, como parece ser a tendência comum na hora de criticar um resultado que nos desagrada. O método de eleição revela um sistema viciado pelo enviesamento, bem patente na hora de descobrirmos as votações individuais dos atletas e treinadores, que valorizam quase sempre uma estratégia de voto acima da honesta valorização de quem foi de facto o melhor.

Cristiano Ronaldo poderá ter sido vítima de um prémio que é tudo menos o que promete ser, assim como o terá sido no passado Luís Figo, antes de ser finalmente premiado. Mas da mesma forma que o capitão de Portugal terá sido prejudicado, também é óbvio que já terá colhido os frutos de um “broken system” noutras edições e noutros prémios. Aliás, apenas um exercício de fraca memória nos impede de recordar que antes da chuva de prémios dos últimos anos existiu uma primeira fase de “amuo” nacional para com este tipo de galardões.

Conclusão? Os actuais prémios máximos individuais do futebol assentam em pressupostos errados e desconsideram por inteiro a via de uma avaliação objectiva dos feitos individuais dos jogadores. O resto são emoções paroquianas que não devemos sublinhar ou sublimar consoante o resultado se pinte de vermelho e verde ou não, caso queiramos de facto vir a ter galardões com significado, seja a nível internacional ou nacional.

GoalPoint-Pepita-Ouro-2017
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Aqui por estes lados iniciámos em 2015 o projecto Pepita de Ouro, o nosso “prémio” anual que não promete outra coisa que não o valorizar o desempenho individual objectivo, sem votos, sem opções editoriais, seguindo a mesma “filosofia” que aplicamos a tudo o que fazemos.

Caminhando nós ainda para a preparação da publicação da Pepita de Ouro 2018 (Janeiro de 2019), os resultados anteriores não agradarão a todos, sobretudo aqueles que os confiram imbuídos de um sentimento de injustiça para com o capitão da Selecção. Seja qual for a sua reacção, pedimos que não só aprecie a objectividade do nosso trabalho e que tenha em conta a forma independente como o fazemos: não é fácil uma empresa analítica portuguesa anunciar prémios que não sejam conquistados por Cristiano Ronaldo. Após extrair daí os merecidos créditos, concorde ou não com as metodologias, pedimos que se lembre sempre disso quando nos avaliar.

Estamos certos que, mais cedo ou mais tarde, os verdadeiros prémios de desempenho individual futebolístico irão aparecer, no plano nacional e internacional, mesmo que não sejam totalmente compatíveis com a realidade comercial do futebol actual. Até lá, continuamos o nosso trabalho, independente, isento e objectivo.