Não, apesar do título este não é um artigo patrocinado. Este texto não é também sinal do anúncio de quaisquer projectos conjuntos entre a GoalPoint o novo canal da FPF, inexistentes. Este é um editorial que reflecte as minhas primeiras impressões sobre o recém-lançado Canal 11, e como elas se cruzam com o que já conhecia da visão que fundamentou o lançamento do canal liderado por Nuno Santos.

A expectactiva que antecedia o lançamento do novo canal da era justificadamente grande, ou não nos tivesse habituado a FPF à qualidade e inovação em tudo o que tem vindo a executar, na era Fernando Gomes.

Acompanhei com bastante atenção o primeiro dia do 11. No domínio do superficial/formal, e apesar dos naturais “soluços” iniciais nesta ou naquela transição de som e imagem, anotei a qualidade visual do que fui observando, dos recursos gráficos à iluminação em estúdio, esta última a recordar-me emissões norte-americanas e brasileiras que me agradam. Confirmavam-se os sinais de boa execução técnica, faltava validar o mais importante: o conteúdo e posicionamento.

Do que me foi dado perceber podemos esperar um canal que pega no Futebol pelas “pontas” que mais interessam a quem o vive com paixão: uma agenda focada no jogo e nos seus protagonistas. Vi e ouvi provavelmente mais jogadores, ex-jogadores, treinadores e até árbitros num só dia do que na soma das horas de emissão que acompanhei em toda uma época, na concorrência. Sendo certo que a FPF terá mais facilidade do que a concorrência neste particular, há que também reconhecer o mérito de tal opção. Vi também discursos de linguagem humilde por parte de quem já deu muito ao Futebol português e sorrisos, muitos sorrisos e boa disposição, o que por vezes é raro no meio/tema.

Pelo caminho não vislumbrei qualquer ameaça da chegada dos temas e formatos “tablóide” que tão mal fazem ao Futebol, desde os painéis que nos reduzem a três clubes, e nos quais se discute tudo menos o jogo, aos “laboratórios de dissecagem” de lances do apito, que reduzem a arbitragem apenas à dimensão do erro.

Fui constatando a existência um “mix” de profissionais comprometidos, entre gente nova e nomes consagrados, entre ex-profissionais do futebol jogado e caras capazes de trazer outros pontos de vista na apresentação do tema que nos apaixona. A palavra Paixão foi aliás muito repetida durante o dia: Paixão pelo Futebol, pelo jogo, mas também por tudo o que o envolve, para lá do “técnico-táctico”. Os “teasers” de reportagens futuras despertaram-me curiosidade, prometendo não só qualidade de execução mas também temas originais e multidimensionais.

Mas o mais importante foi perceber que o primeiro “sinal” emitido pelo 11 confirmava o que escutei há meses: o nascimento de um projecto disposto a defender o Futebol, cortando com os vícios da produção portuguesa de conteúdos futebolísticos que vinham afastando cada vez mais espectadores, sobretudo os mais jovens, do conteúdo e do Futebol no seu todo, enquanto alvo do nosso afecto.

Posto isto era obrigatório elogiar, incentivar e propagar o posicionamento prometido pelo Canal 11. A confirmarem-se estas impressões sai a ganhar o Futebol e todos os que por ele nutrem paixão. Cabe aos adeptos retribuir, com a sua adesão/audiência, permitindo que a excepção se torne a regra, e uma que arraste outros projectos para uma nova era de comunicação de Futebol em Portugal.