Opinião: Os dez “pecados” que Fernando Santos deve evitar

Fernando Santos
Fernando Santos

Fernando Santos é o novo seleccionador nacional, depois de Paulo Bento abandonar o cargo ao fim de 46 jogos. O técnico português somou 25 vitórias, 12 empates e nove derrotas. Com Paulo Bento ao comando, Portugal marcou 86 golos e sofreu 48.

O problema de Portugal é muito mais do que o seleccionador. Um caso que só pode ser resolvido com uma solução transversal, assente num projecto de longo-prazo. Os resultados até podem surgir de forma imediata mas continuaremos a comprometer o futuro das nossas selecções se não tivermos presente uma visão estratégica de futuro.

Paulo Bento cometeu alguns erros durante o seu percurso de quatro anos como seleccionador, pelo que será importante que Fernando Santos não cometa os mesmos equívocos para que possa ser bem-sucedido nesta sua nova missão.

O problema de Portugal é muito mais do que o seleccionador. Um caso que só pode ser resolvido com uma solução transversal, assente num projecto de longo-prazo. Os resultados até podem surgir de forma imediata mas continuaremos a comprometer o futuro das nossas selecções se não tivermos presente uma visão estratégica de futuro.

Paulo Bento cometeu alguns erros durante o seu percurso de quatro anos como seleccionador, pelo que será importante que Fernando Santos não cometa os mesmos equívocos para que possa ser bem-sucedido nesta sua nova missão.

1. Organização

O modelo no qual Fernando Santos estará inserido será igual ao que Paulo Bento esteve ligado depois da sua renovação, isto é, o líder máximo do futebol português não esgotando as suas funções apenas como treinador nacional. O gabinete do coordenador-técnico nacional tem como funções gerir todas as selecções nacionais. Para que o projecto tenha sucesso é necessário definição de tarefas e coordenação de acções.

2. Visão estratégica

Não é legítimo exigir resultados imediatos a uma selecção que apresenta graves problemas. Portugal necessita de um projecto transversal, assente numa estratégia de médio/longo-prazo. Não basta operar uma renovação e lançar os jovens portugueses de maior potencial no momento. É necessário reformular o futebol português e lançar bases para um futuro risonho. Para problemas difíceis são necessárias soluções difíceis.

3. Motivação

Não há maior motivação do que representar a selecção. Este devia ser um lema universal mas a realidade é diferente. O novo seleccionador nacional terá de conseguir motivar um grupo de jogadores que nunca conquistou nada por Portugal. O aspecto psicológico ganha cada vez mais importância no futebol e pode fazer a diferença entre o sucesso e insucesso de uma equipa.

4. Disciplina

Fernando Santos tem de ter pulso firme no seio da selecção. Os (mal esclarecidos) casos que marcaram a liderança de Paulo Bento não podem ter lugar num grupo que pretende atingir o sucesso. É verdade que num conjunto de 23 ou mais, há sempre situações de irreverência mas é necessário um líder que saiba controlar as emoções dos seus jogadores e gerir os momentos mais quentes.

5. Comunicação

Uma boa capacidade de comunicação pode ser importante para garantir os resultados desejados. Do ponto de vista interno Fernando Santos tem de perceber o ambiente que o rodeio e ter uma personalidade forte para impor uma cultura vencedora no seio da selecção. As ideias têm de passar para conseguir prender o grupo o que requer inteligência e liderança. Externamente há que manter uma boa relação com a comunicação social para que a mensagem das suas ideias passe com clareza e que os adeptos em geral consigam perceber o caminho que estará a ser trilhado.

6. Renovação

O processo de renovação deve ir ao encontro das necessidades actuais de forma a não comprometer os objectivos de momento, que passam pela qualificação para o EURO 2016. Fernando Santos não deve acelerar este processo para corresponder às expectativas de alguns adeptos do futebol mas sim preparar terreno para enquadrar a visão estratégica, através de uma renovação sustentada e com resultados futuros.

7. Sistema táctico alternativo

Com os jogadores que Portugal tem à disposição é necessário ter sempre um plano B ou até mesmo C para quando a estratégia inicial não tenha resultados. Existem alternativas ao 4x3x3 como sistema-base, como por exemplo o 4x2x3x1, 4x4x2 ou até mesmo o 4x1x3x2 para diferentes momentos do jogo.

8. Scouting

Fernando Santos afirmou durante a sua apresentação que todos os jogadores são seleccionáveis. Uma ideia que pode ir ao encontro das necessidades imediatas da selecção. Esta área assume um papel crucial no desenvolvimento de Portugal. Não só pela questão da selecção de jovens com potencial mas como também pela detecção de jogadores portugueses num excelente momento de forma mas que por motivos de idade ou clubes onde actuam não tiveram possibilidade de dar o seu contributo.

9. Cristiano Ronaldo

O capitão e melhor jogador português deverá ser o líder e a grande referência deste novo ciclo. Ronaldo não sabe jogar mal mas não pode ser visto como o único responsável pelo sucesso ofensivo da equipa. É preciso encontrar alternativas e não sobrecarregar o craque português. O número 7 de Portugal não deve carregar nos ombros a responsabilidade única de assumir nos momentos mais complicados as iniciativas individuais na tentativa de chegar aos golos. É preciso alternativas e imprimir aos encontros uma componente de imprevisibilidade.

10. A “onda portuguesa”

Desde os tempos de Scolari que não vemos o sentimento de orgulho e paixão pela nossa selecção. Os adeptos desligaram-se e os resultados também não ajudam nesta relação. Fernando Santos terá de ter capacidade para voltar a unir os adeptos em torno da selecção e de um objectivo comum. Não será uma tarefa fácil mas se não cometer os pecados que anunciámos anteriormente voltaremos a ver as bandeiras portuguesas erguidas nas nossas janelas. 

Francisco Gomes da Silva
Nascido em 1993 e licenciado em Economia. Um campo, uma bola e 22 jogadores, uma paixão que despertou bem cedo na sua vida. Jogou até aos 19 anos, seguindo-se passagens como treinador-adjunto dos Sub-19 e Sub-15 do Grupo Desportivo Alcochetense. Paralelamente iniciou-se na área de comunicação através de análises tácticas e técnicas para sites e revistas em Portugal. Colabora ainda com o Departamento de Prospeção do Benfica na condição de observador.