A Selecção de Portugal mais “underdog” desde 1996 venceu o Europeu, conduzida por um treinador com mais rugas de preocupação do que sorrisos, consagrada por um jogador que poucos respeitaram e que não se formou ou sequer passou por nenhum dos “grandes”. Se há bons exemplos de justiça poética então a equipa eternamente campeã de 2016 figurará entre eles.

Se houve época (de clubes) capaz de estilhaçar a nossa esperança no exemplo que o futebol português pode dar à sociedade esta foi uma delas. As metásteses da clubite não desapareceram nem irão desaparecer com esta conquista mas a Selecção devolve alguma fé no que de melhor o futebol pode oferecer para lá do seu contexto.

Santos prometeu. E cumpriu. A equipa uniu-se em redor de um propósito comum, esquecendo eventuais quesílias e divergências menores. Pelo caminho Portugal foi provavelmente a equipa mais prejudicada pelos naturais erros de uma arbitragem que ainda aguarda a chegada ao século XXI mas nem por isso, serviu de desculpa oficial. O grupo apostou no trabalho e sacrifício, como receita para o merecido sucesso. À falta das melhores “pernas” que pode oferecer o capitão Ronaldo encontrou outras formas de carregar os seus até ao destino e, no final, passou o microfone ao até então mal-amado Éder, perante a multidão eufórica.

Tudo isto, de uma forma mais ou menos metafórica, foi o oposto dos piores defeitos “lusos” e, consequentemente, o melhor exemplo que o futebol podia dar a um país a precisar de se reencontrar em tantos outros domínios.

O exemplo pode não fazer escola mas mesmo assim há que o dizer:
Obrigado Selecção por terem personificado o tão raramente praticado “melhor Portugal”.
Obrigado Campeões.