É verdade que este Benfica “está por arames” fisicamente, mas a dinâmica, a crença e a fé com que joga são atributos que merecem ser elogiados. Há aqui mérito de Rui Vitória, que ainda vai ter que ganhar muitos jogos para ser encarado como outros.

O título coloco-o como interrogação, precisamente para motivar a reflexão e troca de ideias. No entanto, na minha opinião, aconteça o que acontecer (o Sporting ainda pode ser campeão e o Benfica morrer na praia) a justiça deve ser feita a a quem a merece, neste caso Rui Vitória.

Contra mim falo, vi na saída de Jorge Jesus um erro histórico de Luís Filipe Vieira. Não o foi. Rui Vitória repetiu aquilo que tinha demonstrado em Guimarães, durante a sua estadia num clube complicado, difícil e de enorme exigência, experiência que o preparou para o cenário “diabólico” que encontrou à chegada ao Benfica.

Afinal o que fez Rui Vitória? Não inventou, aproveitou uma base bem trabalhada nos últimos anos, soube puxar para o seu lado os jovens a quem dava oportunidades (merecidas, diga-se, pelo que temos visto em campo) e proporcionou liberdade aos elementos mais criativos da equipa.

A estaleca ganha no Minho, quando passou por momentos de enorme pressão, forneceu-lhe a fibra necessária para aguentar as semanas durante as quais a conquista do título não passava de uma miragem. Pouco a pouco, porque os resultados têm esse condão, conquistou adeptos, os analistas e – porque não dizê-lo? – os seus jogadores.

Tudo pode ainda acontecer, muito embora o calendário do Sporting ‘nos leve’ a considerar a confirmação do tricampeonato do Benfica como o desfecho mais provável desta Liga. Mas mesmo que ainda possamos testemunhar uma reviravolta, Rui Vitória merece, sem dúvida, ser considerado o treinador do ano.

É verdade que este Benfica “está por arames” fisicamente, mas a dinâmica, a crença e a fé com que joga são atributos que merecem ser elogiados. Há aqui mérito de Rui Vitória, que ainda vai ter que ganhar muitos jogos para ser encarado como outros. Veja-se o que se passou com Vítor Pereira. Duas vezes campeão nacional em dois anos e parece que tem sempre qualquer coisa a provar. Mas isso são contas de outro “rosário”. Rui Vitória merece ser ovacionado até à exaustão no Marquês, caso o Benfica confirme o tricampeonato. Ele fez a sua parte, a parte mais complicada de todas.

 

PS – Paulo Fonseca lançou um repto aos seus colegas treinadores. O treinador do Sporting de Braga usou do exemplo italiano e disse que se todos concordassem o ideal seria que não se voltasse a comentar arbitragens. Tenho para mim que esse desafio vai passar ao lado, com muitos ou mesmo todos a fazerem ouvidos de mercador.