Dez anos é muito tempo na vida de qualquer pessoa. E nesse espaço de tempo normalmente as pessoas evoluem, progridem, melhoram em todas as facetas da vida. Costuma ser assim.

Falando directamente de José Peseiro, tenho a certeza que o treinador do FC Porto é hoje muito melhor profissional do que na altura em que colocou, na minha opinião, o Sporting a jogar o melhor futebol desde que Jesus chegou esta temporada a Alvalade.

Nos 15 meses em que treinou o Sporting percebeu-se que Peseiro não teve a fibra necessária para fazer face aos pesos-pesados do balneário. Para a história ficaram as manifestas faltas de educação e profissionalismo de Liedson e Rochemback, que não tiveram uma resposta à altura de José Peseiro – outras houve que não vieram a público por parte de jogadores com elevado estatuto.

Durante mais de uma década, sempre que se falava de Peseiro havia um “mas” a desaconselhar a sua associação a Benfica ou a FC Porto. Muita competência técnica, mas falta de pulso para dar e vender.

Pinto da Costa, possivelmente por lhe terem falhado hipóteses que mais lhe agradavam, decidiu-se por José Peseiro. A meu ver uma óptima escolha porque teremos bom futebol no Dragão e na Liga portuguesa.

Mas, eu adepto de bom futebol e de José Peseiro em particular, tenho que revelar a minha desilusão para com o treinador.

Não sei o que se passou nos corredores, nem sou obrigado a adivinhar, contudo, no final do jogo com o Arouca, o treinador só tinha que dizer uma coisa logo a seguir ao apito final: comigo, Maicon não volta a vestir a camisola do FC Porto. Não havia mas, nem meio mas, nem família para resolver a situação, muito menos, e isto é grave, a opção de juntar a situação de Maicon a Brahimi, porque não são comparáveis.

Maicon fugiu, não há outra forma de o dizer. Brahimi saiu a contragosto, cumprimentou o treinador e mostrou-se revoltado com aquela atitude de atirar o casaco para o banco. Mas manteve uma atitude de quem está empenhado, puxando pelos colegas, protestando com o árbitro. Enfim… a defender o símbolo que tinha ao peito, mesmo que não estivesse em campo a fazer o que mais gosta e para o qual foi contratado.

José Peseiro perdeu uma (grande) oportunidade, que lhe caiu literalmente do céu, para mostrar que já não admite coisas que em má hora aturou, sem reacção, em Alvalade e que lhe valeram dez anos de exílio além-fronteiras, intercalado com uma época em Braga, onde venceu o único troféu da era Salvador.

Os próximos tempos serão decisivos para se entender se Peseiro mudou mesmo naquilo que lhe faltava para ser um treinador de topo. O resultado na Luz ajudou… e até a felicidade parece ter ido ao encontro do técnico que não raras vezes foi apelidado de “pé frio”.