Os analytics de Benfica, Braga e os “papões” da Liga Europa

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O sorteio da Liga Europa não foi meigo para Benfica e Braga, as duas equipas portuguesas em prova e que apuraram-se para os 16 avos-de-final terminando em segundo lugar nos respectivos grupos. Os “encarnados” vão defrontar, no dia 18 de Fevereiro, quinta-feira, o Arsenal que, apesar de estar em profunda crise na Premier League, tem estado em forma na Europa. Já os “arsenalistas” vão enfrentar no mesmo dia a Roma, do seu antigo treinador, Paulo Fonseca, italianos que esta época, salvo alguns percalços, têm “despachado” alguns adversários com muitos golos.

Caso é que os dois emblemas lusos evitaram males maiores, ao não lhes calhar em sorte nenhum dos emblemas provenientes da Liga dos Campeões. Contudo, estes são dois dos oponentes mais fortes que poderiam sair, daqueles que já se encontravam em prova. Tal como no caso da análise aos analytics de Porto e Juventus, adversários na Champions, também é cedo para fazer antevisões a estas duas eliminatórias de “águias” e “guerreiros”, visto faltarem ainda dois meses e um mercado de transferências para atravessar. Mas dá para olhar para o que as quatro formações fizeram na fase de grupos da Europa League.

Poder de fogo dos “gunners” preocupa

[ O desempenho estatístico de Benfica e Arsenal nas últimas cinco partidas da Liga Europa 20/21 ]

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Atenção. Vai ser um embate entre o segundo (20) e o terceiro (18) melhores ataques da Liga Europa esta época. Só o Bayer Leverkusen (21) marcou mais golos que o Arsenal e Benfica, pelo que não duvidamos que assistiremos a duas mãos entre equipas que gostam de atacar. Mas os “gunners” mostram alguma superioridade estatística que deve ser levada em conta pelos “encarnados”.

Ambas são equipas que gostam de ter bola, embora os ingleses tenham demonstrado uma maior facilidade neste detalhe, em especial nos últimos cinco jogos, a que se refere a infografia acima (55% de posse contra 51%). E olhando para os restantes números, os portugueses terão mesmo de se preocupar em travar o ataque dos londrinos. Nas últimas cinco partidas fizeram uma média de 20 remates, sendo que em toda a fase de grupos foram a terceira formação mais rematadora, com 18,5 – os “encarnados” ficaram mais abaixo, com 14,3. E nos enquadrados a mesma coisa, 7,0 para os ingleses, 5,2 para os portugueses. Ainda assim, o Benfica ganha na conversão de remates, com 19% deles acabando em golo, contra os 16% dos “gunners”. E aqui poderá estar a chave da ronda, caso o Benfica consiga resolver os seus problemas defensivos até lá.

Na verdade, os benfiquistas sofreram 1,5 golos por jogo, contra apenas 0,8 do Arsenal, tendo permitido uma média de 10,3 remates por jogo, contra 7,7. E aqui fica patente que, para ter aspirações de apuramento, as “águias” necessitam de afinar os processos defensivos e manter, ou melhorar, o seu aproveitamento de remates. O facto de o Arsenal ter sido a segunda equipa com menos acções defensivas no primeiro terço (21,2), a nona com menos na zona intermédia (11,8) e a terceira com mais no terço ofensivo (8,0) pode abrir aqui uma janela de oportunidade para os comandados de Jorge Jesus, fortes nas transições e a explorar espaços concedidos pelos adversários.

Os principais decisores

O avançado do Benfica, Darwin Núñez, estava a demorar a fazer o seu primeiro golo quando, na estreia na Liga Europa, na casa do Lech Poznan, fez um “hat-trick” e posicionou-se para ser o jogador das “águias” com melhor GoalPoint Rating da fase de grupos (não confundir com as últimas cinco partidas da infografia, que tem Rafa Silva). No final contabilizou cinco golos em cinco partidas, e ainda uma assistência. O uruguaio está mesmo entre os segundos melhores marcadores, com menos um golo que Pizzi, o líder dos goleadores, com seis, e destacou-se no remate, com 4,2 por partida, oitavo valor mais alto, 3,4 de bola corrida, tendo convertido 71% das ocasiões flagrantes de que dispôs.

Do lado “gunner” o destaque foi Nicolas Pépé que, apesar das críticas e das exibições menos conseguidas na Liga inglesa, surgiu na Europa em grande, com três golos e outras tantas assistências, a mesma média de remates de bola corrida que Darwin, o segundo valor absoluto de tentativas de drible (39) e o máximo de ocasiões flagrantes criadas (7).

Dominar ou ser dominado

[ O desempenho estatístico de Braga e Roma nas últimas cinco partidas da Liga Europa 20/21 ]

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O Braga deu muita luta ao Leicester no Grupo G e até à última jornada disputou o primeiro lugar. Na realidade, os minhotos terminaram com 13 pontos, os mesmos que a Roma no Grupo A, embora os transalpinos tenham sido amplamente dominadores. Tal como o foram nos seus jogos em termos de posse de bola. Os 63% que alcançaram nos últimos cinco jogos contrastam com os 44% do Braga, e talvez não seja descabido pensar, apesar de ainda faltar muito tempo, que esta tendência se vá verificar de novo nos 16 avos-de-final.

Olhando para a totalidade dos seis jogos da fase de grupos, a Roma (14,7) foi, igualmente, uma equipa mais rematadora que o Braga (13,3), mas os minhotos fizeram-no mais de bola corrida (11,2 contra 10,0) e marcaram mais desta forma (1,8 golos contra 1,3), pelo que a atenção de Carlos Carvalhal deverá virar-se, entre outros aspectos, para a qualidade dos romanos nas bolas paradas. Mas também para encontrar formas de interromper a circulação de bola. A Roma foi a terceira equipa com mais passes realizados por 90 minutos (585,3), com impressionantes 86% de eficácia, enquanto os “guerreiros” ficaram-se pelos 421,3 (79%).

O rei das assistências

Já o referimos numa outra peça dedicada à Liga Europa. Wenderson Galeno foi o “rei” das assistências da fase de grupos, com quatro, e a globalidade dos seus desempenhos dá-lhe destaque estatístico através entre os bracarenses nos GoalPoint Ratings – os dois golos que marcou também ajudaram. De bola corrida foram 2,6 remates por 90 minutos, os passes para finalização de bola corrida foram 2,1 e 5,1 as tentativas de drible. O brasileiro foi o principal desequilibrador e a sua velocidade e repentismo podem ser fundamentais ante uma Roma que pensa mais o jogo.

Apesar do domínio da posse e da qualidade ofensiva, o melhor rating romano nos seis jogos da da fase de grupos foi um defesa-central, o albanês Marash Kumbulla. O golo que marcou teve peso, mas o importante a realçar é a competência que emprega nas suas acções defensivas, com destaque para os 86% de desarmes eficazes, as 2,0 intercepções por 90 minutos e os 67% de duelos aéreos defensivos ganhos. O Braga terá de ser muito competente frente a uma das defesas mais sólidas da competição até ao momento.

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