Os analytics dos adversários do Benfica na Champions 21/22 🦅

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Superadas as duas eliminatórias que o afastavam dos tão ansiados milhões (e por inerência o trauma da queda precoce da temporada passada), o Benfica garantiu o regresso à “piscina dos grandes”, que é como quem diz à fase de grupos da Liga dos Campeões. E no seu caso nem são grandes: são gigantes os nomes (pelo menos dois deles) que irá ter de enfrentar na luta por um lugar na fase a eliminar. Venha daí conhecê-los mais a fundo.

Bayern, a “trituradora” bávara 🇩🇪

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Indiscutivelmente uma das equipas mais fortes da Europa na última década, na qual foi campeão europeu em duas ocasiões – a última das quais em 2020, batendo o PSG por 1-0 no Estádio da Luz na primeira final disputada em contexto de pandemia -, o Bayern começou 2021/22 no mesmo ritmo de sempre: até tropeçou na primeira jornada, depois da vitória na Supertaça sobre o Dortmund, mas daí para cá já soma três vitórias na Bundesliga (a penúltima das quais o 5-0 ao Hertha, cujos dados se podem ver no quadro acima, e que usaremos para a análise), a última por 4-1 na casa do candidato Leipzig, intermediadas por um massacre na Taça (12-0 no reduto dos amadores do Bremer SV).

Agora orientados pelo entusiasmante Julian Nagelsmann, os bávaros viram sair Alaba e Boateng, mas reforçaram-se com dois velhos conhecidos do novo técnico: Upamecano e Sabitzer (o primeiro já estabelecido como titular indiscutível e o segundo a prometer seguir pelo mesmo caminho). Ao todo são já 13 golos marcados e apenas quatro sofridos na Bundesliga para aquele que será, em teoria, o maior bicho-papão deste Grupo E.

Máquina de pressão alta

[ Mapas de acções com bola (esq.), acções ofensivas perigosas (ctr.) e acções defensivas (dta.) frente ao Hertha ]

Como se pode ver no mapa à esquerda, o jogo do Bayern estende-se a toda a largura e profundidade do campo, ainda que exista alguma predominância nos flancos. Este aspecto é bem visível também no mapa ao centro, referente às acções ofensivas perigosas – conduções verticais a terminar no meio-campo contrário (linhas tracejadas), faltas sofridas (triângulos azuis) e dribles eficazes (estrelas) – protagonizadas pelos bávaros ante o Herta.

O mapa da direita permite ainda perceber outro dos pontos fortes do conjunto de Nagelsmann: a pressão alta, com muitas acções defensivas registadas no meio-campo contrário e até mesmo nas imediações da área adversária, levada a cabo por fontes inesgotáveis de energia como Sané, Gnabry ou mesmo o já trintão Muller. Um aspecto a ter em conta para equipas que, como é o caso do Benfica, gostam de sair a jogar em construção a partir de trás.

Jogadores em destaque

[ Desempenhos acumulados de Lewandowski, Kimmich e Davies na Liga alemã em 20/21 ]

Robert Lewandowski – Dispensa apresentações: melhor futebolista do mundo para a FIFA em 2020 não pára de marcar golos – na época passada fez 41 em apenas 29 partidas disputadas na Bundesliga, com uma eficácia de quase 50 por cento nas ocasiões flagrantes e um GoalPoint Rating acumulado de 7.03. Este ano já leva seis em quatro partidas, incluindo um “hat-trick” ao Hertha, tendo ainda bisado ante o Dortmund na Supertaça e marcado um ao Leipzig.

Joshua Kimmich – O pêndulo da equipa: todo o jogo passa por ele. Está em todo o lado, como é visível no “heatmap” acima apresentado, e a essa polivalência e omnipresença junta segurança e qualidade na execução (representada por exemplo na eficácia de passe de 79% para o último terço) e preponderância ofensiva, como atestam as dez assistências, média de 5,7 de passes ofensivos valiosos por 90 minutos e quatro golos em 2020/21.

Alphonso Davies – O fenómeno nascido no Gana, mas acolhido pelo Canadá, recuperou em tempo recorde de uma lesão ligamentar no tornozelo esquerdo e de imediato reassumiu a titularidade na ala esquerda, tendo já uma assistência efectuada. Em condições normais, e se as lesões o deixarem definitivamente em paz, tem tudo para melhorar o desempenho das últimas épocas.

O que vale o “novo” Barcelona 🇪🇸

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O “novo” Barcelona será sempre uma equipa radicalmente diferente da que se conheceu nos últimos largos anos, fruto da saída do que será provavelmente o maior jogador da sua história. Mas não só: além de Messi, também Griezmann disse adeus, regressando ao “seu” Atlético de Madrid em cima do fecho do mercado após dois anos de altos e baixos, mas com números ainda assim bastante interessantes nos “blaugrana” (99 jogos, 35 golos e 16 assistências).

Apesar da crise financeira por todos conhecida, ao Camp Nou chegaram nomes que podem agitar as águas, nomeadamente para o ataque (Memphis, Aguero e Luuk de Jong), ainda que em termos estruturais não se prevejam grandes mexidas no 4x3x3 preconizado por Ronald Koeman que já vigorou na última temporada – e que foi aplicado na vitória por 2-1 ante o Getafe, jogo que iremos usar para a análise.

A importância do flanco esquerdo

[ Passes verticais (esq.), acções ofensivas perigosas (ctr.) e acções defensivas (dta.) ante o Getafe ]

A exemplo do Bayern, também o Barcelona privilegia o jogo pelas alas, como se pode perceber pelos mapas acima à esquerda e ao centro. Neste caso, porém, existe uma maior predominância da utilização do corredor esquerdo, fruto acima de tudo da maior propensão ofensiva de Jordi Alba em relação ao lateral que actua pela direita.

No que respeita a acções defensivas, porém, nota-se uma enorme diferença do Barça em relação ao Bayern: os “blaugrana” pressionam mais atrás, sendo escassas as ocasiões em que o fazem no último reduto do adversário.

Jogadores em destaque

[ Desempenho acumulado de Memphis (21/22), Frenkie De Jong (20/21) e Dest (20/21) na Liga espanhola ]

Memphis Depay – Herdou a herança mais pesada que se possa imaginar e para já pode dizer-se que tem estado à altura: dois golos e uma assistência nas três partidas disputadas pelo Barcelona, registando uma média de 5,1 passes ofensivos valiosos. O GoalPoint Rating para já é de 6.07 mas com clara tendência para melhorar no futuro.

Frenkie de Jong – Também ele irá certamente ganhar maior influência no jogo do Barça após a saída de Messi, como já tem sido notório nas três partidas realizadas esta época (duas assistências contra quatro em toda a temporada passada). O seu maior atributo é a visão de jogo, bem como a qualidade na execução, que lhe permitiram em 2020/21 ter um registo médio de 4,6 passes ofensivos valiosos por jogo e uma eficácia de passe de 87% nos passes para o último terço.

Sergiño Dest – A época de estreia na Catalunha foi de altos e baixos, a exemplo do colectivo; esta tem tudo para ser a da sua afirmação, tendo até em conta o voto de confiança do treinador, que justificou a inesperada venda do “contratado” Emerson com a presença de Dest e Sergi Roberto (que tem utilizado no meio-campo). Em 2020/21 o internacional pelos Estados Unidos mostrou-se especialmente eficaz nos desarmes: 60%.

Dínamo Kiev em crescendo 🇺🇦

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O primeiro adversário do Benfica nesta fase de grupos recuperou o domínio interno, depois de alguns anos subjugado ao rival Shakhtar Donetsk, mas ainda está muito longe do patamar das históricas equipas que venceram duas Taças das Taças, então ainda sob o símbolo da União Soviética, ou mesmo do conjunto que em 98/99 chegou às meias-finais da Liga dos Campeões alicerçado na dupla atacante Shevchenko-Rebrov e sempre sob o comando do lendário Valeriy Lobanovskyi.

Os mais recentes embates com as “águias”, de resto, aconteceram precisamente nesta competição e há relativamente pouco tempo: em 2016/17 o Benfica de Rui Vitória foi a Kiev vencer por 2-0, com golos de Salvio (penalty) e Cervi, e duas semanas depois triunfou na Luz com novo castigo máximo cobrado por Salvio (1-0). Os “encarnados” apurar-se-iam para os oitavos-de-final com 8 pontos, enquanto os ucranianos fizeram menos três e ficaram no último posto do Grupo B (o Nápoles venceu com 11 e o Besiktas acabou em terceiro com 7).

Mais atrevidos do que o esperado

[ Acções ofensivas perigosas (esq.) e acções defensivas (dta.) acumuladas dos ucranianos na Champions 20/21 ]

A análise às acções ofensivas perigosas do Dínamo de Kiev na sua última participação na Liga dos Campeões, na pretérita temporada (derrotas com Juventus e Barcelona e uma vitória e um empate diante dos húngaros do Ferencváros), mostram a tendência para atacar pelos flancos, nomeadamente o esquerdo, a exemplo do que sucede com os outros dois integrantes do grupo.

Ao olharmos para o mapa das acções defensivas percebemos que, porventura ao contrário do que seria de esperar, o conjunto ucraniano não se limita a ficar encolhido perto da sua área à espera dos ataques adversários, exercendo pressão no seu sector de criação mas também no do adversário, principalmente nos flancos (com especial incidência para o esquerdo).

Jogador em destaque

[ Desempenho de Tsygankov na UEL e UCL 20/21 ]

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O extremo que actua preferencialmente pela direita do ataque foi o elemento mais em foco do conjunto de Kiev na participação europeia da última temporada, marcando dois golos na Liga dos Campeões (um dos quais no Camp Nou) e destacando-se no passe, nas faltas ganhas e nas acções defensivas por jogo na Liga Europa, onde o Dínamo caiu nos oitavos-de-final aos pés do futuro campeão Villarreal. Esta época mantém-se como indiscutível na equipa e soma já cinco golos e uma assistência em sete jogos (marcou quatro nas últimas três partidas). Ao cuidado do Benfica.

Como em todas as épocas, acompanharemos de forma exaustiva mais uma temporada da Liga dos Campeões, com especial incidência nos desempenhos das três equipas portuguesas, Sporting, Porto e Benfica. Desfruta da Champions connosco.

Info útil: confere neste link onde vão ser transmitidos todos os jogos da fase de grupos da Champions League.