Os bons amigos de Paulo Bento

Quando Portugal deixou o Mundial pela porta dos fundos, o povo, os comentadores, os treinadores e até o meu barbeiro e vizinha da frente exigiram uma renovação na selecção.

Pois bem, desde que Portugal entrou em prova o panorama foi este:

Benfica: Victor Andrade, Talisca, César, Derley, Keylor Navas, Romero, Benaglio, Júlio César, Casemiro, Guilavogui, Iturbe, Bebé, etc.

Sporting: Jefferson Montero, Kostic, Ryan Gauld, Tanaka, Rabia, Shehu, Derley, Strandberg, Bolaños, Carrizo, Jonathan Rodríguez, Enner Valencia, José Henrique, Jerson Cabral, Ismaily, etc.

FC Porto: Brahimi, Bruno Alves, Raúl Jimenez, Keylor Navas, Bolhi, Tello, Bakkali, Óliver, Rudiger, Adrián, Martins Indi, Gudelj, Enner Valencia, Casemiro, Clasie, Lucas Romero, etc.

Estes são alguns dos nomes que foram ventilados na imprensa para os três grandes, entre os contratados e os que não passaram de uma possibilidade. Quantos portugueses? Dois. E nenhum deles, até ao momento, foi oficializado: Bebé e Bruno Alves. Este último foi também o derradeiro jogador que saiu das escolas do FC Porto e que singrou de azul e branco. Aconteceu há dez anos… ainda não havia smartphones.

Perante estes factos, apesar de o Benfica e o Sporting soprarem aos sete ventos que a formação é um assunto sério, como se pode pedir resultados à selecção nacional? Paulo Bento talvez não seja o seleccionador indicado – na minha opinião não o é, nunca o foi e dificilmente o será  –, mas quem lhe devia facilitar a tarefa prefere ajudar outros seleccionadores.

Esta situação só será invertida, para benefício da selecção e do jogador nacional, quando for criada e aplicada legislação ou então quando os fundos de investimento forem erradicados – neste particular estou com Michel Platini mesmo que tal signifique uma descida qualitativa do campeonato português. Sim, porque a “torneira da banca”, essa, cada vez pinga menos.