Muito já foi falado sobre a importância decisiva de Bas Dost na manobra ofensiva do Sporting e a sua competência frente à baliza adversária, ao nível dos melhores da Europa, como já tivemos oportunidade de referir aqui, no GoalPoint. Também já abordámos a excelente temporada de Rui Patrício, que tem mostrado números relevantes desde o início da competição. Apenas sete jornadas faltam para o final do campeonato e, com os dados disponíveis, e alguns eventos mais recentes, parece evidente que as aspirações leoninas na Liga NOS passam muito pelo desempenho destes dois jogadores.

A jornada 26 da Liga NOS trouxe um novo capítulo à história verdadeiramente fantástica do ponta-de-lança holandês que, regressado de lesão, entrou na segunda parte para dar uma vitória ao “leão” num terreno (chaves) onde não saboreava um triunfo há mais de duas décadas. E na ronda seguinte, assistiu Gelson Martins para um golo, marcando ele próprio a seguir. Bas Dost (começamos por ele) esteve em todos os jogos do Sporting entre a primeira e a 20ª jornada, falhando a 21ª e a 22ª, e depois a 23ª e 24ª. Nada de especial? Engano puro. O impacto do holandês em Chaves e em casa com o Rio Ave apenas veio realçar ainda mais a óbvia dependência do Sporting relativamente ao seu principal artilheiro, algo que, ao olhar para o calendário, resultados da equipa e golos de Dost, fica ainda mais evidente. Cenário que contrasta, como vimos recentemente, com o desempenho do atacante pela selecção holandesa. Mas essa é outra história.

JogosVitóriasEmpatesDerrotasGolos
Sporting27205253
Bas Dost23185023
Jogos c/ golos de Bas Dost14131023
Jogos s/ golos de Bas Dost95400
Sporting c/ Bas Dost23185050
Sporting s/ Bas Dost42024

Dados à 26ª jornada da Liga NOS 2017/18
Fonte: GoalPoint / Opta

O próprio treinador leonino, Jorge Jesus, veio reconhecer que ninguém no plantel sportinguista dá as garantias do holandês na frente de ataque e, olhando para os jogos do Sporting esta temporada, tal fica exposto. Dos 53 golos do “leão”, 23 foram marcados por Dost, que facturou em 14 partidas esta temporada na Liga, dos quais o Sporting venceu 13 e empatou apenas um. Essa igualdade aconteceu em Alvalade, 2-2 ante o Braga, tendo o Sporting estado a vencer até aos 85 minutos. Os minhotos marcaram os seus dois golos num período em que o holandês já não estava em campo, pois foi substituído por volta dos 80 minutos. Assim sendo, com Bas Dost em campo e a marcar, o Sporting “venceu” sempre, acabando por perder dois pontos apenas com a saída do atacante.

Nos encontros em que o ex-Wolfsburgo jogou, mas não marcou, o cenário também não foi nada favorável ao emblema leonino. Foram nove as partidas em que Dost ficou em branco, das quais o Sporting venceu cinco e empatou quatro. Mas há mais. Dos quatro desafios em que o “leão” não pôde contar com o jogador, por lesão, os comandados de Jorge Jesus apenas ganharam dois, tendo perdido por duas vezes (no Estoril e no Dragão), os únicos desaires da época na prova até ao momento. Podemos falar agora em dependência?

GoalPoint-Bas_Dost_2016_vs_Bas_Dost_2017-infog-1
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Esta tendência não vem de agora. Já na época passada (vide comparativo acima), o peso de Bas Dost nos golos leoninos e a sua influência nos mesmos (golos + assistências) era relevante. O holandês marcou exactamente 50% dos golos da sua equipa na Liga NOS 2016/17, com uma influência directa de 56% no total de tentos leoninos. Mais do que os números desta temporada (43%-47%, respectivamente, para golos e influência). Mas isso, curiosamente, diz muito da importância de Dost em 2017/18. Se com os números de 2016/17 ainda assim o Sporting “sobrevivia” sem o holandês, desta feita as dificuldades leoninas para colmatarem as ausências do jogador são maiores à vista desarmada. E porquê?

Como referimos no Barómetro da recta final da corrida ao título (ver no link), o “leão” apresenta, nesta altura de 2017/18, uma taxa de concretização (remates para golos obtidos) de 14% (53 golos num total de 381 disparos). Isto mesmo com o contributo estatístico de Dost, que apresenta uma taxa de concretização de 44% (23 tentos em 52 remates), para além de uma eficácia de remate (disparos para enquadrados) de 58%, para os 36% do colectivo leonino. Poderá o Sporting “viver” sem Bas Dost até final da Liga? A resposta é óbvia.

Rui Patrício, as “costas largas” do “leão”

No outro extremo do terreno encontramos um jogador que deverá ser o segundo grande trunfo sportinguista para a recta final do campeonato: é ele Rui Patrício. Já o referimos aqui anteriormente, mas os números teimam em confirmar que o guarda-redes da selecção nacional está a fazer uma época extraordinária, bem melhor que a anterior, como pode ser confirmado pelo comparativo abaixo.

GoalPoint-Rui_Patrício_2016_vs_Rui_Patrício_2017-infog-1
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Esta temporada, Patrício defendeu 80% dos remates enquadrados adversários, contra os 64% de 2016/17, e fez mais 0,5 defesas por cada 90 minutos que na época passada. Números que, poderá argumentar, dizem pouco quanto à influência directa no desempenho da equipa. Mas, olhando de novo para os dados à 26ª jornada, presentes no Barómetro da recta final da corrida ao título, nota-se que a boa forma de Patrício tem evitado males maiores para o Sporting, pois a equipa permitiu até então 3,3 remates enquadrados por jogo, contra, por exemplo, os 2,6 do Benfica e os 2,3 do Porto.

Tal como em praticamente toda a temporada, o Sporting entra na recta final do campeonato com uma dupla dependência: a do seu guarda-redes e a do seu principal ponta-de-lança. Estejam ambos aptos e em boas condições e o “leão” poderá continuar a sonhar até final da competição.