A Copa do Mundo é o maior evento do futebol mundial, mas para a tristeza dos amantes do esporte bretão, ela só acontece de quatro em quatro anos. O mundial de seleções da FIFA é sinônimo de reunião de familiares e amigos, festa pelas ruas, gritos de gol, abraços efusivos, e também muita pipoca voando pelos quatro cantos da sala de estar onde os reunidos assistem ao jogo.

Para os atletas, o evento é muito mais do que apenas um campeonato de seleções, é uma oportunidade única de levantar a taça de ouro mais desejada do mundo do futebol. Quando a bola rola, muita coisa pode acontecer: um golaço pode sair, uma partida pode entrar para a história, um atacante pode se tornar vilão, um goleiro ganhar o título de herói, e vice-versa.

Os escolhidos pelos deuses do futebol para serem os vilões costumam carregar a pena pelo resto de suas vidas, da forma mais amarga possível. E esses “antagonistas do mundo da bola” são lembrados até hoje, vide o volante Felipe Melo, em 2010, o goleiro Barbosa, na Copa de 1950, ou até mesmo Roberto Carlos, no Mundial da Alemanha, em 2006.

Quando se questiona os torcedores sobre quem serão os heróis de uma Copa do Mundo, os nomes mais óbvios costumam vir à tona. São sempre os principais jogadores de cada país, os craques do futebol mundial. Mas a realidade é que, ironicamente, como são escolhidos os vilões, os redentores também aparecem para mostrar ao público que o óbvio no futebol não é a regra.

Na Copa de 2014, realizada no Brasil, quatro nomes chamaram a atenção de todos por se tornarem os heróis improváveis para boa parte do público que acompanhava as partidas: Tim Krul, Georgios Samaras e Keylor Navas.

A muralha “laranja”

Amargando o banco de reservas da seleção da Holanda na Copa de 2014, o goleiro Tim Krul viu seu destino mudar quando entrou na partida das quartas-de-final, contra a Costa Rica. O arqueiro substituiu o titular Jasper Cillessen e defendeu três penalidades, colocando a “laranja mecânica” na semifinal do torneio. O inusitado, no entanto, é que além de ter sido preterido até então por seu treinador, Louis Van Gaal, Krul entrou durante o jogo no lugar de Cillessen por opção do técnico, não por motivo de lesão de seu companheiro de equipe. Entrou, causou espanto no público e fez sua história.

O gigante grego

Georgios Samaras, de 33 anos, também teve seu momento de “messias” em Copas do Mundo. O atacante, grandalhão e um pouco desengonçado, viu sua estrela brilhar diante da Costa do Marfim, na terceira e última rodada da fase de grupos. Nos acréscimos, após cobrança de pênalti, Samaras decretou a vitória dos gregos por 2 a 1, classificou seu país para as oitavas-de-final e ainda eliminou os africanos da competição.

Um líder da Costa Rica

Hoje em dia, Keylor Navas defende o Real Madrid e é considerado um dos maiores goleiros do mundo, mas há quatro anos, quando ainda jogava no Levante, não tinha do público a expectativa de que poderia se tornar um herói de sua seleção na Copa. Pois foi o que fez; o arqueiro costa-riquenho foi fundamental durante toda a campanha de seu país no torneio, com defesas excepcionais e liderança dentro de campo. Defendendo até pênalti em jogo de “mata-mata”, Navas marcou seu nome na história de seu país e no rol dos heróis em mundiais.