Os maiores “contribuintes” ofensivos da Liga 20/21

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Já dizia Roberto Mancini que “no futebol não se pode ganhar sem se marcar golos”. Ora, embora seja uma verdade de La Palice do desporto-rei – ainda assim tecnicamente contestável -, a tirada é proporcional à importância que os golos têm no Futebol, não só pelo que decidem, mas também pelos momentos inesquecíveis que representam na memória dos adeptos.

Indiscutível que é a importância do golo, fica a questão a que nos propomos responder neste artigo: quem foram os nomes da Liga NOS 20/21 mais gritados nos estádios, sofás e relatos, pelos golos que marcaram ou ofereceram, até agora?

Os líderes

[ Os maiores “contribuintes” de cada emblema, até à 22 jornada da Liga 20/21 ]

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Tendo em conta que esta análise foi feita antes da 23ª jornada do campeonato, este fim-de-semana, no capítulo dos goleadores, Pedro “Pote” Gonçalves surge bem destacado, com 15 golos em 21 jogos disputados, a três tentos da marca maior da época 19/20 estabelecida por Carlos Vinícius, ainda com 11 jogos por disputar!

Mas a luta pelo “melhor marcador” adivinha-se acesa com Haris Seferovic, à procura da sua segunda distinção como bola de prata. O suíço levava 11 golos, assinou mais dois na jornada 23, e encontra-se bem posicionado na perseguição a “Pote”.

Não é de estranhar o destaque maioritário de pontas-de-lança no resto do pelotão – Rodrigo Pinho e Óscar Estupiñan, ambos com sete golos marcados num número de jogos reduzido (15 e 11 jogos, respectivamente). Já Sérgio Oliveira e Ryan Gauld surgem no lote de forma surpreendente, os dois jogadores (já destacados pela Goalpoint esta época) têm vindo a demonstrar a sua veia goleadora, mesmo que os seus números sejam claramente “vitaminados” pelos golos da marca de penálti – que também valem, claro.

Já no que toca aos “assistentes”, o Benfica destaca-se claramente por ter os três jogadores do campeonato com mais passes para golo. Everton, Grimaldo e Darwin – todos com seis assistências – repartem entre si a arte de servir os colegas de equipa. Sem surpresa, Gauld e Sérgio Oliveira (empatado com Taremi, mas com mais minutos) também se diferenciam nesta métrica.

Por fim surge Gelson Dala, merecedor de destaque especial como único jogador com mais assistências (5) do que o total de tentos somado pelo maior goleador da sua equipa – Carlos Mané, com quatro.

[ O TacticalSupersub actualizou-te o mesmo quadro já após a 23ª jornada ]

Os maiores “contribuintes”

Mas para melhor compreendermos o nível de influência (em golos e assistências) de cada jogador, partilhamos o seguinte gráfico:

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  • Quanto mais para a direita, maior a percentagem dos golos da equipa que são marcados pelo jogador (quando este está em campo);
  • Quanto mais para cima, maior a percentagem das assistências da equipa que são feitas pelo jogador (quando este está em campo);
  • Quanto maior a bola, ou mais intensa for a cor, maior o número de golos + assistências por 90 minutos.

Desta análise resultam alguns casos dignos de destaque:

Luquinha (Portimonense) – ainda com pouco tempo de jogo, o brasileiro é responsável por mais de um terço das assistências dos algarvios, nos minutos em que está em campo. Em contrapartida, não tem nenhum golo marcado.

Gelson Dala (Rio Ave) – pode não ser o ponta-de-lança mais eficaz na conversão, mas diferencia-se pela positiva na hora de servir os colegas. Contribuiu para mais de 35% das assistências do Rio Ave.

Lucas Piazón (Braga) – o brasileiro, enquanto esteve em campo, fez 40% dos golos e 27% das assistências. Uma época em grande, sobretudo desde que chegou a Braga, e se mantiver o nível até final será certamente uma, senão a grande figura da segunda volta.

Haris Seferovic (Benfica) – longe de ser uma opção unânime, a verdade é que o suíço assina quase 50% dos golos dos “encarnados” quando está em campo, encontrando rival apenas em Pedro Gonçalves, no somatório de acções para golo na Liga.

Beto Betuncal (Portimonense) – desde que ganhou regularidade no “onze” algarvio, o avançado português, referido no mais recente Goalpoint Focus, faz metade dos golos do Portimonense quando está dentro das quatro linhas.

Joel Tagueu e Rodrigo Pinho (Marítimo) – os “leões” da Madeira parecem viver de uma mistura entre qualidade individual e hiper-dependência do(s) ponta(s)-de-lança. Nem sempre estes dois pisam o relvado juntos, mas são as principais armas de fogo da equipa.

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Difícil é não nos repetirmos, mas quando um jogador contribui ofensivamente, não o faz só com golos e assistências, mas também com remates e passes para finalização. Só há três jogadores que contribuem ofensivamente em mais de 40%, Luquinha (47%), Ricardo Quaresma (47%) e Ryan Gauld (45%). Se havia alguma dúvida, agora não resta nenhuma. O médio escocês, ex-Sporting, é uma peça essencial no processo ofensivo do Farense e um dos jogadores mais influentes do nosso campeonato.

Beto Betuncal e Douglas Tanque são os jogadores que mais contribuem para os remates das suas equipas (29%), sendo que Luquinha, um jovem de 20 anos, quando joga faz-se notar e contribui para 27% dos passes para finalização do Portimonense, mais que qualquer outro jogador no campeonato.

Em comparação, nenhum jogador do Top 4 tem uma contribuição superior a 35%. Contudo, surgem nomes interessantes como Luca Waldschmidt e Wanderson Galeno como principais intervenientes no ataque das “águias” e dos guerreiros, respectivamente.

O caso Quaresma

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Atenção! Não se preocupem, que não nos passou despercebida a influência que o “feiticeiro” Quaresma tem no Vitória SC, aos 37 anos. Aliás, achámos tão interessante que lhe dedicámos um grafismo exclusivo.

O mapa de remates do internacional português não deixa dúvidas. Quaresma tem tamanha confiança no seu disparo que, seja de onde for, o perigo é real. Dos seus três golos, só um foi de trivela, mas surgiram todos do mesmo lado.

Especialista em bolas paradas e nos cruzamentos milimétricos, Quaresma tem um mapa de passes para finalização notável. Com predominância de cruzamento do lado direito, todas as suas assistências surgem desse flanco e a idade não parece tirar “veneno” aos cruzamentos deste colosso português.

Rematadores: os mais (e menos) independentes

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Por último, procurámos encontrar os jogadores mais autónomos na hora de rematar e, em contrapartida, os jogadores mais servidos.

Naqueles remates que não são precedidos de último passe, que tendem a surgir de ressaltos ou jogadas mais caóticas, Luis Díaz é o mais evidenciado. O driblador colombiano tem quase um remate por jogo que não é precedido por último passe, mostrando a sua capacidade de incursão pelas defesas contrárias e o espaço que muitas vezes encontra para rematar. No revés da medalha está Marcus Edwards, outro driblador nato que, dos jogadores com mais 900 minutos e 1,0 remates de bola corrida por 90 minutos, é aquele com menos disparos sem último passe (0,08).

Já nos remates que não têm um último passe intencional, ou seja, os disparos que não são precedidos de um passe que tinha intenção de resultar em assistência, Galeno, Pedro Gonçalves e Walterson lideram esta métrica. Não nos parecem valores fora do normal quando se considera que são jogadores que muitas vezes tomam total iniciativa do processo ofensivo das suas equipas, acabando as suas jogadas individualmente. Do outro lado, todos os jogadores são pontas-de-lança reforçando a ideia primordial de que esta posição serve para finalizar as jogadas servidas pelos “criativos”.

Para terminar, olhámos também a percentagem de remates por iniciativa própria. Curiosamente só há um jogador cujos remates foram todos por iniciativa própria, Show do Boavista. Os jogadores com menor percentagem nesta métrica são, como referido anteriormente, pontas-de-lança de raiz. Seferovic e Marega têm sido os jogadores mais servidos do campeonato.

TacticalSuperSub
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No verão de 2020 deu sequência à paixão pelo Futebol no twitter, oferecendo análises e grafismos originais que chamaram a atenção dos mais atentos. No início de 2021 foi convidado pela GoalPoint para juntos fazerem ainda mais e melhor.