A primeira volta da Liga NOS está a chegar ao fim, e os “três grandes” do futebol português já se defrontaram. Foram três jogos carregados de emoção, mas que não trouxeram vencedores, e apenas dois golos foram marcados. Primeiro, o Sporting recebeu o FC Porto, na 8ª jornada, e o nulo foi o desfecho. O mesmo resultado voltou a verificar-se na recepção dos portistas aos benfiquistas, na 13ª ronda, e esta quarta-feira, em encontro da 16ª ronda, o dérbi da Luz entre Benfica e “leões” terminou com uma igualdade a um golo, com alguns recordes batidos e muitas curiosidades estatísticas que pode conferir num artigo dedicado.

Estes são os factos imediatos, mas no meio da discussão de quem jogou melhor neste ou naquele jogo, ou quem está a produzir mais e melhor ao longo da temporada, importa perceber também qual o desempenho dos “três grandes” nos confrontos entre si, nos “clássicos” e nos dérbies. Os números não mentem e alguns são mesmo surpreendentes, em especial quando olhamos para o que o Sporting conseguiu – e que, de certa forma, também vai ficando patente ao longo da presente temporada. Vamos a eles.

“Dragão” de porta fechada

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A ideia geral de coesão defensiva apresentada pelo “dragão” nesta Liga NOS encontra correspondência na estatística também nos jogos com os principais rivais. Um encontro em Alvalade, outro em casa, e apenas 12 remates permitidos, três deles enquadrados. Olhando para a classificação, tal acaba por bater certo, mas quem pensou que o Benfica seria o mais permeável dos três, enganou-se.

O Sporting é a equipa que apresentou mais dificuldades para travar os ataques adversários, permitindo 34 disparos, sendo que 24 deles aconteceram na Luz, ante o Benfica, e nove dos 11 enquadrados também surgiram na partida desta quarta-feira. O jogo que, claramente, estragou a “média” leonina.

Uma palavra ainda para Rui Patrício, que à sua conta somou nove defesas nestas partidas.

“Águia” aguerrida

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Ainda no momento defensivo, é curioso notar que, apesar do equilíbrio total em termos de distribuição de pontos, há diferenças assinaláveis quanto aos números totais dos “três grandes”, em especial entre Benfica e Sporting – o que contradiz um pouco a ideia de fragilidade defensiva benfiquista e coesão leonina.

Os “encarnados” foram os que mais intercepções (30) e desarmes (50) realizaram frente aos seus rivais, perdendo apenas nas recuperações de posse para o Porto (115) – que, por seu turno, chegou a estes números recorrendo menos à falta. Os “leões” interceptaram quase metade dos passes dos benfiquistas e apenas igualam o “dragão” na forma como evitaram o recurso a lances à margem das leis.

Construção com critério

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A posse de bola ou o passe não são, por si só, garantes de qualidade na construção das jogadas de ataque, mas definem claramente o perfil de cada equipa. A ideia de um Sporting mais calculista e menos intenso no momento ofensivo parece ganhar especial expressão frente aos seus rivais, como mostram os números. A média de posse de bola da formação leonina é de 50%, mais do que a do FC Porto (48%) e menos que a do Benfica (52%), mas nem sempre o “leão” tem aproveitado bem essa posse.

O Benfica lidera no total de passes eficazes, o Sporting fica algo atrás, tal como registou quase três vezes menos passes para finalização que os somados pelas equipas de Rui Vitória e Sérgio Conceição (Porto lidera neste detalhe, com 19). No que toca aos cruzamentos eficazes em lances de bola corrida, o emblema de Alvalade foi praticamente inexistente, o que pode ser explicado pela opção pelas transições rápidas e menos pelo ataque posicional.

“Águias” e “dragões” mais perigosos

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Finalmente, no ataque, o cenário não muda muito. Benfica e Porto dominam nos remates, sendo que o Sporting realizou menos de metade dos tentados pelos benfiquistas, enquanto os “azuis-e-brancos” mostraram uma eficácia que arrasa as dos dois rivais.

Também nas ocasiões flagrantes os portistas dominaram, com cinco, contra quatro do Benfica e somente duas da formação leonina – o que, sendo um bom sinal, acaba por demonstrar um fraco aproveitamento desses lances, pois foram os únicos que não marcaram qualquer golo aos rivais.

A conclusão é relativamente simples. Não houve vencedores nos três embates até agora entre os “grandes” do futebol português, na Liga NOS 2017/18, e nota-se claramente uma menor produção por parte do Sporting nestas partidas “a doer”. Ao invés, o “dragão” tem mostrado uma maior competência em diversos momentos do jogo, embora tal não se reflicta em golos. Resta saber o que nos trarão os embates da segunda volta.