Palhinha contra a França: suficiente para conquistar engenheiros?

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Apenas 45 minutos em campo bastaram para alimentar a discussão rumo ao duelo dos “oitavos”, com a Bélgica. Com Renato Sanches aparentemente “instalado”, deve o Engenheiro abdicar dos seus homens de sempre (Danilo e William Carvalho) em benefício de João Palhinha?

Quem nos segue pode esperar que nos preparemos para apresentar o “caso” de Palhinha, ou não tivesse ele terminado como o melhor “trinco” GoalPoint Ratings da Liga NOS, mas nem a Liga NOS é exactamente o mesmo que um EURO nem nós somos tão distantes da realidade ao ponto de pensarmos que, aqui sentados à espera do UBER Eats, temos toda a informação que um seleccionador necessita para tomar as suas decisões.

Sabedores do nosso papel, fazemos apenas e só o que se espera de nós. Apresentamos em seguida o jogo que Palhinha fez frente à França, destacando algumas curiosidades dignas de menção, ao nosso estilo. Aqui vamos nós.

Muita “Palha”, na zona intermédia

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As acções com bola (ou em função dela) de Palhinha frente à França foram 35, desenvolvidas sobretudo no terço intermédio. A tendência é positiva e não só mérito do médio, pois significa que não só o campeão nacional como toda a Selecção procuraram destruir e construir em terrenos distantes da própria área, algo que, se recordarmos o jogo frente a Alemanha, constituiu uma melhoria substancial. A forma de jogar da França terá ajudado, é certo, mas o mérito existe e Palhinha contribuiu nesse domínio.

Passe seguro, e nem sempre conservador

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O “trinco” completou 20 dos 23 passes que tentou (87%). Sendo certo que não somou qualquer passe ofensivo valioso / aproximativo, nem por isso deixou de ensaiar passes verticais, mas privilegiando quase sempre a segurança, não somando nas únicas três falhas nenhum passe considerado de risco, sendo duas delas passes longos de dificuldade acentuada (e partilhada com o receptor). O que isto indicia? Consciência do contexto em que entrou em campo, maturidade, apesar do teste de fogo.

“Palhão” no drible

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Médios-defensivos com dribles eficazes não são um fenómeno assim tão raro como se possa pensar. O espaço onde costumam operar é propício e a natureza dos seus dribles normalmente bem diferente do contexto que enfrentam os colegas que jogam em zonas mais avançadas e “populosas” do terreno.

Ainda assim, os quatro dribles somados por Palhinha frente aos gauleses trazem consigo três factores interessantes: correspondem a 100% de sucesso (concretizou todos os que tentou), fizeram dele o mais driblador do jogo entre os portugueses (Renato Sanches concluiu também todos os que tentou, mas ficou-se pelos três nos 90 minutos) e incluíram vítimas de peso, como Paul Pogba, sentado com uma “cueca” que naturalmente “viralizou” nas redes. E relembramos, tudo isto em apenas 45 minutos.

A posse também começa no desarme

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“Apenas ” foram três os desarmes somados por Palhinha. Parece pouco, mas se tivermos em conta que a dupla Danilo – William somou apenas um frente à Alemanha (por Danilo), o registo de Palhinha ganha mais peso, numa “especialização” que é tudo menos novidade para o médio leonino: foi o jogador com mais desarmes (105) da Liga, a par de Fábio Pacheco, mas em menos minutos.

[ O GoalPoint Rating pode saber a pouco, aos menos acostumados à exigência do nosso algoritmo mas atenção: a Palhinha bastaram 45 minutos para ser o 4º melhor rating português frente à França ]

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Mais uma vez… foram só 45 minutos e o GoalPoint Rating até pode desiludir os menos atentos ao grau de exigência das nossas métricas, mas a exibição e forma como encarou o “teste de fogo” legitima a candidatura a uma presença mais regular nas escolhas de Portugal. Será isto suficiente para conquistar o Engenheiro? Domingo saberemos.  

Pedro Ferreira
Pedro Ferreirahttps://goalpoint.pt
Co-fundador da GoalPoint Partners, em 2014. Desempenhou entre 2011 e 2013 os cargos de Secretário-Geral da SAD do Sporting Clube de Portugal, Director da Equipa B e da Academia Sporting.