Patrocínios: Manchester United receberá tanto como 14 adversários

Com o novo acordo com a marca americana de automóveis os "red devils" passam a receber cerca de 60 milhões de euros por ano.

O acordo com a Chevrolet fez disparar o valor dos patrocínios não só dos "red devils" mas de toda a Premier
O acordo com a Chevrolet fez disparar o valor dos patrocínios não só dos “red devils” mas de toda a Premier

Existe uma razão pela qual a Premier League é actualmente a Liga mais inflacionada na hora de contabilizar os salários e valores de transferências praticados (sobretudo entre clubes ingleses). A Liga inglesa é a que gera mais dinheiro e quem rico parece mais caro paga. A somar às diversas linhas de receita que alimentam os clubes da Premiership (direitos televisivos, patrocínios de marcas desportivas, bilhetes de época invariavelmente esgotados, etc) surgem os valores que as mais diversas marcas, locais (poucas) ou globais (a maioria), investem para surgir ao peito dos 11 titulares que disputam a Liga. E o valor continua a subir.

Esta época os clubes ingleses que disputam a Premier League irão receber, nos seu conjunto, 241 milhões de euros no que respeita exclusivamente ao branding das camisolas, ou seja, não incluindo o que cada um recebe do seu patrocinador de equipamento desportivo nem acordos complementares de naming ou patrocínios secundários. Este valor representa um crescimento de cerca de 30 milhões de euros face à época passada, muito por culpa do acordo entre o Manchester United e a Chevrolet (Indústria Automóvel), cujo acordo com a duração de sete anos mais do que duplica o valor até agora recebido pelos “red devils” – que recebendo na época que agora se anuncia cerca de 60 milhões de euros embolsam o equivalente a aproximadamente um quarto do “bolo” total.

  Numa Liga com um modelo que tenta distribuir de forma mais equitativa os proveitos cuja negociação é centralizada (direitos televisivos), este não deixa de ser um exemplo de como o futebol poderá estar condenado a uma bipolarização competitiva das diversas Ligas, já aqui abordada, ou não recebesse o Manchester United mais nove milhões por época do que o somatório de todos os seus adversários, se excluirmos os restantes integrantes do grupo dos “big six” (United, City, Chelsea, Livepool, Arsenal e Tottenham). Se somarmos o valor combinado dos referidos “seis grandes” da Premiership, totalizamos praticamente 80% dos valores a receber, o que vinca de forma clara as diferenças crescentes entre o pelotão da frente e os demais e justifica, por exemplo, a muito criticada postura do Southampton neste mercado, que já se desfez de seis dos seus jogadores fundamentais a troco de 116 milhões de euros. Na hora de perceber quais os sectores que mais investem em patrocínios na Premier League sobressaem as companhias aéreas (66,2 milhões, divididos sobretudo entre Arsenal e Manchester City), a indústria automóvel (com os 59,2 milhões que a Chevrolet coloca no Manchester United) e a banca, com 42,5 milhões distribuídos por diversos clubes (todos eles fora do grupo dos “seis grandes”).