Penafiel 0 – Benfica 3: O pêndulo e o artista

Num jogo sem grande brilho, e perante um Penafiel pouco ameaçador, destacaram-se Gaitán pela qualidade individual e Cristante pela capacidade para compensar Talisca.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
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O SL Benfica voltou a colocar-se seis pontos acima do FC Porto, graças a uma vitória tranquila na visita ao FC Penafiel. A partida não mostrou rasgos de genialidade, qualidade futebolística e espectáculo, antes pautou-se pela muita luta entre as duas equipas e para um gradual ascendente de um Benfica com bastantes mais argumentos que a formação da casa. O pragmatismo e eficácia lisboetas fizeram o resto.

Talisca (37’), Jonas (78’) e Jardel (88’) marcaram os golos benfiquistas, numa noite que sublinhou três realidades. A primeira que o Benfica voltou definitivamente as costas à “nota artística” em detrimento do resultado; a segunda que Jorge Jesus vai ter mais trabalho para substituir Enzo Pérez do que talvez tenha imaginado; a terceira que provavelmente está descoberto o “trinco”, o número 6 que a equipa ainda não tinha encontrado de facto, Bryan Cristante, apesar da utilização de Samaris nesse lugar. O grego, castigado, ficou de fora, e o italiano agarrou a oportunidade, naquela que terá sido a tarefa mais ingrata da noite.

Números dos destaques

Jorge Jesus voltou a apostar em Talisca para o lugar anteriormente ocupado por Enzo Pérez, e mais uma vez não resultou. Não há no brasileiro uma noção posicional eficaz em termos defensivos, notando-se nos números estatísticos da partida. Ao intervalo, o baiano havia recuperado apenas uma vez a bola, tentando três desarmes – no final somou três recuperações apenas -, e sobrou para Cristante a tarefa de dar equilíbrio defensivo à equipa, perante o 4-2-3-1 agressivo do Penafiel no “miolo”. No final, o ex-AC Milan contabilizou um desarme, três alívios e 12 recuperações de bola (perdeu-a 24 vezes, é certo, contra 19 de Talisca). Por outro lado, grande parte do futebol benfiquista passou pelos seus pés, registando 100 toques na bola (só André Almeida, com 105, teve mais), e 86 passes (o máximo das “águias”), com 76,7% de eficácia.

Gaitán foi o motor criativo do Benfica, bem apoiado, diga-se, pelo intermitente Ola John. O argentino fez três remates, apenas um enquadrado, mas efectuou quatro passes para ocasião e fez uma assistência, para além de ter participado activamente noutro dos golos. Ola John esteve muito activo, com três passes para ocasião, num universo de 51, que registou 86,3% de eficácia (fez 35 passes no meio-campo contrário, com 82,9% de acerto).

O 4-4-2 benfiquista foi, mesmo com as condicionantes referidas acima, suficiente para anular um Penafiel que conseguiu, no seu total, apenas dois passes para ocasião, muito pouco para quem queria pontuar. Não conseguiu, aliás, aproveitar as muitas perdas de bola (161) do Benfica em todo o jogo (os da casa perderam 135). Isto porque não a conseguiu ter durante muito tempo. No final o Benfica terminou com 69,2% de posse de bola contra 30,8%, que nem a expulsão de Tony por duplo amarelo, aos 65 minutos, consegue justificar. Os “encarnados” somaram 16 remates, seis enquadrados e nove de dentro da grande área, para apenas três tentativas penafidelenses (uma apenas enquadrada); efectuaram 560 passes contra 249 do Penafiel e com uma eficácia de 80,2% (63,5% dos da casa).

O triunfo do Benfica foi evidente, justo, pelo que se viu em campo e pelo que os números demonstram inequivocamente. E deu ainda para estrear o jovem Gonçalo Guedes, de 18 anos, na Liga. Os campeões nacionais continuam em primeiro, com mais seis pontos que o FC Porto, enquanto os anfitriões mantêm o penúltimo posto. Ambos os treinadores levam problemas para resolver.