Perfil: André André, um médio completo

    A exibição do médio do V. Guimarães, André André, frente ao Sporting é apenas o culminar de uma consistência que o jogador tem apresentado desde a época passada. O GoalPoint olhou para os números do “patrão” vimaranense.

    Esta está a ser uma época de afirmação para André André (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
    Esta está a ser uma época de afirmação para André André (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

    André André tem escola, pedigree. É filho de um internacional português e grande figura do FC Porto, António André. Não será certamente apenas por isso que o médio do V. Guimarães tem brilhado a grande altura nesta época de 2014/15, depois de já ter dado nas vistas na anterior. Sejam que motivos forem, o facto é que o atleta, de 25 anos, tem talento, garra, atitude, capacidade de luta, instinto defensivo, inteligência táctica, distribui jogo, ataca e marca golos.

    Frente ao Sporting, no jogo que o Guimarães venceu por 3-0, André André foi a grande figura da equipa, fazendo de penalty o terceiro tento. Mas não foi o seu golo que definiu a exibição do jogador, foi toda a manobra e influência do primeiro ao último minuto. Vale a pena olhar para as estatísticas, os números do médio nas primeiras nove jornadas da Liga portuguesa, ele que foi a estrela maior na jornada do fim-de-semana.

    Como o algodão

    Após um olhar geral para os valores, salta à vista a maior evidência, aquela que a olho nu, simplesmente ao observá-lo em campo, dá para perceber de imediato: André André é um jogador completo, não engana.

    Em nove partidas disputou todos os minutos da sua equipa (810). Nestes apontou já três golos, nada mau para um médio em tão poucos desafios. Golos que correspondem a um aproveitamento de 30% dos seus remates. André disparou dez vezes nesta Liga, seis vezes enquadrado com a baliza (60% de eficácia de remate), o que mostra uma boa capacidade neste capítulo. Mas a sua função não é bem essa e no meio-campo faz de tudo um pouco, desde defender, distribuir, atacar.

    Soma 417 passes (46,3 por jogo) nestas nove jornadas, registando uma eficácia de 79,4%, um valor que não é extraordinário, mas que, olhando para os restantes, mostra que André André não é um “especialista”, mas sim um futebolista versátil, completo, com qualidade em vários momentos – o número cai para 73,5% de eficácia no meio-terreno adversário e 62,4% no último terço do campo, o que é natural em qualquer jogador.

    Clique na infografia para ler em detalhe (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
    Clique na infografia para ler em detalhe (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

    Intratável a defender

    Desses 417 passes, 268 aconteceram nos meios-campos adversários, ou seja, 64,3% do total, revelando a sua influência no ataque. Nesta zona do terreno soma uma assistência para golo e 11 passes para ocasião, estando neste pormenor apenas atrás de Nani, Brahimi, Gaitán e Talisca, no que toca a médios. A defender é ainda mais impressionante, pela eficácia: efectuou 24 tentativas de desarme e ganhou 22 (o que representa 91,7%), mas também 11 alívios, 21 intercepções, 5,8 recuperações de bola por jogo e ganhou 59,7% dos duelos com adversários – tudo cometendo apenas 2,6 faltas por partida.

    “Carregador de piano”, médio-defensivo, médio-centro, médio-ofensivo, box-to-box. Os números de André André neste campeonato permitem qualquer um destes epítetos, pois não há um momento de jogo em que se possa dizer que é fraco. É um futebolista completo, em ascensão e no auge da carreira, e permitimo-nos mesmo afirmar que Fernando Santos deveria olhar com atenção para o médio como alternativa válida para a selecção nacional. Basta haver vontade e coragem de convocar jogadores fora do âmbito dos “três grandes”.