Perfil: Gaitán com peso crescente na “águia”

O argentino compreendeu o seu novo papel no Benfica após a saída de inúmeros jogadores e assumiu um peso determinante na produção ofensiva da equipa na Liga. Confira os números.

GP - destaque - GaitanMuniciadorSLB - 01Out2014

O médio/extremo argentino, Nicolás Gaitán, é já há alguns anos uma das estrelas do Benfica de Jorge Jesus. Chegado a Portugal em 2010/11, cedo mostrou talento, mas demorou a apresentar consistência. Desde há cerca de duas épocas percebeu que os bons jogadores duram de Agosto a Maio e em 2014/15 parece querer assumir, de vez, o papel de protagonista.

O brasileiro Anderson Talisca tem reclamado para si as luzes dos holofotes, ao somar cinco golos em seis jornadas da Liga portuguesa, mas um olhar mais atento à equipa “encarnada” faz realçar o crescente peso que Gaitán tem no reino da “águia”. Por vezes cai de produção, desaparece do jogo, piora a qualidade de passe, mas nos momentos em que é necessário, lá está o ex-Boca Juniors. O debate sobre o potencial do jogador pode continuar, mas os números não mentem. O argentino é cada vez mais importante entre os comandados de Jorge Jesus, que tem no esquerdino uma garantia de golos, assistências e oportunidades.

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Uma fonte de golos

Em seis jornadas, Gaitán soma 17 remates e apenas um golo (uma taxa de conversão de 5,9%), mas este aconteceu logo contra o Sporting CP, no derby no Estádio da Luz. Mas há mais por detrás dos tentos… a começar pelas assistências. A equipa benfiquista soma um total de dez assistências para golo entre os seus atletas, e Gaitán é o rei neste capítulo, tanto no clube como no universo da Liga, com cinco, ou seja, 50% de todas as assistências da “águia”. O Benfica soma 15 golos na Liga portuguesa até ao momento, pelo que, com o tento aos “leões” mais as cinco assistências, Gaitán contribuiu para seis dos golos “encarnados”, um peso de 40% na produção ofensiva.

Se olharmos para o somatório das ocasiões de golo criadas, mais as assistências, Gaitán soma 15, ou seja, 22% do valor total do plantel, e é de entre os jogadores dos “três grandes” o que melhores indicadores tem neste vector. Apenas Yacine Brahimi (14) e Nani (13) fazem sombra ao argentino, sendo que o “leão” tem menos um jogo. Gaitán (17) está ainda longe no que toca a remates dos líderes Jackson Martínez e Lima (ambos com 23), e é o terceiro, no universo dos “três grandes”, com mais cruzamentos em futebol corrido, 24, contra 29 de André Carrillo, do Sporting, e Ricardo Quaresma, do FC Porto (quatro, cinco e seis, respectivamente, no que toca à eficácia dos mesmos).

Batalhador, concentrado, pragmático, tacticamente inteligente, tem tirado partido das suas incursões pela esquerda e tendência para cair no centro do terreno, onde decide. Temos, portanto, um Nicolás Gaitán que compreendeu a responsabilidade e o papel que esperam dele depois das muitas saídas que se verificaram no plantel benfiquista, e o argentino parece dar mostras de querer completar uma das suas melhores épocas de sempre.