Perfil: João Mário, uma entrada à “Pirlo”

O médio leonino ameaça seriamente ser o próximo grande nome de uma longa linhagem com origem na Academia, caso mantenha o desempenho que nos levou a escolhê-lo como figura da quinta jornada. Perceba porquê.

João Mário teve finalmente a sua oportunidade em Barcelos e correspondeu da melhor forma (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
João Mário teve finalmente a sua oportunidade em Barcelos e correspondeu da melhor forma (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

Se no final desta época João Mário cumprir um ano de afirmação ao serviço do Sporting CP e se a isso conseguir juntar não apenas o destaque individual como também títulos colectivos, o médio terá talvez um único lamento: o de não atingir esse objectivo há muito ambicionado jogando ao lado do seu irmão, Wilson Eduardo, emprestado pelos “leões” ao Dínamo Zagreb.

A época iniciou-se com mau prenúncio para João Mário. Mantendo uma performance positiva mas não impressionante, o médio via André Martins reafirmar o seu direito a um lugar no apoio à missão de Adrien durante a pré-temporada, tapando-lhe o caminho à ambicionada disputa pela titularidade. André Martins não cumpriu a promessa feita na pré-época. Nos 292 minutos que disputou em quatro jogos pelos “leões” a contar para a Liga o número 8 efectuou 31 passes por jogo, com uma eficácia de cerca de 83%, fazendo seis passes para ocasião de golo (zero assistências) e efectuando apenas dois remates, desenquadrados com a baliza. Muito pouco, como viria a confirmar, num único jogo, o novo candidato a uma vaga no triângulo intermédio leonino.

Clique na infografia para ler em detalhe (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

A hora de João

Chegados à quinta jornada os “leões” ansiavam por uma exibição e vitória expressiva, ambas arredias até então do desempenho dos “verde-e-brancos”. Tiveram-na, em boa parte pelos pés do impassível João Mário que num só jogo realizou o mesmo número de passes para golo que André Martins (seis) dos quais dois resultando em assistências para golo. Um pecúlio afirmativo por parte do número 17 dos leões que apresentou em Barcelos uma boa desmonstração da sua forma simples mas “maestrina” de tratar a bola: das 52 vezes que tocou no esférico, 40 foram para efectuar passes para os seus colegas, sendo que cerca de 95% destes chegaram ao destino ambicionado. Mais impressionante ainda é perceber que a sua eficácia não foi afectada consoante a zona para onde decidia abrir jogo, com o médio a manter uma precisão sempre superior a 90% (94% e 92%) consoante endereçava a bola para o meio-campo ou último terço adversário.

Contido no remate mas generoso na influência

Não sendo um médio-centro com apetência para o trabalho de um “6” (embora tenha desempenhado a função inúmeras vezes na sua formação e início de carreira), João Mário realizou ainda quatro recuperações de posse e efectuou dois cortes com total eficácia, mostrando que se necessário pode apoiar a equipa na missão de recuperar o controlo do jogo.

João Mário não se destacou no capítulo do remate (fez apenas dois mas sem acerto) mas não foi necessário (em boa verdade não é a sua especialidade), pois dos seus pés havia saído já boa parte da magia (e números) que levou o Sporting a uma vitória e uma candidatura efectiva a um lugar de preponderância no “miolo” leonino.

Alguns poderão dizer, com alguma razão, que o Gil Vicente não representou um teste exigente à capacidade de o médio-centro produzir o que sabe sob pressão, mas a verdade é que também nestes jogos se definem os futebolistas que cumprem a missão à qual o jovem se candidata: pautar o jogo leonino. Um teste mais exigente está já aí à porta, com a feliz possibilidade de assistirmos à qualidade (e produção) de dois jovens cuja classe parece não ter mais espaço no banco: João Mário e Óliver Torres.