Perfil: O novo Guerreiro da equipa das “quinas”

O jovem luso-francês Raphael Guerreiro foi aposta de Fernando Santos para o jogo de Portugal com a Arménia e teve uma prestação positiva. O GoalPoint olhou para os números do lateral-esquerdo.

Rafael Guerreiro é uma das novidades que Fernando Santos introduziu na Selecção (foto: J. Trindade)
Raphael Guerreiro é uma das novidades que Fernando Santos introduziu na Selecção (foto: J. Trindade)

Fernando Santos chegou à selecção de Portugal e efectuou uma pequena revolução. A base continua a estabelecer-se em torno de Cristiano Ronaldo, mas assistiu-se ao regresso de diversos “proscritos”, de outras opções até então descartadas e até a profundas alterações tácticas, que levaram ao abandono do “dogma” do 4x3x3.

Não se pode, porém, afirmar que se assiste neste momento a uma renovação da selecção lusa, pois muitos dos que passaram a ser convocados são-no depois de anos de ausência, e veteranos. Há, claro está, excepções. Uma delas, que causou surpresa inicialmente, foi a chamada do lateral-esquerdo luso-francês Raphael Guerreiro, de apenas 20 anos (faz 21 a três dias do Natal). Foi titular frente à Arménia, jogou os 90 minutos e deixou indicações positivas.

Filho de pai português e mãe francesa, Raphael Guerreiro é, assim e em definitivo, internacional por Portugal. Nascido em França, foi formado pelo SM Caen e, depois de brilhar pela equipa, foi contratado, no Verão de 2013, pelo FC Lorient, onde permanece. A nível internacional estreou-se em 21 de Março de 2013 pelos Sub-21 de Portugal e ajudou a equipa a apurar-se para a fase final do Campeonato da Europa do escalão. Agora é opção nos seniores.

Carreira no Lorient

A chamada aos Sub-21 lusos deveu-se às boas exibições do jovem em França, pelo Caen, que chamaram a atenção de Rui Jorge. No Lorient efectuou 13 partidas na presente temporada, todas a titular, nove delas a defesa-esquerdo e quatro a médio-esquerdo – um total de 1139 minutos. Apontou um golo em 12 remates que já efectuou pelo clube (um aproveitamento de 8,3%), cinco deles enquadrados. Trata-se de um defesa que não tem receio de tentar o golo, mesmo de longe, pois fez sete disparos de fora da área. Regista até ao momento 600 passes (46,2 por jogo) com 79,7% de acerto, e tem também oito passes para ocasião e uma assistência para golo.

Apesar de defesa, trata-se de um jogador ofensivo, pois 69,5% dos passes que fez na Ligue 1 foram para a frente e só 30,5% para trás. Por outro lado, tentou 28 dribles, 18 com sucesso (64,3%, muito positivo para um jogador que é acima de tudo um lateral-esquerdo). Defensivamente soma 1,6 intercepções por jogo, 61% de desarmes com sucesso (de 28) e 2,8 alívios por partida. E ganhou 66,7% dos duelos aéreos em que participou.

Por Portugal: Guerreiro vs. Eliseu

O que nos interessa, em particular, é a prestação de Raphael Guerreiro pela selecção portuguesa. Fernando Santos orientou a selecção em duas partidas oficiais, e venceu-as usando dois laterais-esquerdos diferentes. Primeiro foi Eliseu, ante a Dinamarca. O jogador do Benfica está lesionado e Guerreiro foi o escolhido. É, talvez, injusto comparar os números dos dois atletas em apenas um jogo efectuado por cada um, pois foram partidas com níveis de dificuldade e características totalmente distintas. Mas dará, certamente, para perceber o que se pode esperar de Guerreiro em termos de características.

Perante um adversário mais frágil, como é a Arménia, Guerreiro aproveitou para mostrar serviço. Efectuou um remate (de fora da área), embora tenha falhado o alvo, e aqui ganha a Eliseu, que não tentou alvejar a baliza da Dinamarca. Vantagem para Guerreiro também nos passes, 64 contra 36, embora se entenda pelo volume ofensivo da formação lusa contra a Arménia, em comparação com a partida anterior. Desses 64 passes, Guerreiro foi eficaz em 85,9% deles, e aqui reside uma das grandes vantagens sobre Eliseu neste duelo específico (o lateral do Benfica só acertou 61,1%, o que é um valor baixo para um defesa).

Nos passes para ocasião, o jovem vence 2-1, e Guerreiro esteve muito em jogo, recebendo 53 passes, para 28 de Eliseu, e perdeu menos bolas: 18 para 23. Curioso analisar o padrão de jogo de Raphael Guerreiro na partida do Estádio Algarve, olhando para os colegas de equipa com quem mais combinou. Neste caso foi Danny quem mais passes recebeu de Guerreiro (11), seguindo-se Tiago (dez), enquanto Pepe foi o jogador que mais vezes passou a bola ao jovem, 15 vezes, seguindo-se João Moutinho, com 11.

O veterano ex-Málaga ganha noutros detalhes. Teve mais uma intercepção que Guerreiro (duas para uma), recuperou dez bolas contra oito de Guerreiro e arrancou quatro alívios, para nenhum do jovem do Lorient. No entanto, estes são números normais perante equipas mais ofensivas como a Dinamarca.

Portugal passou a ter mais uma solução de futuro para a canhota da defesa. Um jovem com potencial para crescer, com capacidade e sentido ofensivo. Olhando para os números do jogo com a Arménia, fica a ideia de que o posicionamento e as acções defensivas poderão melhorar, mas trata-se apenas de um jogo e há um longo caminho a percorrer para o jovem.