Perfil: O que é que o Talisca tem?

Já Carmen Miranda perguntava “o que é que a baiana tem”, e nós deixamos a mesma questão sobre a figura da semana da Liga portuguesa, mas no masculino, o baiano Talisca.

Anderson Talisca deu no Bonfim um sinal claro de afirmação (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Anderson Talisca deu no Bonfim um sinal claro de afirmação (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

A estrela brasileira de origem portuguesa, Carmen Miranda, cantava “O que é que a baiana tem”. Bem a propósito, colocamos a mesma questão agora aplicada ao futebol. O que é que o baiano Talisca tem? Após o “hat-trick” do fim-de-semana frente ao V. Setúbal é hora de analisar o que o reforço benfiquista fez até agora de águia ao peito no campeonato. Como descrever este jogador que foge no geral aos padrões habituais?

Tem físico de defesa-central ou ponta-de-lança, mas veio rotulado como médio para substituir, eventualmente, Enzo Pérez. Porém peca no posicionamento e momento defensivo. Tem um remate potente e bom cabeceamento, mas não é ponta-de-lança. Integra-se bem na grande área, mas não tem a agressividade de um finalizador. Tem visão periférica e um passe longo muito bons, mas rende mais junto ao homem mais avançado, o que lhe restringe um pouco estas características. Brilha num jogo e no outro a equipa rende mais com dez jogadores em campo, após a saída do brasileiro (na expulsão de Artur). Por tudo isto voltamos a perguntar: O que é que Talisca tem?

GP - info - FocoTalisca4J - 19Set2014

Mira afinada

Tem pontaria. Olhando para as estatísticas totais das quatro primeiras jornadas da Liga portuguesa, e depois de ser a grande figura do último fim-de-semana no que à Liga lusa diz respeito, Talisca destaca-se pelo acerto no remate. Em quatro jogos efectuou oito remates, dois por jogo, portanto. Não é muito, é certo, mas destes, cinco foram em direcção às balizas, ou seja 62,5%, o que é um excelente registo (por exemplo, Lima soma 11 remates e apenas dois enquadrados). Três disparos de Talisca acabaram dentro da baliza, embora apenas no último jogo. Foi aqui que o baiano se destacou e onde, aparentemente, Jorge Jesus vai continuar a utilizá-lo.

Nestes quatro jogos, Talisca não actuou sempre na frente, tendo ocupado algumas vezes a intermediária, o que de certa forma baralha as contas quanto ao passe (os médios costumam ter percentagens mais elevadas na qualidade da entrega). São 134 passes em quatro jogos, numa média de 33,5 por partida, 100 deles certos ou seja, 74,6%. Aqui o jogador mostra também características de centrocampista, pois no seu meio-campo conseguiu 79,6% de entregas certas, contra 69,6% no último terço do terreno.

Fraquezas

Defensivamente os números são menos impressionantes, reflexo da dificuldade notória do jogador nesse momento do jogo, no posicionamento e na forma como efectua a pressão sobre os adversários, entrando muitas vezes “à queima”, desposicionando-se e desequilibrando o meio-campo. Dez tentativas de desarmes, 2,5 por encontro, não é um número alto, embora dessas, o jogador tenha obtido sucesso em nove. Faltará talvez trabalho específico.

Não são raras as vezes que se vê Talisca a fazer mudanças de flanco, passes longos, em que mostra uma impressionante confiança e certeza na entrega. Por outro lado é perigoso de frente para a baliza (nunca de costas), junto à grande área, onde pode alvejar o alvo. Frente ao V. Setúbal teve o espaço necessário para pisar os terrenos de que gosta e os resultados estão à vista. Resta saber se consegue manter o nível ao longo de uma longa temporada.