Perfil: Seri, o homem do “pass precise”

    Na Mata Real mora um médio, que já foi do FC Porto , e que parece ter absorvido de forma muito séria a máxima de Bobby Robson para o passe.

    Jean Seri destacou-se nas duas primeiras jornadas, apesar do grau de dificuldade apresentado pelos adversários (foto: J. Trindade)
    Jean Seri destacou-se nas duas primeiras jornadas, apesar do grau de dificuldade apresentado pelos adversários (foto: J. Trindade)

    Ao Paços de Ferreira saiu-lhe a “fava” no sorteio da Liga portuguesa. Na primeira jornada teve de jogar com o campeão Benfica no Estádio da Luz, e na segunda recebeu o FC Porto na Mata Real. A equipa de Paulo Fonseca não marcou qualquer golo, perdeu os dois jogos, mas deu muito boa conta de si, em grande parte por culpa de Jean Seri – e também de Sérgio Oliveira, diga-se com justiça. O costa-marfinense, de 23 anos, começa a destacar-se fortemente neste campeonato luso.

    Não se trata de nenhum extremo veloz de drible fácil, ou de um avançado que faz a cabeça em água às defesas. É um médio-centro de grande capacidade de trabalho, a defender e a organizar jogo, graças a uma qualidade de passe muito acima da média neste arranque de Liga. Frente aos “encarnados”, Seri foi o “castor” com mais passes efectuados, 49 dos 297 que a sua equipa fez. E conseguiu uns animadores 83,7% de eficácia neste capítulo. Não fez tantos contra o Porto, “apenas” 37 de 291, mas brilhou a grande altura no que toca ao famoso “pass precise” de que Bobby Robson falava insistentemente durante a sua passagem por Portugal, em especial pelo Estádio das Antas: teve 94,6% de passes certos. É obra!

    GP - info - JeanSeriPFPerfil2J - 27Ago2014

    Mas Seri também sabe empurrar os colegas para a frente. Ajudou a sua equipa nos momentos em que conseguiu importunar Benfica e Porto, nomeadamente ao fazer subir o meio-campo para zonas de pressão mais adiantadas. Essa característica notou-se sobremaneira frente ao Benfica, em que Seri fez 51% dos seus passes já no meio-campo benfiquista, contra 37,8% ante o Porto – estes números reflectem também a forma de jogar de “águias” e “dragões”, não esquecendo porém as especificidades de cada jogo e as ordens que o jogador terá recebido de Paulo Fonseca. No total das duas partidas, o jovem costa-marfinense fez 45,3% dos seus passes já na metade adversária, refutando desde logo a possível ideia de que se trata de um jogador pouco ambicioso no seu jogo.

    Seri não é propriamente um futebolista que se integre frequentemente no ataque. Jean Seri – que foi jogador do Porto B – é um “patrão” do meio-campo, um jogador inteligente, que sabe onde se colocar e jogar em antecipação, retendo a bola e entregando-a no tempo certo e com qualidade. Falta-lhe apurar esse sentido atacante, arriscar o remate, integrar-se mais na grande área contrária. Para já, destaca-se também pela boa capacidade de recuperação de bola – fê-lo por sete vezes em cada uma das partidas. Em contraponto, consegue ter um controlo de bola e uma capacidade para a reter invejável; com o Porto perdeu o esférico apenas em quatro ocasiões (oito com o Benfica).

    Certamente estará a despertar a atenção de equipas de maior nomeada e pela forma como se tem exibido a grande nível não é de espantar que tenha uma época 2014/15 capaz de o levar a outros voos.