Petit | O “baixinho” que inquieta Jesus 🛑

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Desde que Jorge Jesus chegou ao Sporting, em três encontros da Liga frente a equipas orientadas por Armando Gonçalves Teixeira – de seu nome de guerra, Petit -, nunca conseguiu ganhar. As forças estão desequilibradas. Enquanto o Sporting teve, ao longo das últimas temporadas, dos plantéis mais apetrechados do futebol português, Petit andou sempre envolvido na fragilidade da luta pela manutenção. Enquanto Jorge Jesus colocava à prova a sua mestria no clube “verde-e-branco”, Petit fazia pela vida entre o Bessa e Tondela, com passagem por Moreira de Cónegos.

Agora, Petit é treinador do Paços de Ferreira, o lugar onde ambicionava chegar “há três anos”, como afirmou quando assinou. Jorge Jesus pode estar a fazer uma grande Liga dos Campeões, mas este fim-de-semana regressa a um campeonato onde não tem tido sucesso, o de derrotar o “baixinho”.

Autocarro com paragem no golo

Pela diferença de forças apontadas, Petit apostou em condicionar o jogo da equipa leonina nas três ocasiões em que se encontraram, duas na temporada 2015/16, a primeira com o Boavista, a segunda com o Tondela, e de novo com os beirões na época seguinte. Em comum nestes jogos, sempre a muito superior percentagem de posse de bola para os “leões”, acima das médias apresentadas na temporada, reforçado com o condicionar da eficácia de passe do Sporting, nos dois jogos de 2015/16. Ao mesmo tempo, as equipas de Petit tiveram sempre uma eficácia no passe bastante baixa, nos 50% no primeiro e no terceiro encontro.

O condicionamento da equipa leonina sentiu-se, sobretudo, na sua capacidade de criar oportunidades de golo perante as equipas de Petit. Se, em média, nos jogos entre os grandes e equipas da segunda metade da tabela, a posse de bola e as oportunidades flagrantes tendem a andar de mãos dadas, nestes encontros o Sporting conseguiu ter remates enquadrados abaixo da sua média de temporada, gerando apenas duas ou menos oportunidades flagrantes de golo. Por outro lado, na primeira visita a Alvalade com o Tondela, a capacidade deste em transformar em perigo os remates realizados superou a do Sporting. Será caso para dizer que o percurso do “autocarro” de Petit também passa pelo golo.

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Fonte: GoalPoint / Opta

Nada de ressentimentos

Mas não se pense que os feitos de Petit se limitam aos encontros frente ao Sporting. Na verdade, o GoalPoint já chegou a destacar este técnico como o “Rei das Surpresas”, tendo em conta que para além de roubar pontos aos “leões”, também o Estádio do Dragão representou uma sementeira de pontos para as suas equipas. Quer com o Boavista, quer com o Tondela, Petit conseguiu impor-se no terreno do FC Porto.

O ainda jovem técnico esteve ligado a quatro dos nove resultados mais surpreendentes ocorridos entre o início da temporada 2014/15 e a oitava jornada da época 2016/17. No mesmo período, mais nenhum técnico havia conseguido importunar dessa forma os “grandes”, com Jorge Simão a merecer nota neste contexto por, esta época, também já ter derrotado o Benfica. Em suma, dos “três grandes”, os “encarnados” são mesmo os únicos que têm escapado ao efeito do “baixinho”.

Aquela cativa que me tem cativo

Contra as equipas de Petit, o Sporting de Jorge Jesus sentiu-se sempre cativo numa espécie de colete-de-forças que tende a evidenciar os problemas de criatividade sentidos pelo conjunto leonino. Comparando os números dos “leões” nas primeiras 11 jornadas desta temporada, a equipa vai apresentado sinais positivos relativamente à época passada, criando mais ocasiões flagrantes, mesmo que rematando menos. Um dado curioso da equipa leonina é o decréscimo das tentativas de drible, de temporada para temporada, algo que está em linha com o que escrevemos sobre Gelson Martins na semana passada.

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Médias por jogo do Sporting na Liga NOS
Fonte
: GoalPoint / Opta

A história dos confrontos entre Paços de Ferreira e Sporting na Mata Real está preenchida de grandes feitos da equipa pacense. Desde a primeira vez que se encontraram, em 1991/92, com Sérgio Cruz a marcar o golo da vitória e o guarda-redes Soares a garantir a vitória para o Paços defendendo um pénalti, os pacenses venceram cinco e empataram outros cinco dos 19 encontros disputados. Mas, na verdade, desde que Jorge Jesus chegou ao Sporting, este estádio tem-lhe sido favorável.

Agora que Petit chegou onde queria estar, Jorge Jesus tem como missão demarcar-se deste historial de surpresas amargas. Chegou a hora de o mestre fazer a sua jogada contra o “baixinho”.

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Luis Cristóvão
Luis Cristóvãohttps://luiscristovao.com/
Luís Cristóvão, autor do podcast Linha Lateral e comentador no Eurosport Portugal.
GoalPoint

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