Pierre-Emile Højbjerg, a “âncora” de Mourinho ⚓

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Da veia goleadora de Harry Kane, passando pelos lampejos de génio de Son, para as defesas de Hugo Lloris em momentos-chave ou, ainda, para a voz de comando de Toby Alderweireld. Neste arranque empolgante do Tottenham de José Mourinho, há um outro nome que tem passado um pouco despercebido, mas que tem sido essencial para a consistência que os londrinos têm demonstrado, tanto na Premier League – que lideram com os mesmos 24 pontos do que o campeão Liverpool, fruto de sete vitórias, três empates, uma derrota, terceiro melhor ataque (23) e melhor defesa (9) -, como na Liga Europa, ajudando a equipa a vencer o Grupo J com mais um ponto do que o Royal Antwerp. Falamos de Pierre-Emile Kordt Højbjerg.

“O Højbjerg é muito inteligente. Lê o jogo muito bem e, um dia, vai de certeza ser treinador. É um chato, sempre a fazer perguntas sobre como fazer isto ou aquilo. No relvado lê as situações de jogo muito bem” (José Mourinho,após o triunfo no dérbi ante o Arsenal por 2-0)

[ O desempenho de Højbjerg frente ao Arsenal ]

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Apesar da idade (25 anos), o médio dinamarquês já anda na alta roda do futebol europeu há algumas épocas, num percurso que começou no seu país-natal, com passagens pelos escalões de formação Copenhaga e Brøndby IF, antes de ser resgatado pelo Bayern de Munique, onde terminou o processo de maturação. Há sensivelmente sete épocas, o então adolescente Højbjerg caiu no goto de Pep Guardiola, que tinha acabado de chegar à Baviera, substituindo Jupp Heynckes.

“Bastaram dois treinos para que Pep se encantasse com o seu futebol. Guardiola sente que Højbjerg poderá ser o Busquets do Bayern, ainda que seja só uma promessa de 17 anos, com muito a amadurecer”, relatou o jornalista Martí Perarnau, no livro “Guardiola Confidencial”, citado pelo “site” ESPN, e que retrata a passagem do técnico catalão no emblema germânico. Não obstante esta primeira impressão, o jogador nunca foi primeira opção. Nas três épocas em que Pep orientou os bávaros, foi utilizado em apenas 23 encontros e, pelo meio, somou dois empréstimos, primeiro ao Augsburgo e posteriormente ao Schalke 04.

Tapado por figuras como Lahm, Xabi Alonso, Vidal, Kroos ou Schweinsteiger, decidiu mudar de ares e foi contratado pelo Southampton por 15 milhões de euros, de acordo com os dados Transfermarkt. Nos “Saints”, em quatro épocas, foi quase sempre figura de proa – os 124 jogos e cinco golos marcados atestam isso mesmo.

Como joga o médio?

Com 38 internacionalizações e três tentos marcados pela Dinamarca, Højbjerg é um todo-o-terreno, que tanto actua como “trinco” ou um pouco mais adiantado, como uma espécie de “8”, que não sendo vistoso, tem visão de jogo, vigor físico – 1,85m e 80 quilos  –, uma excelente leitura de jogo, que lhe permite antecipar as intenções dos adversários e “queimar” linhas, e uma técnica bastante apreciável.

“Fisicamente é muito forte e tecnicamente é melhor do que aquilo que as pessoas pensam. Por vezes, julgam que um jogador com boa técnica é o que faz passes de calcanhar. Um jogador que seja bom tecnicamente é um jogador que cumpre a sua missão de forma fantástica. A simplicidade é genial. E aquele tipo é tão simples em tudo o que faz, que se torna um jogador fenomenal”, analisou o Special One, realçando as características da nova “âncora” dos “Spurs”, que chegou no último mercado de transferências por cerca de 16 milhões de euros e rubricou um vínculo até 30 de Junho de 2025.

Cinco épocas na Premier League

A confiança do português no jogador é quase cega: nas 11 rondas da Liga inglesa foi sempre titular e actuou ao longo dos 90 minutos, na Liga Europa não foi utilizado em apenas um jogo – é o jogador com mais recuperações de posse por 90 minutos, incríveis 14,6 -, participou, ainda, nas duas partidas que levaram a equipa a esta fase da prova e foi utilizado na Taça da Liga. Ao todo, são 19 jogos, 15 como titular, duas assistências e nenhum golo marcado.

[ O desempenho acumulado de Højbjerg na Liga Europa 20/21 ]

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Mas a importância de Højbjerg não se fica por aqui sendo que é entre os jogadores com mais de 495 minutos de utilização na Premier League (metade dos minutos totais), o “player” dos líderes da prova é, também, o que soma mais recuperações de posse a cada 90 minutos (6,9), em toda a competição. O número de tentativas de desarme (5,8), os desarmes conseguidos (2,9, ou seja, 50% com sucesso) e também os desarmes completos (1,5), que são aqueles que garantem posse de bola a para a sua equipa, representam também estatísticas de grande qualidade.

Não sendo muito alto para os padrões da Premier League, impõe-se nos duelos aéreos defensivos, com percentagens sempre iguais ou superiores a 50% de predomínio em todas as épocas em Inglaterra, e mostra qualidade na precisão do passe (sempre acima dos 80%). Dois aspectos onde José Mourinho poderá ajudar o seu pupilo a melhorar: o “timing” em que ataca as incursões dos adversários, já que consente uma média de 2,0 dribles por partida, e os poucos golos que tem marcado desde que é profissional. Entre Bayern Munique, Augsburgo, Schalke 04, Southampton, selecção da Dinamarca e agora o Tottenham, foram apenas dez em 260 encontros oficiais.

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