A chegada de Pep Guardiola a Inglaterra já começou, como seria de esperar, a fazer as primeiras vítimas. É sabido que, vá para onde for, Pep leva com ele as suas ideias e, mais do que isso, os seus ideais.

Foi por eles, que até agora sempre se têm traduzido em títulos, que o City o contratou, mas no clube inglês, tal como já tinha acontecido por outras paragens, os princípios de Pep já começaram a dar que falar.

Guardiola-Manchester-City
Pep Guardiola

A primeira vítima de uma “filosofia”

Desta vez a principal vítima é o “keeper” Joe Hart. Titularíssimo da selecção inglesa e do próprio Manchester City nas últimas oito épocas, o guardião foi relegado para o banco com a chegada de Guardiola, e aparantemente a razão principal não são as suas qualidades específicas como guarda-redes, mas sim, como jogador de futebol, completo.

Para Guardiola, os guarda-redes não estão lá só para travar os remates dos adversários, mas também para evitar que eles aconteçam. Mais: têm de ser os primeiros construtores de jogo das suas equipas, pois o habitual “chutão” à procura de uma referência nas alturas é um recurso que está liminarmente proibido. Ora o catalão não viu em Joe Hart um guarda-redes com capacidade de encarnar essa filosofia.

O que vamos tentar perceber de seguida não é se Guardiola tem razão em relação a Joe Hart (isso podemos-lhe dizer já que sim, tem), mas sim quem serão os guarda-redes para quem o novo treinador do Manchester City devia olhar como alvos.

As respostas, como de costume, vamos encontrá-las nos números, entre um lote de mais de uma centena de guarda-redes analisados. O objectivo é duplo: quantificar a opção de Guardiola e perceber se a estatística pode ajudar um treinador/clube a encontrar pistas úteis para fundamentar as suas opções de mercado.

O à-vontade na construção

Dividimos a análise em três atributos essenciais no “guarda-redes ideal” de Pep Guardiola: a capacidade de construção, a tendência para sair da baliza em antecipação, e claro, a qualidade entre os postes.

Começando pela primeira delas, ligámos o “radar GoalPoint, em busca dos guarda-redes, por essa Europa fora, que já estão habituados a uma primeira fase de construção curta, com passes tendencialmente para o seu meio-campo, mas também aqueles que, mesmo não o jogando dessa forma com frequência, o fazem com eficácia quando a isso são chamados.

A percentagem média de passes executados por um guarda-redes que tem como destino o seu próprio meio-campo é de 44%. Sem surpresa, o chileno Claudio Bravo, do Barcelona, é aquele que regista a percentagem mais alta neste parâmetro (86%), visto já estar habituado à filosofia de jogo que Guardiola também defende.

Avaliámos mais oito guarda-redes com nota “5” neste domínio (média acima de 70%), com destaque para Neuer (83%), Casillas (75%) e o ex-Nacional Diego Benaglio (72%).

Benaglio-Wolfsburg
Diego Benaglio

Quanto à qualidade de passe em si, que dividimos entre passes curtos e longos, a eficácia média de um guarda-redes é de 84% nos passes curtos e 35% nos passes longos.

Apenas seis guarda-redes obtiveram avaliação máxima neste particular, neste caso aqueles que tiveram eficácia superior a 65% entre passes curtos e longos, sendo que curiosamente Diego Benaglio é o melhor (67%) e o único que repete a nota 5, não só na qualidade de passe como na tendência para construir apoiado.

Existem, no entanto, seis guarda-redes com nota 4 na qualidade de passe e nota 5 na tendência de passe curto. São eles Bravo, Buffon, Casillas, Neuer, Reina e Trapp.

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