Porto 0 – Benfica 2: Lima volta a desfeitear “dragão”

O avançado brasileiro fez o seu sexto e sétimo golos ao Porto no campeonato, nono no total de todas as competições, e garantiu uma vitória justa para o Benfica no Dragão.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
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Segundo e primeiro classificados da Liga subiram no relvado do Estádio do Dragão separados por três pontos, estando em disputa o posto de líder da Liga Portugal. Nos “onzes” iniciais apenas espaço para uma surpresa de cada lado. No Benfica, Jonas ficou no banco dando lugar a Lima, enquanto no Porto, Marcano ganhou a titularidade a Maicon no centro da defesa.

O Porto entrou melhor usando um futebol mais directo como resposta à pressão alta do Benfica. Aproveitou assim o adiantamento de Maxi Pereira e André Almeida, dominando claramente os primeiros dez minutos de jogo com três remates contra zero dos “encarnados”, 58,9% de posse de bola contra 41,1% e 69,8% de eficácia de passe contra 37,5%.

A partir daqui o Benfica baixou as linhas e jogo ficou mais dividido, Talisca conseguiu ter mais bola e apareceu a velocidade de Gaitán e Salvio. O Porto insistiu em colocar a bola nas costas pelos corredores aproveitando a propensão ofensiva de Maxi e a falta de apoio que Gaitán dava a André Almeida. Isto permitiu duas coisas: retirar poder a Samaris no processo de destruição de jogo adversário, ele que tem vindo a aumentar a sua preponderância na equipa, bem como aproveitar a velocidade e capacidade técnica de Brahimi de um lado e Tello do outro.

Aos 36 minutos, e apesar ter tido até esse momento apenas 40% de posse de bola, e 57% de eficácia de passe, os campeões nacionais colocaram-se em vantagem. Tal como na última jornada, foi de bola parada – lançamento de linha lateral e dentro da pequena área Lima fez o 1-0. Na segunda parte o Porto voltou a entrar mais forte que o adversário, controlando a bola e os tempos de jogo. Contudo, quem voltou a alterar o resultado foi o Benfica, com Lima na recarga a remate de Talisca, no minuto 56.

Após o golo, Lopetegui retirou Tello e Herrera e colocou Quaresma e Quintero na tentativa de agitar o jogo ofensivamente, mas sem efeito, não conseguindo alterar o marcador até ao apito final de Jorge Sousa.

Mais Porto… em vão

Os números são esclarecedores – 19 remates do Porto contra seis do Benfica, 65,4% de posse de bola contra 34,6%, 75,9% de eficácia de posse de bola contra 51,9% das “águias”. O Porto dominou praticamente todo o jogo e em todos os parâmetros estatísticos. Então porque ganhou o Benfica?

Ganhou porque soube aproveitar as poucas oportunidades que teve. Porque conseguiu manter o critério táctico que lhe era exigido. O Benfica manteve o bloco unido, mostrou experiência e consistência e, acima de tudo, foi solidário. Prova disso é o número de faltas cometidas – 28, contra 18 do Porto.

Defensivamente, Samaris e Enzo Pérez foram determinantes para o controlo do jogo pelos corredores, tanto na cobertura defensiva que proporcionaram, como impedindo Herrera e Óliver (e mais tarde Quintero) de criar superioridade numérica quando apareciam nos flancos.

Como é fácil de perceber, a figura do jogo terá de ser Lima. O avançado “encarnado” já tinha estado em destaque em Coimbra, bem como na recepção aos “azuis” de Belém. Mas num jogo em que a dimensão defensiva assumiu tamanha preponderância, o que salta à vista é o colectivo. Toda a equipa benfiquista soube estar em campo e interpretar a via que lhes permitiu chegar à vitória.

Outra referência recai em Enzo Pérez, com seis desarmes, um alívio, oito recuperações de bola, 12 duelos ganhos em 17 e ainda uma situação de golo criada. Nos “dragões”, apesar de ter ficado em branco, Jackson esteve em claro destaque, bem auxiliado por Casemiro com seis recuperações, oito desarmes e três intercepções, criando ainda duas ocasiões de golo.

O Benfica mostrou competência num estádio onde não ganhava para o campeonato há nove anos. Fortaleceu a sua candidatura ao título numa jornada onde ainda ganhou dois pontos ao rival da segunda circular, o Sporting CP. Por outro lado, o Porto vê-se agora a seis pontos das “águias”, relegando para segundo plano a excelente campanha europeia que tem vindo a realizar.