Porto 1 – Shakhtar 1: Alergia à baliza empata “dragão”

A formação lusa teve mais bola, mais remates e o dobro dos lances de perigo, mas revelou fraca pontaria e dificuldade para entrar na área adversária.

O plano passava por poupar também Martins Indi mas o luso-holandês foi chamado a substituir Ruben Neves ao minuto 41 (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
O plano passava por poupar também Martins Indi mas o luso-holandês foi chamado a substituir Ruben Neves ao minuto 41 (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

O FC Porto encerrou a participação na fase de grupos com um empate caseiro 1-1 com o Shakhtar Donetsk, numa partida em que sentiu muitas dificuldades para furar a defesa ucraniana e na qual, mais uma vez, precisou dos momentos finais para desfeitear este mesmo adversário.

O desenrolar da partida não pode ser dissociado das muitas alterações realizadas por Julen Lopetegui, tendo em mente a rotação da equipa e o jogo de domingo em casa com o SL Benfica. Algo que não explica tudo, pois também o Shakhtar fez mudanças. E a verdade é que os ucranianos pareceram quase sempre mais esclarecidos e objectivos no seu jogo até ao intervalo.

FC Porto surgiu no seu figurino habitual, o 4x3x3, mas com muitas caras novas. Andrés Fernández na baliza, Ricardo Pereira a lateral-direito, um meio-campo com Rúben Neves, Quintero e Evandro, e Adrián López, Aboubakar e Ricardo Quaresma na frente. Desta forma, o “dragão” apareceu desligado, excepção para a energia de Quintero e alguns rasgos de Quaresma. O “miolo” esteve sempre muito junto no momento de transição ofensiva, pelo que o espaço entre a zona intermediária e a de ataque era demasiado amplo. O Shakhtar agradeceu este facto, e a sua pressão alta no primeiro momento de construção portista obrigava ao erro e impedia que os da casa atacassem com perigo. Ao invés, os ucranianos mostravam-se pacientes e só no último terço do terreno aplicavam velocidade e agressividade, para apanharem o Porto em contra-pé.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
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Dificuldades

Foi num destes lances que Gladkiy quase marcou, logo aos cinco minutos, mas chegou atrasado a um centro da esquerda de Bernard, quase em cima da linha de golo. O Porto só respondeu aos 32 minutos, com Adrián López a flectir para o meio e a obrigar Pyatov a uma defesa complicada. Mas foi tudo (do espanhol e do Porto até ao descanso)

Num primeiro tempo morno e desinteressante, o FC Porto fez cinco remates, dois enquadrados, três deles na grande área contrária – o Shakhtar não visou a baliza portista. A equipa de Lopetegui fez 344 passes, com 87,8% de eficácia, mas longe da baliza ucraniana, e teve 64% de posse de bola – o Shakhtar limitou-se a contrariar o futebol portista, com 188 passes, 77,7% deles certos e 36% de posse de bola. Antes do intervalo, Rúben Neves saiu lesionado, para dar lugar a Bruno Indi, passando Marcano para “trinco”.

O domínio portista era evidente, mas o controlo da partida pertencia ao Shakhtar, que conseguia chegar com muito mais perigo junto à baliza de Andrés Fernández. E aos 51 minutos, após canto da esquerda, Stepanenko cabeceou com êxito para o 1-0.

Lopetegui não estava satisfeito e lançou Óliver Torres, curiosamente para o lugar do jogador que mais em destaque tinha estado até então, Juan Quintero. O colombiano terminou a sua participação com dois remates (ambos bloqueados), dois passes para ocasião, 60 entregas, o máximo até ao momento em que saiu (69’), com 91,7% de eficácia, e 75 toques, o máximo entre os médios/avançados.

Pressão final

O Porto acabou o jogo a pressionar o Shakhtar e Bruno Indi cabeceou à barra aos 71 minutos, mas nem a entrada de Kelvin para o lugar de Adrián parecia abrir a defensiva visitante. Foi mesmo preciso Aboubakar, à “lei da bomba”, para empatar o jogo, o seu segundo golo na Liga dos Campeões. E mais uma vez o Shakhtar foi travado pelo Porto perto do fim.

Destaque óbvio para Aboubakar que teve 50% de aproveitamento dos seus remates, com um golo em dois disparos, um deles enquadrado. O jovem camaronês, de 22 anos, fez ainda dois passes para ocasião. Mas realce também para Evandro, que aproveitou bem a saída de Quintero para assumir mais o jogo. O ex-Estoril fez três remates, um enquadrado, um passe para ocasião, teve expressivos 95,5% de passes certos, em 67 (94,6% nos 37 que fez no meio-campo contrário), teve 82 toques na bola e ganhou 61,5% dos duelos em que participou.

Colectivamente, o Porto terminou com 14 remates para seis do Shakhtar Donetsk, com equilíbrio (4-3) nos enquadrados e nos realizados dentro da grande área (7-5). Esteve, aqui uma das causas do empate do Porto, os muitos remates que saíram ao lado e os poucos realizados dentro da área, relativamente ao total. De resto, os “dragões” somaram 618 passes, com excelentes 88% de eficácia, e registaram 64,9% de posse de bola – Shakhtar com 330 passes, 75,8% certos e 35,1% de posse. E conseguiram o dobro das ocasiões de golo: 12-6.