Porto 1 – Sporting 3: “Leões” mostram mais garra

Clássico dita afastamento do Porto na terceira eliminatória da Taça.“Dragão” sucumbiu à superioridade leonina.

Rui Patrício esteve novamente imperial num jogo decisivo (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Rui Patrício esteve novamente imperial num jogo decisivo (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

Julen Lopetegui e Marco Silva operaram várias mexidas nos “onzes” titulares para o jogo deste sábado. O Porto também alterou o seu sistema táctico, entrando em 4x1x3x2 com Adrián no apoio a Jackson e Herrera a assumir o papel de organizador das manobras ofensivas. Em organização defensiva, o mexicano juntava-se a Casemiro e formava um 4x4x2.

O Sporting adoptou o 4x3x3 habitual com Montero a figurar entre os titulares no lugar de Slimani. Nota ainda para a dupla inédita de centrais com Maurício e Paulo Oliveira.

A equipa orientada por Marco Silva entrou no jogo com um elevado índice de concentração e intensidade. Os “leões” não optaram por uma pressão alta, preferindo pressionar no seu meio-campo defensivo e depois lançar transições rápidas por Nani e Capel. Quando não havia forma de explorar os espaços, o Sporting privilegiou o ataque posicional fazendo circular a bola por todos os sectores, procurando na última fase situações de superioridade numérica nos corredores.

O Porto apresentou-se com pouca intensidade e, apesar de ter mais posse de bola, faltou critério no meio-campo ofensivo. A equipa nortenha trocava muitas vezes a bola em terrenos defensivos, com segurança e sem arriscar, contrariamente ao Sporting que apostou numa circulação mais vertical.

Marcano, aos 31 minutos introduziu a bola na própria baliza após um cruzamento traiçoeiro de Jonathan Silva. O Sporting só saboreou a vantagem por quatro minutos. Quintero descobriu Jackson, aos 35 minutos, e este, na cara de Rui Patrício, fez o empate. Os “leões” não desmotivaram e, aos 39, Nani rematou sem oposição em zona central e sem hipóteses para André Fernández.

Porto com melhores números

Ao intervalo o Porto apresentou melhores números mas mesmo assim insuficientes para sair na frente do marcador. Com 55% de posse de bola e cinco remates, mais dois que o Sporting, os “dragões” foram dominados pelo meio-campo visitante. Casemiro e Herrera não conseguiram travar as investidas de William Carvalho, João Mário e Adrien.

Lopetegui lançou Rúben Neves e Tello ao intervalo para os lugares de Casemiro e Óliver, na tentativa de abanar com a estrutura portista e surpreender o Sporting. Marco Silva demorou a perceber a nova dinâmica do Porto mas corrigiu a tempo o posicionamento táctico da sua equipa, que passou a jogar em 4x2x3x1. Uma resposta acertada.

Rui Patrício manteve o Sporting em jogo quando aos 52 minutos defendeu uma grande penalidade apontada por Jackson. Aos 68, novamente Rui Patrício com uma excelente defesa na sequência de um cabeceamento de Marcano.

Slimani entrou para o lugar de Montero aos 70 para responder ao crescimento táctico do Porto. O técnico espanhol lançou Brahimi nos últimos 15 minutos para chegar ao golo que permitisse o empate. Pouco depois foi a vez de Carrillo ir a jogo para o lugar de Capel.

O golo da tranquilidade sportinguista apareceu dos pés do extremo peruano depois de uma jogada individual de Slimani. Carrillo só teve de empurrar a bola para dentro da baliza e fazer o 3-1 aos 83 minutos.

No final da partida os “dragões” somaram 61% de posse de bola e 11 remates, cinco enquadrados com a baliza, estes dois últimos valores iguais aos do Sporting.

Nani foi o melhor elemento do jogo, produzindo sempre grandes dificuldades para José Ángel. Criou, marcou e desequilibrou durante os 90 minutos.
 

 

Fragilidades

O Porto demonstrou grandes dificuldades para travar o estilo de jogo do Sporting, tendo sido obrigado muitas vezes a apostar em transições rápidas com a equipa de Marco Silva a assumir as despesas do jogo.

O tridente do meio-campo leonino conseguiu controlar o ritmo de jogo e impor a sua qualidade perante Casemiro e Herrera no primeiro tempo e depois Rúben Neves, Herrera e Quintero. Montero desempenhou o papel de avançado móvel, fugindo da marcação dos centrais para vir atrás tabelar com os extremos e depois aparecer nos espaços.

Na segunda parte as duas equipas mudaram a sua forma de jogar mas o Sporting continuou por cima do encontro, procurando sempre desequilibrar pelos corredores laterais. Lopetegui não encontrou maneira de bloquear a lateralização de jogo dos “leões” e os extremos Quintero, Óliver, Adrián, Tello e Brahimi, que ao longo do jogo desempenharam esse papel, não apoiaram os seus laterais. Cédric e Jonathan subiram bem no terreno e criaram situações de superioridade numérica.

A entrada de Slimani fez com que Sporting adoptasse uma postura mais pressionante, com o argelino a não deixar a defesa portista sair a jogar, o que levou a que a formação lisboeta conseguisse recuperar muitas bolas no seu meio-campo ofensivo. A descida de Adrien para junto de William e a subida de João Mário para a posição de apoio ao avançado fez com que o Sporting conseguisse tapar os espaços entre linhas e o caminho para a sua baliza.

Os pupilos de Marco Silva começaram a pressionar mais o Porto nos últimos minutos de forma a retirar espaço de manobra e afastar os “dragões” da zona de perigo. Quando o Sporting recuperava a bola, respirava e circulava com segurança, baixando o ritmo e a intensidade de jogo propositadamente.

O Porto só conseguiu explorar as costas da defesa adversária quando o seu meio-campo tinha espaço para lançar e jogar de forma mais directa, aproveitando o maior balanceamento ofensivo do Sporting e o envolvimento dos laterais nos processos atacantes. Foi assim que surgiu o golo de Jackson, a grande penalidade que o capitão do Porto sofreu e todas as outras situações que conseguiu criar jogadas perigosas para a baliza de Rui Patrício.