Porto 2 – 0 Lille: “Dragões” carimbam passagem à fase de grupos

Franceses não conseguiram travar Brahimi e Jackson Martínez, consistência defensiva continua a ser imagem de marca.

GP - destaque - FCPvsLilleChQual - 26Ago2014

Julen Lopetegui repetiu o “onze” do jogo da semana passada em casa do Lille. Os “dragões” voltaram a controlar e materializaram essa superioridade numa vitória por 2-0 com golos de Brahimi e Jackson Martínez. Sem acelerar muito durante toda a partida, o Porto cumpriu o seu objectivo de marcar presença na fase de grupos da Liga dos Campeões e soma o quarto jogo oficial sem sofrer golos.

A equipa portuguesa alinhou em 4x1x4x1 e encontrou um Lille a jogar em 4x3x3 que procurou explorar os erros portistas. Da disposição táctica do Porto podemos destacar o posicionamento de Óliver e Brahimi. Os médios-alas do Porto fizeram um jogo muito conseguido do ponto de vista táctico, contribuindo para a coesão defensiva da equipa. Óliver e Brahimi permitiram aos laterais portistas, Alex Sandro e Danilo, darem profundidade aos seus respectivos flancos.

O primeiro tempo ficou marcado por uma entrada forte do Porto mas a equipa “azul-e-branca” nunca conseguiu definir bem as jogadas no último terço do campo e consequentemente incomodar Enyeama, com a equipa francesa a limitar-se a fechar os caminhos para a baliza e a tentar através de saídas rápidas criar dificuldades a Fabiano.

Posse e paciência

Lopetegui foi obrigado a mudar. Diego Reyes rendeu o lesionado Alex Sandro, com Martins Indi a descair para a posição de lateral-esquerdo. O Porto deixou de atacar pelo corredor esquerdo com tanta frequência e passou a chamar mais a jogo Danilo e Brahimi. Com a saída de Alex Sandro os “dragões” perderam momentaneamente o controlo do jogo, com o Lille a surgir em cena nos minutos finais da primeira parte, aproveitando algumas faltas de concentração no sector defensivo do Porto e alguns passes falhados em zonas proibidas.

O Porto foi para o intervalo com aproximadamente 59% de posse de bola e uma eficácia de passes de 85,4%. Números que demonstram que o futebol de posse e paciência do técnico espanhol veio para ficar.

A equipa orientada por Lopetegui entrou na segunda parte determinada em decidir a eliminatória. Brahimi apontou o primeiro golo da partida aos 49 minutos na sequência de um livre directo marcado de forma exímia. O número 8 portista foi o grande destaque da partida, conseguindo desequilibrar tanto na faixa direita como na esquerda, quando trocava com Óliver. Os movimentos interiores provocaram desequilíbrios na defesa do Lille. O argelino completou 42 passes durante os 90 minutos com uma eficácia de 81%, à imagem de Casemiro e Herrera com 63 e 52 passes e uma eficácia de 82,5% e 83,3%, respectivamente.

À espera do Lille

Após o golo, o Porto adoptou um bloco médio-baixo e procurou através das transições rápidas chegar ao 2-0. René Girard alterou a forma de jogar da sua equipa e colocou em campo Ryan Mendes e Marcos Lopes para darem velocidade ao jogo da equipa francesa. Lopetegui lançou Evandro perante o jogo menos conseguido de Rúben Neves do ponto de vista defensivo. O médio de 17 anos não conseguiu ganhar nenhum duelo dos três que disputou. Ofensivamente manteve o nível dos jogos anteriores com uma eficácia de passes de 85%, num total de 40 passes efectuados. Evandro entrou para baixar o ritmo de jogo, segurar a bola e deixar a equipa respirar numa altura em que o Lille pressionava para chegar ao empate.

Após um período menos conseguido e de maior pressão do Lille, Jackson, aos 69 minutos estabeleceu o resultado final em 2-0 após uma transição rápida com Brahimi a ser o protagonista, assistindo o avançado colombiano.

O Porto terminou o jogo com 56,7% de posse de bola e um total de 521 passes efectuados com uma eficácia de 84,5%, uma estatística superior ao da primeira mão onde a equipa portuguesa atingiu uma eficácia de passes de 77%.

Origi e Roux não conseguiram quebrar a muralha dos “dragões” com mérito para Maicon e Martins Indi que tanto a central como a lateral-esquerdo apresentou um nível muito elevado, sendo o jogador mais interveniente em toda a partida com 83 toques e 71 passes (91,5% de eficácia).

Mavuba foi o jogador mais inconformado do lado do Lille. O capitão dos franceses ganhou oito dos dez duelos que disputou e completou 66 passes com uma eficácia de 99,9%.

 

Francisco Gomes da Silva
Nascido em 1993 e licenciado em Economia. Um campo, uma bola e 22 jogadores, uma paixão que despertou bem cedo na sua vida. Jogou até aos 19 anos, seguindo-se passagens como treinador-adjunto dos Sub-19 e Sub-15 do Grupo Desportivo Alcochetense. Paralelamente iniciou-se na área de comunicação através de análises tácticas e técnicas para sites e revistas em Portugal. Colabora ainda com o Departamento de Prospeção do Benfica na condição de observador.